Sunday, March 4, 2007

COMO PODEMOS PROMOVER A AUTO-ESTIMA DAS CRIANÇAS (1a parte

Auto-estima é a capacidade de gostarmos de nós mesmos, de nos aprovarmos, aquela certeza de que somos capazes de realizar uma porção de coisas, de que somos realmente muito competentes em determinadas habilidades, e também a capacidade de termos uma auto-imagem positiva. A auto-estima inclui tanto a imagem que temos de nós (nossa auto-imagem) como a imagem que acreditamos que as outras pessoas têm de nós, aquilo que acreditamos que elas pensam a nosso respeito.

A nossa auto-estima vai sendo formada desde o momento em que nascemos. Todas as experiências que resultam em satisfação, conforto, alegria, vão compondo uma auto-estima positiva. Quando a mãe brinca com o bebé e este sorri, quando a mãe repete as palavras que o bebé pronuncia, numa espécie de jogo divertido, é como se ela lhe estivesse dizendo: “Você é muito especial e já consegue realizar coisas incríveis, que atraem a minha atenção a ponto de eu querer parar tudo o que estava a fazer para vir aqui brincar com você!”

As aprendizagens pelas quais uma criança tem de passar são inúmeras e difíceis. Já no primeiro ano de vida, ela precisa de aprender a reconhecer o rosto das pessoas que convivem com ela (e as vozes), aprender a comunicar de alguma maneira aquilo que sente (fome, dor, solidão…), aprender uma série de movimentos (segurar, gatinhar, andar, etc.). Ela precisará de apoio e estímulo para todas estas aprendizagens, precisará de adultos que a consolem (e que a ensinem a consolar-se sozinha futuramente) quando falhar ou se sentir insegura. Precisará de encorajamento, alguém cuja atitude expresse uma visão optimista a respeito de todas estas aprendizagens, alguém cujo comportamento a ajude a encarar a aprendizagem e o mundo como coisas divertidas, curiosas, excitantes. É preciso incentivar o prazer pela descoberta, o prazer em ser persistente e superar obstáculos.

É mais ou menos como imaginar que as crianças são os visitantes recém chegados a este mundo e que aos adultos cabe o papel de cicerones, protectores. Aos adultos caberá a tarefa de mostrar o máximo que puderem do mundo e possibilitar o maior número possível de experiências positivas às crianças. É o que vejo nos comportamentos daqueles pais amorosos que levam o filho ao parque e começam a apontar para tudo: “Olha lá o patinho! Olha que lindo o cachorrinho! Passa a mão no pelo dele, sinta como é macio! Agora vou-lhe dar um pouquinho deste suco para você experimentar que delícia. Olha lá o circo! Vamos lá? Vamos ver o palhaço? E amanhã, vamos nadar? E depois, vou comprar um pianinho para você.” É bem diferente daquele pai ou mãe que quando a criança diz: “Pai, vamos lá ver o patinho?”, o pai responde: “Não! O pato vai-te dar uma bicada…” Ou: “Mãe, vamos à rua?” e a mãe: “Não, há lá bandidos que roubam e matam crianças…” Cada pai/mãe apresenta uma determinada visão de mundo ao seu filho.

Neste processo, a atitude e os comentários dos pais e professores acerca dos sucessos e dos insucessos da criança são decisivos para a sua auto-estima, o seu auto-conceito. Como a criança que espalhou muita cola noseu trabalho escolar e que ouviu dos pais (ou do professor) o comentário: “Mas como é desastrado! Olha só que porcaria! Você não consegue fazer nada direito mesmo!” Esta criança terá um auto-conceito bem diferente daquela outra que, diante da mesma situação, ouviu algo como: “Você colocou muita cola no seu trabalho. Não ficou tão bom como aquele que você fez ontem. Da próxima vez, use a cola com mais cuidado.” Neste exemplo, vemos alguns princípios fundamentais para a formação de um auto-conceito positivo:

Comentar objectivamente os factos, apontando apenas e tão somente o que a criança fez (“Você colocou muita cola”, “Você derrubou o copo”, “Você aleijou o seu amigo”, etc.)

