Thursday, March 8, 2007

AGENDA ACULTA

Uma agenda oculta contém coisas que você sente e pensa em relação a uma pessoa mas não lhe diz, por vários motivos: ou para não perder a simpatia dela (e para que ela continue tendo uma boa imagem sua, e O continue apoiando), ou para não lhe dar a chance de rebater uma acusação sua, para ter um trunfo nas mãos contra ela, uma razão que diga que você está certo em não gostar dela (apesar de você nunca lhe dizer isso e nunca lhe dar a oportunidade de se modificar naquele aspecto). Contém também intenções secretas que podem existir nos seus comportamentos.

Entre marido e mulher, é muito comum que, ao longo dos anos, um deles (ou ambos) tenha uma agenda oculta, constituída de mágoas, sentimentos negativos que jamais são revelados, mas através dos quais travam-se batalhas silenciosas, inconscientes.

As agendas ocultas afastam as pessoas, porque geram insegurança naquele que percebe que o outro não está totalmente no relacionamento, está como que “com um pé atrás”.

Apesar do conteúdo de uma agenda oculta não ser revelado, ele é pressentido, “intuído”, através da observação da comunicação não verbal do outro: o seu tom de voz, o seu olhar, os seus gestos, a sua expressão, etc. Esta comunicação não verbal provém do inconsciente de quem fala (de quem possui a agenda oculta) e é percebida e interpretada pelo inconsciente de quem a recebe. Quem a recebe sente insegurança, angústia, rejeição, medo ou ansiedade, mas não sabe explicar por quê, ou apenas tem uma vaga percepção de que o outro está experimentando algo que não está sendo expresso verbalmente.

É quando alguém pergunta: “O que é que você tem?”, e ouve: “Eu não tenho nada, estou óptimo”, dito num tom de voz ríspido. Ou : “O que eu lhe fiz para que me tratasse de forma tão agressiva?”, e o outro diz: “Mas eu não fui agressivo…”, com uma expressão furiosa.

Por medo, o outro é obrigado a proteger-se e a afastar-se também. O relacionamento perde a espontaneidade, como se as pessoas estivessem sempre em guarda, envolvidas nele apenas pela metade.

Uma pessoa com uma agenda oculta suga muita energia da outra, que passa a devotar-lhe maior atenção tentando saber o que se passa na cabeça dela. Além de consumir a sua energia, faz com que o relacionamento se deteriore.

Como o marido que chegou em casa e encontrou a esposa com uma expressão angustiada. Na verdade, a esposa está-se sentindo só, e talvez gostasse que o marido a convidasse para um passeio, mas não lhe diz isso justamente para que o marido fique perguntando-lhe ansiosamente sobre o que está acontecendo. Ela sente-se bem com a preocupação do marido e com a atenção que ele lhe dispensa (a energia que ele lhe dirige). Já o marido, acaba por ficar desanimado, com pensamentos derrotistas, ou então fica sentindo-se  culpado pelo estado da esposa .

Ou então aquela pessoa que não esquece um incidente desagradável do passado, que guarda a mágoa como trunfo contra o outro. Ela não diz nada a respeito, mas a sua expressão revela a mágoa. Isso pode gerar sentimentos de culpa no outro, que acaba sentindo necessidade constante de reparar o mal cometido, como se fosse uma dívida eterna.

O que se nota num relacionamentos deste tipo é que não existe troca, envolvimento. Um está querendo só receber, e à força, arrancando do outro o que quer, e não querendo dar-lhe nada em retribuição.

É uma batalha inconsciente, em que quem perde a batalha perde também a energia investida por ambos, como num jogo.

Há muitas batalhas que são travadas inconscientemente, ou pelo menos, de forma subliminar, de forma velada.

