Quarta-feira, 21 de Setembro de 2005

COMPETÊNCIAS – Uma breve abordagem

Actualmente o mercado internacionalizado impõe às organizações a necessidade de adoptar modelos de gestão centrados na competência dos seus profissionais. Mesmo perante sistemas informatizados cada dia mais sofisticados, o ser humano continua a ser o portador e produtor de conhecimentos. Os colaboradores não podem mais ficar restritos a cumprir procedimentos preestabelecidos, mas igualmente serem capazes de saber agir com pertinência perante situações que exijam competência. Colocando praticidade na definição de competência pode-se dizer que é a capacidade das pessoas em resolver os problemas profissionais num determinado contexto, em realizar as actividades e o trabalho que lhes foi designado.

Envolve, ainda, a capacidade de conviver com as diferenças interpessoais, culturais, credos, raça... sem que essas diferenças interfiram no trabalho profissional. É a capacidade de memorizar, calcular, criar, inovar, ter iniciativa, perseverança. Tem tudo a ver com os conceitos que uma pessoa possui sobre si mesma e que se reflectem nas atitudes, valores, emoções, acções e reacções que ela expressa diante de uma situação. É a combinação de qualificações (conhecimentos teóricos + conhecimentos práticos + comportamentos) para produzir um resultado, para reagir a um acontecimento inesperado, dentro de um contexto organizacional, com capacidade e iniciativa de construir uma nova aprendizagem ou apresentar soluções realizáveis. Na organização, as competências reportam-se aos conhecimentos fundamentais disponíveis, todos os activos materiais e imateriais.

O ser humano constitui-se numa particularidade, uma vez que os investimentos feitos e assimilados podem torná-lo fonte de potencial vantagem perante a concorrência. A gestão de pessoas, portanto, torna-se um dos aspectos mais importantes da organização e deve ser feita pela integração dos conhecimentos adquiridos pelo indivíduo e pelas suas qualidades individuais, desenvolvidas desde as suas formações familiares, sociais, valores, experiências, esforço pessoal, objectivos e metas de vida. Pelo lado profissional, através dos objectivos que a empresa pretende alcançar e pelas políticas de pessoal adoptadas pela empresa. Gerir as competências humanas deveria ser encarada pela organização como um dos objectivos estratégicos, a fim de assegurar a competitividade no mercado. Apesar deste não ser ainda um pensamento unânime nas empresas, já se observa uma certa reflexão que pode redundar em realidade. Vista como essencial em qualquer organização, a competência pode ser analisada segundo quatro critérios:

·       os procedimentos intelectuais (estratégias de resolução de problemas desenvolvidas durante os estudos e o trabalho);

·       os conhecimentos adquiridos tanto teóricos como técnicos, as relações de tempo e de espaço (a capacidade de tratar um número de dados informacionais e ampliar o campo de análise antecipada dos problemas);

·       as relações interpessoais.

Quando todos aqueles que trabalham com pessoas, e não somente os que trabalham nos RH, despertarem para a valorização dos cérebros humanos, então a competência tornar-se-á mais acirrada. Enquanto isto não acontece, que tal os empresários passarem a olhar os empregados numa perspectiva de investimento e não somente como um custo? Devem investir, pelo menos, em três aspectos:

1.     Competência individual - o querer agir: esse é um investimento deve ser feito em todos os níveis organizacionais, munindo as pessoas de informações para que elas se disponham a participar das decisões importantes da empresa.

2.   Competência colectiva - o saber agir: constituída do conjunto organizado das competências individuais, numa espécie de equipa multidisciplinar, multifacetada, em perfeito entrosamento relacional com o ambiente e com as pessoas que o compõe, todos com o mesmo objectivo: a sobrevivência organizacional. Esse "perfeito" entrosamento não significa ausência de conflitos, mas a capacidade de enfrentá-los e minimizá-los da melhor forma em prol de um objectivo comum.

3.     Competência organizacional - o poder agir: construída a partir da história da empresa, cultura, sistema de valores, combinação de saberes individuais e colectivos, métodos de aquisição, gestão e desenvolvimento  pessoal, tecnologias e métodos de produção transmitidos de maneira formal e informal, sistemas gestão, activos materiais e financeiros, alcançando um desempenho seguro e económico, transformada em empowerment.

Gerir competências é uma construção feita por toda a organização, a partir da conscientização de todos da real importância das pessoas e das suas inteligências colocadas ao serviço da empresa. Não se disponibiliza através de consultores! É uma mudança na estratégia global e na estrutura organizacional, na definição de alvos e objectivos e na metodologia de acção para o alcance dos resultados e vai exigir dos gestores um novo posicionamento com relação às pessoas.

Escrito por Fernando Fraga em 09:54:04 | Link permanente | Comments (0) |