Não julgar a criança a partir do seu comportamento. Não confundir a sua identidade (quem ela é) com o seu comportamento (o que ela faz). Não rotular a criança. Não dizer: “Você é…” (agitada, agressiva, etc.), mas preferir usar o verbo estar no lugar de é: “Você está…” (agitada, agressiva, etc.). Com isto demonstramos-lhe que o seu comportamento pode mudar, mas a sua identidade, o seu valor, quem ela é, permanecem constantes. Demonstramos, em última análise, que ela não é o seu comportamento. Da mesma forma, é melhor dizer: “O seu caderno está desorganizado” (e não “Você é desorganizada”). Ou “O que você fez deixou o seu amigo muito triste” (e não “Você é má”) “A sua mochila está suja” (E não Você é suja)

Não comparar a criança com outras crianças mas sim com ela mesma: “Ontem você fez uma letra bem melhor do que a de hoje” (e não “Olha como a letra de fulano é bonita. Por que você não faz uma letra como a dele?”). E também: “Hoje você não se comportou bem na festa batendo nas crianças menores” (E não “Por que

E que você sempre arranja confusão? Será que você não consegue ser normal como as outras crianças?”)

Orientar a criança sobre o que ela pode fazer para conseguir um resultado melhor: “Se você usar menos cola, o trabalho ficará melhor”. Ajudá-la a descobrir novas e melhores maneiras de obter resultados positivos: “O que você poderia fazer na próxima vez para que isto não ocorresse mais?” “De que maneira você poderá comportar-se no futuro para que o seu amigo não fique magoado com você?” Ajudá-la a encontrar novas alternativas para o seu comportamento.

É muito comum encontrarmos crianças que são marginalizadas na escola. Aquelas que acabam sendo apontadas como culpadas por tudo o que acontece de errado, mesmo que não tenham culpa. Aquelas que, como se diz comummente, ficam com fama (de rebeldes, chatas, diferentes…).

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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COMO PROMOVER A AUTO-ESTIMA DAS CRIANÇAS (2a parte)

É muito comum encontrarmos crianças que são marginalizadas na escola. Aquelas que acabam sendo apontadas como culpadas por tudo o que acontece de errado, mesmo que não tenham culpa. Aquelas que, como se diz comumente, ficam com fama (de rebeldes, chatas, diferentes…).

É preciso pensar a respeito deste processo considerando-se o contexto mais amplo em que a escola está inserida. Porque isto que ocorre na escola nada mais é do que um processo de exclusão social. A nossa sociedade exclui o diferente. E o diferente tanto pode ser a criança com dificuldades de relacionamento interpessoal, ou com dificuldades de aprendizagem, a que usa óculos, ou aparelho nos dentes, ou aquela que é muito magra, ou muito gorda, etc. Às vezes a escola reflecte esta prática da exclusão, a escola reproduz aquilo que acontece na nossa sociedade.

Vivemos hoje a cultura da homogeneização. Todos têm de estar com o mesmo corte de cabelo, com a mesma roupa, com a mesma griffe, falar as mesmas gírias, frequentar os mesmos lugares, manter o corpo dentro de determinados padrões, etc. Não há lugar para aqueles que ousam ser originais (ou, na melhor das hipóteses, estes terão de se esforçar muito a fim de conseguirem o respeito e o afecto dos normais…). Os diferentes são excluídos, marginalizados, alijados do convívio com os normais, a menos que consigam ser trazidos à normalidade, que passem por algum processo (que tanto pode ser a educação recebida na escola, em casa, ou até mesmo alguns procedimentos ditos terapêuticos) que os transforme finalmente em normais.