Paulo começou o seu novo emprego há uma semana. Trabalha na mesma sala que Mário, que o trata com educação, mas nota que algo não está bem neste relacionamento. Paulo tem a impressão de que na verdade Mário não gosta muito dele. Percebe isso pelo seu tom de voz, pelo seu olhar. Paulo esteve comparando estes sinais que Mário apresenta quando está com ele, com os sinais que observa quando Mário se relaciona com outras pessoas. São muito diferentes. Paulo começa a perceber até uma certa hostilidade, uma competição. Entra no jogo e começa a tratar Mário como rival. Ele não diz e não demonstra isto abertamente, mas de forma indirecta. Continua tratando Mário com aparente respeito e educação, mas no fundo ambos sabem que estão numa batalha. Há dias em que Paulo chega em casa esgotado, sem energia para fazer nada, com vontade de largar tudo e sumir. Ele não sabe, mas Mário sente as mesmas coisas.

Um outro exemplo: Sandra conhece Lúcia há alguns anos. Sandra é muito observadora e perspicaz e está sempre procurando as falhas e dificuldades das outras pessoas, como forma de ter poder sobre elas, de controlá-las. E em relação a Lúcia, percebeu que ela é insegura, tem necessidade de agradar as pessoas, não tem uma boa auto-imagem. Sandra usa isso que percebeu tratando Lúcia com indiferença, pois sabe que este é um comportamento que ela não é capaz de tolerar. Sempre que Lúcia a encontra, imediatamente começa a sentir-se insegura, desagradável, e esforça-se para se comportar da forma que imagina que iria agradar a Sandra, que se mantém distante. E quanto mais ela se distancia, mais Lúcia se esforça para conquistá-la. Quando se despedem, Sandra  sente-se “superior”. Já Lúcia, está deprimida e esgotada.

Nestes dois exemplos, observamos como as pessoas acabam entrando nestas disputas, nestes jogos. Reflicta: além da energia que é sugada do derrotado, o que mais se ganha?

Penso que no fundo esta necessidade de vencer e dominar sirva apenas e tão somente para diminuir a própria insegurança e impotência. Porque quando vence outro, o indivíduo se sente forte (energizado) e nega a sua própria fraqueza.

Note que sempre que você trava uma batalha com alguém na sua cabeça, a outra pessoa pode perceber e entrar nela também. Porque existe uma comunicação inconsciente entre as pessoas, que é mediada pelos sinais não verbais (gestos, expressão, etc.).

Perceba como isto acontece no trânsito. Um motorista começa a tratar outro como se este fosse muito mau ao volante, ou como se estivesse, por exemplo, andando devagar, ou em contra-mão, ou tentando ultrapassá-lo de propósito, só para irritá-lo, atrapalhá-lo. O outro motorista percebe e entra no jogo, sentindo raiva também, como quem diz: “Quem ele pensa que é? ” O resultado pode ser desastroso para ambos. O que ambos querem é impor ao outro: “Eu sou bom, eu estou certo, você não” e também “Saia do meu caminho, não me atrapalhe”.

Dentre as estratégias para lidar com situações como esta, você pode adoptar a de não entrar no jogo.

Para perceber este tipo de jogo, observe como se sente. Quando perceber que está se sentindo sugado, cansado, “lutando”, que não se sente bem consigo mesmo, mude o seu comportamento. Pare o que estava fazendo e mantenha-se tranquilo, recusando-se a tomar parte na disputa, na batalha, direccionando a sua mente para outros estados internos, para outros sentimentos.

Melhor seria se todos nós aprendêssemos a relacionar-nos com as pessoas de forma integral, transparente, com base naquilo que o outro realmente é, de forma que houvesse troca (de afecto, experiências, energia, etc.) e enriquecimento para ambos, ao invés de disputas em que se tenta extrair à força o que se deseja, ou nas quais se procura aniquilar o outro.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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CURAS RÁPIDAS

Algumas pessoas quando adoecem procuram soluções imediatas para o alívio dos sintomas, recorrendo às vezes a recursos “mágicos”, destes que prometem resultados rápidos com um mínimo esforço.

