Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005

A relevância do QE sobre o QI

Com o advento do QE (Quociente Emocional), trazido a por Daniel Goleman, jornalista e psicólogo formado em Haward, vemos a importância de ter os aspectos emocionais nas nossas vidas e nas nossas actuações como principais protagonistas no trabalho onde passamos a maior parte de nossas vidas, no dia-a-dia.

Muito se tem discutido quanto à maior relevância do QE (Quociente Emocional) sobre o QI (Quociente Intelectual), e nestas discussões conclui-se baseado em pesquisas que de facto pessoas de alto QI nem sempre são as mais sucedidas nos seus empreendimentos pessoais ou profissionais. Porém pessoas com médio, ou baixo QI, mas que tem um QE desenvolvido, conseguem ter sucesso nos seus empreendimentos profissionais e na condução de equipas de trabalho vencedoras.

Recentemente, alguns pesquisadores e consultores do comportamento humano chegaram a trazer à baila um novo quociente o QA (Quociente de Adversidade), que é aquele que mede a capacidade das pessoas para enfrentar as adversidades da vida, segundo Paul Stolz.

Sabemos na verdade que todos estes quocientes não funcionam de forma interdependente, todos eles com suas mais variadas especificações e atribuições, levando cada um de nós a agir ora mais, ora menos, com objectividade, emoções e assertividade o que contribui de maneira directa para obtermos o sucesso nos nossos empreendimentos.

Prova disto, podemos observar o QI e o QE associados ao QSM (Quociente de Satisfação do Management) dentro de uma fórmula representada abaixo:

QE/QI X QI/QSM = E/SM

Onde:
QI - Quociente Intelectual

QE - Quociente Emocional

QSM - Quociente de Satisfação do Management

E/SM - Esperado Sucesso do Management

Neste arranjo e disposição, o QI tem pouco peso, pois quem estabelece muitas vezes o que e como fazer é o management, mas com a subtil participação do envolvido na questão. Nesse ponto o uso do QE é fundamental para aceitar, motivar-se e levar a equipa a procurarr as metas e os objectivos a serem alcançados por parte da organização. Vejam que em sentido estritamente matemático o QI é simplificado da fórmula, deixando o QE ou IE (Inteligência Emocional) actuando no processo para se chegar ao ESM (Esperado Sucesso do Managament).

Nessa intrincada situação surge um novo "Q" derivado sem dúvida alguma do QE, porém de forma tortuosa. Trata-se do QS (Quociente de Sedução). Por sedução podemos entender que é um instinto de onde vem o exibicionismo, o engano, a virtuosidade fingida, os dotes persuasivos maléficos, a adulação com má fé, as promessas não cumpridas, a frivolidade, a diplomacia hipócrita, o cálculo malicioso e a intriga. Sim todos estes são aspectos emocionais negativos, que prejudicam as relações interpessoais e os negócios dentro e entre as empresas.

Para complicar ainda mais estas relações, algumas pessoas trocam o QI (Quociente Intelectual) por QI de (Quem Indica) de forma proposital nalgumas empresas. Quando este facto ocorre no ambiente de trabalho todo o esforço para alcançar uma gestão profissional baseada na Gestão de Competências, cai por terra. Por que se dá isto? O facto é que ao desvirtuar um dos componentes da fórmula anterior quebra-se todo o elo profissional e  passa a prevalecer aspectos subtis, diferenciados de uma gestão profissional séria. Com isto, o que passamos a observar a prevalência de quem seduz mais ganha mais e leva mais em detrimento dos mais competentes no sentido estrito da palavra. Neste contexto a empresa passa a ver as relações como a fórmula abaixo com os seguintes componentes:

QE/QI X QI/QSM = E/SM

Onde:
QI - Quem Indica

QE - Quem Escolhe

QSM - Quem Seduz Mais

E/SM - Escolha Sem Mérito

A escolha sem mérito é o que realmente se tem colhido quando ao contrário da fórmula anterior, prevalece o QI (Quem Indica). O grande peso e divisor da questão é o QSM (Quem Seduz Mais), quem via de regra nem sempre é o mais competente, mas é o que leva e ganha as promoções, pois sobre este está o QI (Quem Indica). O resultado de tudo por ser a escolha sem mérito, é a desmotivação da equipa e desmoralização da empresa perante os seus colaboradores profissionais.

Portanto, está na responsabilidade das áreas de RH e nos gestores estarem atentos às escolhas de colaboradores sem as características malévolas do instinto de sedução. Para isto, podem contar com o apoio dos profissionais que lidam com as provas e testes psicotécnicos que são capazes de detectar esta característica naqueles que por ventura desejam pertencer aos quadros de uma organização séria.
Escrito por Fernando Fraga em 10:06:30 | Link permanente | Comments (0) |