Situações como esta são excelentes oportunidades para que a escola trabalhe a capacidade dos alunos de empatizar, isto é, de se colocar no lugar do outro e tentar ver o mundo como ele vê, tentar sentir o que ele sente. É uma óptima oportunidade também para se falar sobre valores como solidariedade, cidadania, democracia, direitos, igualdade. Todavia, às vezes até mesmo o professor, por vezes pressionado por prazos e objectivos a serem cumpridos, acaba excluindo o aluno diferente, aquele que não se encaixa, ou que não acompanha (o ritmo da maioria). Às vezes até por medo de que também ele, o professor, seja julgado diferente em relação aos demais professores da escola, aqueles que conseguem que toda a classe tenha o mesmo ritmo e o mesmo comportamento… (E o mesmo ocorrerá com a escola, temerosa de não estar dentro do padrão das demais escolas…)

Felizmente encontramos professores idealistas neste contexto, que se empenham completamente em recuperar a auto-estima abalada do aluno excluído e marginalizado, que são capazes de pensar: “E se fosse o meu filho?”. Aqueles que, como um professor que conheço, vão à casa do aluno que abandonou a escola a fim de trazê-lo de volta. Aqueles que buscam uma forma de valorizar o aluno, que procuram algo que ele saiba fazer bem a fim de valorizá-lo perante a classe e a escola. Aqueles que dão um voto de confiança e, mais do que isto, que são os primeiros a confiar no aluno e no seu potencial.(Lembro-me de um professor que deu a um destes alunos a chave de seu próprio carro e pediu que ele que fosse lá buscar um livro. Este episódio foi decisivo na vida deste aluno, que a partir daí começou a comportar-se de outra forma). Estes estão absolutamente comprometidos com a missão de educar. Arriscam-se pelo seu ideal de ensinar, de transformar. Mostram ao aluno que serão mais persistentes do que ele na luta por recuperar a sua auto-estima. Mostram que não desistirão do aluno, ainda que ele teste continuamente a determinação do professor. Pois quando o aluno não acredita mais em si, é-lhe difícil acreditar que alguém mais possa fazê-lo. Normalmente os alunos com pouca ou nenhuma auto-estima sofrem de depressão, desesperança e desconfiança em relação ao mundo e aos adultos, vistos como potencialmente perigosos e causadores de sofrimentos. Desnecessário dizer que tais professores são verdadeiros heróis nos dias de hoje, principalmente se considerarmos a difícil realidade da escola pública.

Todavia, não podemos delegar apenas à escola a imensa tarefa de educar a criança. Por vezes, pouco o professor poderá fazer porque os problemas de auto-estima do aluno originam-se em casa, na família, no relacionamento com os pais, no meio social em que o aluno vive. Muitas vezes será necessária uma ajuda especializada (de um psicólogo, por exemplo), a fim de que a criança seja considerada não como a responsável, culpada, pelos seus problemas, mas como um produto do seu meio familiar, social, escolar, etc. É tarefa do psicólogo considerar a criança dentro deste contexto mais amplo a fim de que todos possam evoluir juntos (não é só a criança quem mudará, mas também a família, os parentes que com ela convivem, a escola, etc.).

Aos pais cabe a maior parte no processo de educar a criança. A tarefa de educar um filho é imensa, dura pelo menos 20 anos. Filho não é algo que se possa devolver como se fosse um artigo e dizer: “Mudei de ideia, não quero mais”. Ou “Não gostei do modelo”. O projecto de ter um filho não tem volta.

Agora, não basta criar e conviver, prover necessidades físicas e intelectuais, etc. É preciso abraçar a causa, comprar a briga do filho. Defendê-lo até o fim, não desistir de encontrar algo de valor nele e de fazê-lo acreditar em si mesmo. Custe o que custar.