Também na área da psicoterapia existem técnicas que “curam” pessoas rapidamente, até mesmo quando elas não querem. Por exemplo, um dependente de drogas é internado numa clínica, a pedido da família, onde lhe são administradas técnicas para que tenha aversão às drogas. Só que ele não escolheu isso. Ele tem razões e motivos para estar usando drogas, os quais precisam ser considerados e trabalhados.

Há também os terapeutas que fazem uma espécie de “mágica” e convencem o paciente de que está curado (o que às vezes até acaba acontecendo, porque o paciente acreditou).

Ou então são usadas técnicas com a criança que não quer comer, não quer estudar, etc., de forma mecânica e manipuladora, desconsiderando-se o motivo pelo qual a criança tem aquele comportamento.

Penso que é um desrespeito ao paciente quando ele é “curado” contra a sua vontade. Inúmeras vezes, a doença pode ser a única forma que ele conhece para receber carinho das pessoas. Logo, se ele sara, vai ficar sem carinho, o que seria terrível. Então é necessário que isto seja trabalhado antes do seu sintoma ser curado, ou seja, ele precisa de aprender novas formas de conseguir carinho, porque esse é seu real problema. O sintoma é apenas a parte aparente do problema, tal como a ponta do iceberg.

Não se pode encarar o sintoma do paciente como um “defeito” a ser corrigido, atendendo-o de forma superficial, sem se envolver de facto com ele e com o seu problema. O paciente não é um coração ou um fígado (ou uma fobia, uma depressão). Ele é uma PESSOA.

Felizmente, inúmeros profissionais da área da saúde estão acordando para este facto e procuram maneiras de ajudar o paciente como um todo, considerando não apenas o sintoma mas os sentimentos do paciente, o seu momento actual, a sua vida. Muitas vezes, o que realmente cura um paciente é a atenção e o interesse que o profissional que o atende lhe dedica.

A maioria de nós provavelmente quer um alívio imediato de sintomas, não se importando ou “não tendo muito tempo e paciência” para descobrir as suas causas e significados. Isto porque em geral há sofrimento e angústia envolvidos. Acreditamos que se o sintoma for curado, a angústia desaparecerá, o que na maioria das vezes não acontece.

Todavia, não se pode desconsiderar que TODO O SINTOMA CONTÉM UMA MENSAGEM, que parte do inconsciente do indivíduo e que, se for ouvida, trará progresso para a sua vida, para os seus relacionamentos, para a maneira como em geral ele se sente.

Algumas teorias apontam que todas as doenças têm uma causa que se inscreve na própria história de vida do indivíduo, na sua evolução, dificuldades, emoções.

Às vezes, pode-se remover um sintoma, e a pessoa ficar totalmente curada. Mas como a mensagem que aquele sintoma trazia não foi ouvida, ele acaba voltando, talvez até de uma outra forma, num outro tipo de doença.

É como um sapato apertado que faz os seus pés doerem. Neste caso, qual a mensagem que a dor traz? Você tomaria um analgésico para que os seus pés parassem de doer ou tiraria os sapatos? Pois é, só que muitas pessoas continuam procurando analgésicos e remédios para “dores do corpo e da alma”, ao invés de procurarem a mensagem que estas trazem.

Portanto, se você tem um sintoma para o qual ainda não conseguiu alívio, considere que o seu inconsciente está fazendo de tudo para que você perceba algo que precisa modificar na sua vida. Algo que poderá fazer com que você cresça como pessoa.

A Programação Neurolinguística possui inúmeros procedimentos que se destinam a curas rápidas, porém esclarece que tais curas só poderão ser realizadas depois que todas as outras questões foram consideradas e trabalhadas, nunca antes disso. Não existe mágica. Sem dúvida que se procura utilizar o menor tempo possível, agindo-se de forma mais objectiva e específica possível , porém não mais do que o possível .

