Crescimento e realização
O profissional moderno não procura mais uma empresa onde possa cumprir algumas horas de trabalho em troca de um salário compensador. Percebe-se que cada vez mais a empresa está a deixar de ser meramente um meio - na maioria das vezes frustrante e difícil de suportar - para que possamos manter a nossa vida fora dela com um mínimo de conforto e segurança.
Essa fronteira antes bem definida e quase intransponível entre vida profissional e pessoal vem sendo cruzada com uma frequência cada vez maior, e há uma tendência crescente para a sua completa eliminação nos dois sentidos: tanto de fora para dentro - com as pessoas a trazerem os seus interesses pessoais para dentro da empresa - como de dentro para fora - as pessoas a exercerem as suas funções da empresa nos seus próprios lares.
A primeira situação deve-se aos modernos conceitos de gestão, disseminados pelo incremento dos programas de Qualidade no mundo inteiro. Esses conceitos colocam o foco dos resultados sobre a realização e a motivação do ser humano, tratando da ampliação dos horizontes organizacionais de forma a oferecer ao cliente interno - como é chamado o colaborador na linguagem da Qualidade - muito mais do que simplesmente um cargo e um bom salário. A ideia é atender as suas necessidades num plano que se poderia classificar de holístico, ou seja, partindo-se da premissa de que o homem não parte do zero para ser trabalhado, mas que sua actuação depende de todo um contexto de necessidades satisfeitas. Assim, se a empresa se preocupar com todo esse contexto, concerteza obterá comprometimento para a perseguição das metas organizacionais a partir da motivação individual.
A segunda situação - a das pessoas desenvolvendo as tarefas da empresa nas suas próprias casas - é uma tendência nascida do incremento das tecnologias de informação e comunicação: cercadas por toda uma parafernália cibernética e "hightec", as pessoas hoje substituem o esforço físico e de deslocação por uma bem organizada sequência de operações electrónicas que as colocam simultaneamente acessíveis e em condições de acessar o que - ou quem - precisem, efectivando as já comuns reuniões à distância entre membros de equipas virtuais.
Em ambas as situações o objectivo comum é um atendimento mais amplo do complexo elenco de necessidades humanas: considerar o profissional e o seu universo pessoal como partes de um todo que não pode ser dividido sem trazer prejuízos ao resultado que dele se espera.
Capacidade técnica e desenvolvimento pessoal
A capacitação e a especialização dos indivíduos dentro dessa nova realidade deve ser algo dimensionado para atender plenamente às suas expectativas de crescimento pessoal e profissional, e não apenas visando a preparação para uma actividade específica, como se fazia até bem pouco tempo atrás. As história recente da implantação de Programas de Qualidade Total mostram que a quantidade de formação que se vem realizando - depois do grande incremento desses programas - é a mesma de há 10 anos atrás, quando estes programas estavam em início da sua expansão. Apesar disso, como se explica que os resultados obtidos - como índice de peças defeituosas na fabricação, gastos com assistência técnica, retrabalho etc. - tenham tido ganhos tão significativos? A resposta para essa equação aparentemente incompreensível é que durante anos se trabalhou com indicadores errados: contava-se a eficácia da área de RH pelo número de cabeças formadas, e não pelo retorno que esse investimento deveria trazer para as empresas. Hoje há uma crescente conscientização para a necessidade de educar e treinar promovendo uma perfeita harmonia entre os objectivos organizacionais e a realização pessoal dos indivíduos.
Programas de incentivo e fortalecimento da dignidade funcional
Os gestores têm demonstrado surpresa com a rapidez com que os seus quadros funcionais vêm respondendo aos mecanismos modernos de satisfação e motivação com que têm procurado dotar as suas estruturas. Isso começa a acontecer a partir de uma reflexão mais aprofundada sobre o que sejam satisfação e motivação. Concluiu-se que elas não dependem do atendimento de necessidades isoladas, como se demonstrou em inumeráveis pesquisas sobre a relação Satisfação x Ambiente x Salário, desde que Maslow elaborou a sua famosa teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas, mas sim de reunir e colocar à disposição dos funcionários um conjunto de opções para que eles próprios possam interagir com o ambiente e constituir o seu próprio rol de prioridades que possa ser suprido pela empresa.
Os programas de incentivo em desenvolvimento nas organizações visam procurar essa flexibilidade de forma a adequar as suas ofertas à diversidade do seu pessoal e atingir uma amplitude tal que lhes permita cobrir a maior parte das necessidades funcionais e pessoais dos funcionários.
Indispensável ainda é a preocupação em oferecer um ambiente digno e agradável, que reduza consideravelmente o elevado índice de "toxinas" com que os organismos das empresas foram bombardeados durante séculos, e que fabricaram todas as doenças organizacionais que os empresários se cansaram de combater sem sucesso: altos índices de conflitos interpessoais e intersectoriais (o conhecida "tira-lhe o tapete"), o desmazelo com o património da empresa, a síndroma do "fim do inferno" (hora de ir embora no final do período e trabalho), o bloqueio da comunicação, a falta de confiabilidade nas informações, o excesso de burocracia em função das "ilhas sectoriais", e tantas outras mazelas que emperram a engrenagem do sistema simplesmente pela falta de um vínculo "espiritual" entre funcionário e empresa.
Parodiando alguém que disse que "a Qualidade é importante demais para ficar apenas nas mãos dos especialistas" eu diria que o Desenvolvimento do Capital Humano na empresa moderna é algo bem maior do que simplesmente oferecer salário e formação: precisa de passar por um total redimensionamento, em que pese uma nova ordem realmente centrada no ser humano total, indivisível e complexo.
Gerir uma organização dentro destes novos parâmetros é um desafio muito maior do que o foram as grandes descobertas tecnológicas deste século, porque gerir pessoas extrapola o alcance de qualquer tecnologia e de qualquer teoria que se estabeleça a respeito.
O ser humano é e será sempre surpreendente, admirável e insuperável na sua capacidade de procurar e criar. As empresas têm que estar continuamente adequando os seus processos às permanentes mudanças que ele promove, pois só sobreviverão aquelas que atinarem para essa lei universal e incontestável: para criar o homem precisa de ser livre, para ser livre precisa de ser completo, e são as organizações criativas que se mantêm vivas, apesar das mudanças.
Comentários Recentes
GRANDE CHEFE
UMA ADAPTAÇÃO LIVRE,
deu certo comigo...
Permito-me este br
Pretty cool. Congratulations.