Neste aspecto, é muito bom quando encontramos pais que patrocinam e incentivam a descoberta dos dons e talentos de seus filhos. Aqueles pais que apoiam a iniciativa do filho de se matricular num curso de artes (ou de música), que apoiam os projectos dos filhos mesmo quando naufragam ou resolvem mudar de rumo… Aqueles pais que não só apoiam estas actividades, assim como eles próprios acabam participando delas, a fim de estarem junto do filho, incentivando-o, torcendo por ele. Exemplo: o pai que vai assistir e torcer pelo filho no jogo de futebol; a mãe que vai com o filho participar do grupo de escoteiros e que aceita assumir uma função no grupo para estar junto do filho; o pai e a mãe que confeccionam faixas e cartazes para torcer pelo filho que participará de uma competição, etc. É como dizia aquela propaganda: “Não basta ser pai. Tem que participar!” Não há nada no mundo que possa substituir este tipo de carinho dos pais. Não adianta tentar substituí-lo por um novo jogo de vídeo, roupas, presentes, viagens, etc.

Certa vez li um texto que se intitulava: “Com quantos beijinhos se constrói a auto-estima de uma criança?” A resposta não pode ser exacta. Apenas se pode dizer que com muitos: muitos beijos, carinhos, pequenos agrados que demonstrem “Você é alguém especial, você tem muito valor”. É como a figura do treinador correndo junto com o atleta, incentivando-o, orientando-o, até o final do treino. E no dia seguinte também. E principalmente, no momento em que o atleta sofrer uma derrota… Como diz Daniel Goleman, no seu livro Inteligência Emocional, os pais são os treinadores emocionais dos seus filhos.

É por este motivo que recomendamos aos pais para que cuidem inclusive da aparência do filho: de seus hábitos de higiene, das suas roupas e calçados. É muito importante ajudar a criança a ter uma imagem positiva de si mesma, a se achar atraente, a gostar de seu próprio reflexo no espelho (ou nos álbuns de fotografia, fundamentais na construção da identidade da criança), a ter uma imagem que atraia os demais, que provoque uma reacção positiva nas demais pessoas (e não uma aparência descuidada, que cause repugnância e afaste as pessoas). É como aquela história do pacote de presente. Um pacote bem feito valoriza aquilo que está dentro. Reflicta: se em cima de uma mesa estivessem dois pacotes, um bem bonito, com fitas, etc., e outro embrulhado num jornal todo amassado, qual deles você escolheria? Podemos até admitir que dentro do jornal estivesse um diamante e dentro do pacote bonito, algo sem valor, mas quem arriscaria? É óbvio que não estamos aqui defendendo o consumismo de marcas, griffes, etc. Apenas lembramos que ensinar uma criança a andar limpa, com roupas e sapatos bem cuidados (ainda que sejam humildes), vai ajudá-la a construir uma auto-imagem positiva e a ser bem recebida pelas pessoas. Provavelmente, é por este motivo que aquele personagem de histórias em quadradinhos, o Cascão, traga em volta de si uma nuvenzinha negra… Que tal ajudarmos as nossas crianças na construção de uma nuvem positiva em torno de si?

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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MUDANÇA DE PARADIGMAS

Certa vez um executivo resolveu pescar no final de semana. Como bom executivo, ele fez um planeamento detalhado, comprou a melhor cana de pesca, o melhor anzol, o melhor isco, o melhor carro para transportar o equipamento e escolheu no mapa o melhor rio, onde havia o melhor peixe.

Chegando no local, ele instalou-se no melhor lugar, às margens do rio, lançou sua isca no rio e esperou. Uma hora, duas horas, três horas e nada! Ele não conseguiu pescar nenhum peixe.

Eis que chega um pescador descalço, chapéu na cabeça, cigarro de palha na boca e uma varinha de bambu sobre o ombro. Ele senta-se, lança a sua cana no rio e pesca logo um peixe enorme. Retira o peixe da água, olha para ele, e devolve-o ao rio. O executivo fica intrigado com aquilo.

Pouco depois, ele pesca outro peixe enorme. Mais uma vez, ele devolve-o ao rio. O executivo começa a ficar irritado.

