MALEDICÊNCIA…

Qual a razão desta mania de maledicência?
É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.
Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso próprio valor.
A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesmos. Necessitam de medir o seu próprio valor pela desvalorização dos outros.
Esses homens julgam necessário apagar as luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.
São como pirilampos que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca.
Quem tem bastante luz própria não necessita de apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.
Quem tem realmente valor não necessita de medir o seu valor pela desvalorização dos outros.
Quem tem uma saúde mental vigorosa não necessita de chamar doentes aos outros para gozar a consciência da própria saúde.
As nossas reuniões sociais, as nossas conversas, são, em geral, academias de maledicência.
Falar mal das misérias alheias é um prazer tão subtil e sedutor algo parecido com whisky, gin ou cocaína que qualquer pessoa com uma saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.
A palavra é o instrumento mais valioso para a comunicação entre os homens. Porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente.
Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, eliminar dores e traçar destinos seguros.
Fala-se muito em “falar por falar”, para “matar o tempo”. A palavra, muitas vezes, converte-se num estilete da impiedade, numa lâmina da maledicência e num bisturi da revolta.
As boas palavras resolvem conflitos, aproxima as pessoas e deminuem dificuldades.
Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, provocando infelicidade e destruindo vidas.
Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas.
Evitemos a censura.
