COMO PODEMOS PROMOVER A AUTO-ESTIMA DAS CRIANÇAS (1a parte
Auto-estima é a capacidade de gostarmos de nós mesmos, de nos aprovarmos, aquela certeza de que somos capazes de realizar uma porção de coisas, de que somos realmente muito competentes em determinadas habilidades, e também a capacidade de termos uma auto-imagem positiva. A auto-estima inclui tanto a imagem que temos de nós (nossa auto-imagem) como a imagem que acreditamos que as outras pessoas têm de nós, aquilo que acreditamos que elas pensam a nosso respeito.
A nossa auto-estima vai sendo formada desde o momento em que nascemos. Todas as experiências que resultam em satisfação, conforto, alegria, vão compondo uma auto-estima positiva. Quando a mãe brinca com o bebé e este sorri, quando a mãe repete as palavras que o bebé pronuncia, numa espécie de jogo divertido, é como se ela lhe estivesse dizendo: “Você é muito especial e já consegue realizar coisas incríveis, que atraem a minha atenção a ponto de eu querer parar tudo o que estava a fazer para vir aqui brincar com você!”
As aprendizagens pelas quais uma criança tem de passar são inúmeras e difíceis. Já no primeiro ano de vida, ela precisa de aprender a reconhecer o rosto das pessoas que convivem com ela (e as vozes), aprender a comunicar de alguma maneira aquilo que sente (fome, dor, solidão…), aprender uma série de movimentos (segurar, gatinhar, andar, etc.). Ela precisará de apoio e estímulo para todas estas aprendizagens, precisará de adultos que a consolem (e que a ensinem a consolar-se sozinha futuramente) quando falhar ou se sentir insegura. Precisará de encorajamento, alguém cuja atitude expresse uma visão optimista a respeito de todas estas aprendizagens, alguém cujo comportamento a ajude a encarar a aprendizagem e o mundo como coisas divertidas, curiosas, excitantes. É preciso incentivar o prazer pela descoberta, o prazer em ser persistente e superar obstáculos.
Neste processo, a atitude e os comentários dos pais e professores acerca dos sucessos e dos insucessos da criança são decisivos para a sua auto-estima, o seu auto-conceito. Como a criança que espalhou muita cola noseu trabalho escolar e que ouviu dos pais (ou do professor) o comentário: “Mas como é desastrado! Olha só que porcaria! Você não consegue fazer nada direito mesmo!” Esta criança terá um auto-conceito bem diferente daquela outra que, diante da mesma situação, ouviu algo como: “Você colocou muita cola no seu trabalho. Não ficou tão bom como aquele que você fez ontem. Da próxima vez, use a cola com mais cuidado.” Neste exemplo, vemos alguns princípios fundamentais para a formação de um auto-conceito positivo:
Comentar objectivamente os factos, apontando apenas e tão somente o que a criança fez (“Você colocou muita cola”, “Você derrubou o copo”, “Você aleijou o seu amigo”, etc.)
Não julgar a criança a partir do seu comportamento. Não confundir a sua identidade (quem ela é) com o seu comportamento (o que ela faz). Não rotular a criança. Não dizer: “Você é…” (agitada, agressiva, etc.), mas preferir usar o verbo estar no lugar de é: “Você está…” (agitada, agressiva, etc.). Com isto demonstramos-lhe que o seu comportamento pode mudar, mas a sua identidade, o seu valor, quem ela é, permanecem constantes. Demonstramos, em última análise, que ela não é o seu comportamento. Da mesma forma, é melhor dizer: “O seu caderno está desorganizado” (e não “Você é desorganizada”). Ou “O que você fez deixou o seu amigo muito triste” (e não “Você é má”) “A sua mochila está suja” (E não Você é suja)
Não comparar a criança com outras crianças mas sim com ela mesma: “Ontem você fez uma letra bem melhor do que a de hoje” (e não “Olha como a letra de fulano é bonita. Por que você não faz uma letra como a dele?”). E também: “Hoje você não se comportou bem na festa batendo nas crianças menores” (E não “Por que
E que você sempre arranja confusão? Será que você não consegue ser normal como as outras crianças?”)
É muito comum encontrarmos crianças que são marginalizadas na escola. Aquelas que acabam sendo apontadas como culpadas por tudo o que acontece de errado, mesmo que não tenham culpa. Aquelas que, como se diz comummente, ficam com fama (de rebeldes, chatas, diferentes…).
Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).