Finalmente, pesca o terceiro peixe, novamente um peixe enorme, e devolve-o ao rio. O executivo não aguentou e achou que aquilo era provocação. Levantou-se e foi até ele tomar satisfações.

Escuta aqui, faz três horas que eu estou aqui, com a melhor cana, o melhor anzol, o melhor isco, e não consigo pescar nada. O senhor chega, pesca três peixes enormes, um depois do outro, e devolve-os ao rio. O senhor deve estar a querer provocar-me, não é mesmo?

Não senhor! Não me leve a mal, por favor. É que lá em casa eu só tenho formas pequenas para assar o peixe. De que me adianta levar para casa aqueles peixes enormes se eles não vão caber nas minhas formas?

Esta metáfora fala-nos sobre mudança de paradigmas. Paradigmas são as “formas” nas quais vamos encaixando o mundo, a realidade, as nossas experiências, as nossas percepções.

Assim como na história, às vezes será necessário ampliar ou modificar nossas formas a fim de que elas possam conter novos elementos, os “peixes grandes” (ou diferentes) que a vida nos manda.

É o que acontece, por exemplo, com esta época em que estamos vivendo, de intensa evolução tecnológica. Tal evolução traz consigo muitos “peixes grandes” que certamente não caberão nas nossas formas. Exemplo: softwares novos (programas de computador) que não funcionarão em computadores mais antigos, filmes em DVD (cujas imagens são digitalizadas), que não poderão ser vistos nos vídeo-cassetes tradicionais, etc. É claro que o que estamos enfatizando aqui é a necessidade de nos adequarmos a esta tecnologia a fim de podermos adquirir as informações que ela disponibiliza (e não a fim de sermos considerados “modernos”, “na moda”, etc. – não é o status, ou o poder que confere a quem a possui, que estamos ressaltando aqui).

Mas podemos pensar também nas formas que usamos nas nossas vidas, para solucionarmos problemas, para atingirmos objectivos. Também nas nossas crenças, nos nossos valores, aquelas coisas que norteiam as nossas vidas, que motivam as nossas acções (Exemplo: trabalhar doze horas por dia para comprar um carro novo; treinar três horas todos os dias num ginásio para ficar com os músculos definidos).

É como a história da Cinderela, em que ela perde o sapatinho de cristal ao sair a correr do baile à meia-noite, quando o encanto da fada se quebraria. No dia seguinte, o príncipe manda um mensageiro experimentar o sapatinho em todas as moças do reino, a fim de descobrir a quem eles pertenciam. Segundo uma versão desta história, muitas moças, na ânsia de calçar o sapatinho perfeitamente, e assim se tornarem a futura esposa do príncipe, cortaram um pedaço do próprio calcanhar… Não é exactamente a mesma coisa que acontece hoje em dia, em que a maioria das pessoas tenta desesperadamente “caber” nas formas que nossa sociedade valoriza (manequim 38/40 para as mulheres, roupas de griffe, aparelhos importados e tantos outros símbolos de poder para homens e mulheres…)? Aquelas pessoas que se submetem a sacrifícios terríveis para poderem caber em tais formas (exemplo: cirurgias estéticas, dietas drásticas para redução do peso, sacrifícios para ter os objectos que os mídia divulgam, etc.)? Não estaria, pelo menos a grande maioria destas pessoas, tentando “caber” dentro do sapatinho de cristal, aquele que promete que seremos “felizes para sempre”? Como se não pudéssemos ser felizes com os pés que temos? (E àquelas pessoas a quem falta o “recheio” para caber no sapatinho, prótese de silicone nelas… Felizmente há excepções - poucas, é verdade. Aquelas pessoas que se submetem a este tipo de cirurgia não para “caber” no sapatinho de cristal, mas sim para calçar melhor o próprio sapato…).

Esta é a própria semente do capitalismo, a “forma” que ele sugere: diminuir, desvalorizar, oprimir, excluir as pessoas que não se encaixam (nas suas formas, nos padrões vigentes). E vemos então muitas pessoas jogando o jogo do “eu tenho, você não tem”, ou “O meu é melhor (maior, mais caro, mais ‘hi-tech’, etc.) que o seu”… Até mesmo o conhecimento, que via de regra deveria servir para nos abrir os olhos para tudo isso, é usado como instrumento de poder e dominação: “Eu tenho mais conhecimentos (ou melhor nota na faculdade, ou melhor Curriculum Vitae, etc.) que você!”

Também as palavras constituem formas em que vamos encaixando a realidade. Aquelas palavras que todos usamos, que acabam criando consensos em torno de alguns temas. Exemplo: hoje em dia discute-se muito a palavra cidadania, e isso está ajudando o país, como um todo, a ultrapassar aquela fase anterior, da Lei de Gérson: “O negócio é levar vantagem em tudo, certo?” As palavras vão condicionando em nós uma determinada visão de mundo.

Imagine que as palavras são como pastas dentro de um imenso arquivo. Tudo aquilo que nos acontece, vamos classificando, vamos arquivando dentro destas pastas. Assim, existe um certo consenso na nossa sociedade sobre as coisas que são belas, justas, injustas, agradáveis, elegantes, etc., de forma que quando algo lhe acontece, você já sabe em que pasta deverá arquivar aquela experiência: “Isso que me aconteceu é uma injustiça” – e você vai arquivar a experiência na pasta da injustiça. “Isso é bonito” – e você colocará o rótulo ou etiqueta de “bonito” naquilo que estiver observando, etc. Você aprendeu a fazê-lo com as pessoas com quem convive, ou na TV, nos jornais, na escola, na igreja, etc.

A maioria das pessoas tenta ansiosamente arquivar o maior número possível de experiências nas pastas do “belo”, “moderno”, “bem-sucedido”, “elegante”, “lucrativo” - como se estas fossem as únicas coisas que realmente importassem na vida. Às vezes tentam converter toda e qualquer experiência em algo que possa ser arquivado nas tais pastas (exemplo: a morte de um parente, uma doença, ou outro evento doloroso ou fatalidade, acaba se transformando em estratégia para aparecer nos mídia - tal como tem acontecido com artistas famosos…)

A Programação Neurolinguística surge neste contexto como uma maneira de ampliarmos e actualizarmos as nossas formas, de revermos o conteúdo das nossas pastas, de verificarmos se determinadas experiências não seriam melhor arquivadas noutras pastas – ou talvez até fosse necessário criar novas pastas, ou ainda, rever os critérios de importância segundo os quais as organizamos, as hierarquizamos. Isso faz-se através de algumas intervenções que ela possibilita quer nas palavras usadas (daí o nome: Programação Neurolinguística), que expressam o modelo de mundo que uma pessoa possui, quer em alguns esquemas ou estratégias (programas) que esta pessoa usa rotineiramente na sua vida, sequências de comportamentos usados para atingir determinados objectivos e que, com a prática, tornam-se inconscientes (exemplo: você não precisa pensar na sequência de factos que se sucedem no acto de escovar os dentes: você faz isso automaticamente, inconscientemente. Da mesma forma, você usa sequências inconscientes, programas, para ficar alegre, deprimido, motivado, etc.). É como se a PNL nos fornecesse novos óculos através dos quais passaríamos a olhar o mundo, só que de uma maneira ampliada – óculos com super poderes, que nos permitem ver as coisas a três dimensões.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

Posted by Fernando Fraga at 21:41:53 | Permalink | No Comments »

BARREIRAS INTERNAS

“Que os nossos esforços desafiem as impossibilidades.

Lembrai-vos de que as grandes proezas da história

foram conquistas do que parecia impossível”

Charles Chaplin

Você sabe como se ensina um elefante a não fugir do circo? (Não, esta não é mais uma daquelas piadas…) É simples. Quando ele ainda é pequeno, ele é amarrado à uma pequena árvore, usando-se para isso uma corda. Como o elefante é pequeno, ele não consegue soltar-se, e então ele aprende que a árvore é mais forte que ele. Daí por diante, sempre que amarrado à uma árvore, ele reagirá desta maneira (ele generalizará esta aprendizagem pela vida fora).

E então o elefante cresce, fica enorme, muito forte. Todavia, sempre que amarrado à uma árvore, ele se comportará da mesma forma que quando pequeno: ele “pensará” que ela é mais forte que ele. E ficará lá, apesar da sua força ser mais do que suficiente para arrancar aquela árvore.

Agora pense: o que isso tudo tem a ver connosco? Será que esta história se aplica à sua vida? Será que você, assim como o elefante, na sua infância aprendeu, internalizou, inúmeras barreiras, limites, inúmeros “não posso”, ou “não sou capaz” e continua reagindo a eles sem questioná-los, sem actualizá-los? Será que você está amarrado a inúmeras “arvorezinhas” na sua vida? Será que você cresceu e ainda não se deu conta de que hoje você é muito mais forte (competente, experiente, sábio, livre, etc.)? Será que muitas crenças que você possui hoje, especialmente aquelas relacionadas a “Não posso…”, “Não devo…”, “Não consigo…”, não passam de aprendizagens ocorridas na infância e que você generalizou pela vida fora? Você ainda tem medo de misturar manga com leite? Você ainda conserva e respeita medos e limites infundados? (E vocês, pais, será que não tem os seus filhos “amarrados” a “árvores” demais, desnecessárias?) Você consegue identificar onde estão seus limites internos?

Não é tão difícil começarmos a identificar nossos limites internos. Por exemplo, alguém lhe pergunta: “Você já andou na Montanha Russa?” E você responde: “Não, tenho medo desse tipo de brinquedo”. (Olha o limite interno aí! Eu, se estivesse perto de você nesta hora, lhe perguntaria: “Mas você já experimentou pelo menos uma vez?” “E se você descobrir que é uma delícia?”) Outro exemplo: “Você já comeu carne de capivara?” E aí você talvez respondesse: “Não, tenho nojo!” (“Mas você já provou?”) Ou então, o pneu de carro furou e eu encontro você vindo para casa a pé. E eu lhe pergunto: “Mas por que você não trocou o pneu?” E você responde: “Obviamente porque eu não sei trocá-lo!” Daí eu lhe diria: “E você não pensou em pedir a alguém?” E você: “Ah! Eu não costumo pedir favores a estranhos!” (Olha outro limite aqui…)

Uma boa maneira de começarmos a questionar nossos limites internos é sempre que nos ouvirmos dizendo (ou pensando) “Não posso”, “Não consigo”, etc., repetirmos para nós mesmos a pergunta: “O que me impede?”

Muitas vezes, convivemos há tanto tempo com nossos limites que acabamos cegos para eles. Nestas situações (como em muitas…), outras pessoas poderão nos ajudar questionando aquilo que para elas é um absurdo e para nós é algo rotineiro, habitual. É por este motivo (também) que a convivência com outras pessoas é tão importante para nosso crescimento pessoal. Muitas vezes “quem está de fora, vê melhor”… É como experimentar roupas numa loja: quando um amigo está conosco, poderá ver defeitos na roupa que nós provavelmente não perceberíamos. Precisamos dos olhos, ouvidos, comentários e opiniões das outras pessoas assim como precisamos dos nossos próprios. Não fosse assim, como o cirurgião gástrico operaria o próprio estômago? Quem estaria no confessionário para ouvir a confissão do padre? Como o dentista obturaria o próprio dente? Precisamos uns dos outros.

 

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

 

 

Posted by Fernando Fraga at 15:39:23 | Permalink | No Comments »