É como quando você assiste um jogo do seu clube favorito. O momento do golo é mágico, porém é resultado de toda uma jogada, de uma estratégia, além de ser fruto de muitos treinos anteriores.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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AS CRIANÇAS E O “NÃO”

Muita confusão foi criada na cabeça dos pais por especialistas que advogavam a favor de não reprimir a criança, de não lhe dizer NÃO. Alguns chegaram a afirmar que o NÃO seria causa de sérios transtornos de personalidade, verdadeiros “traumas”.

Foram feitos até cálculos de quanto NÃOS a criança escuta nos seus primeiros anos de vida.

Os pais começaram a achar que tudo o que eles faziam estava errado, e que deveriam aprender a criar os seus filhos com os especialistas. Estes pais compraram livros, frequentaram cursos e palestras e tornaram-se pais inseguros, desses que precisam de ler no livro antes de responder algo para o filho.

E então a avó vinha visitar o neto e achava um absurdo não permitirem que ela lhe desse um pouco de sua sopa de feijão, pois os livros diziam que não era saudável para a criança. Indignada, ela lembrava-se de que criara doze filhos com aquela sopa, todos saudáveis. Entristecida, a avó constatava que o seu saber não tinha mais valor algum, uma vez que ela não era uma especialista que estudou nos livros, nas universidades. Ela mesma já não tinha muita certeza se havia procedido de forma correcta ao criar os seus doze filhos…

Gostaríamos de tranquilizar os pais que porventura ainda estejam sob o efeito dessa “corrente contra o não” dizendo-lhes que todo o comportamento é adequado num determinado contexto, e no caso do NÃO , não é diferente.

O uso do NÃO muitas vezes está relacionado à necessidade de colocar limites ao comportamento da criança. Noutras palavras, se você não disser NÃO ao seu filho com medo de traumatizá-lo, o mundo se encarregará disso, mais cedo ou mais tarde. Se você não disser ao seu filho para NÃO agredir as pessoas, ele ouvirá esse NÃO mais tarde de outras formas: sendo excluído de grupos de amigos, envolvendo-se em brigas e confusões, etc.

Há um livro de uma famosa psicanalista em que ela relata como deixou o seu filho queimar-se na chapa do fogão, estando ela a seu lado, tudo para não lhe dizer NÃO, para deixar que ele tivesse as suas próprias experiências, etc. Sinceramente, creio que é desnecessária e irresponsável esta conduta por parte de uma mãe.

Reflicta: você deixaria o seu filho agarrado à tomada para que ele aprendesse que as tomadas dão choques? Estamos na era da informação e podemos poupar tempo e todo esse transtorno. É para isso que serve a transmissão de conhecimentos de uma geração para outra. Há que se ter BOM-SENSO.

Agora, imagine uma mãe ao lado da filha que hoje, pela primeira vez na sua vida, resolveu pregar um botão. A mãe fica ansiosa, pois a menina ainda não tem muita habilidade. A mãe sim, é exímia costureira. Incomoda à mãe, que é assim tão prendada, ver um trabalho mal feito. Então ela começa: “NÃO é assim, está horrível, deixe que eu faço”. E depois de pronto o trabalho: “Veja como ficou bem melhor. Aprenda. É assim que se faz.” A filha diz: “Não sei o que seria de mim sem você, mãe!” O que a filha aprendeu? Que a mãe é muito melhor que ela e também que será difícil (senão impossível) ser como ela?

Alguns pais precisam de aprender a controlar a sua ansiedade nestas horas. Porque há muita coisa que ele sabem muito bem, e que os filhos mal começaram a aprender. Alguns pais têm pressa e acabam atropelando as tentativas dos filhos. Ou então acham que o filho demora muito para aprender as coisas que lhes ensinam. Mas a questão é: Quanto é muito? E eles talvez respondessem: “Todos os outros filhos demoraram só X dias para aprender”, ou : “O filho da vizinha tem a mesma idade e aprendeu em X-1 dias!” Então aí está o problema: a normatização, a tentativa de enquadramento e classificação.

Quando os pais acham que o filho DEVERIA algo (DEVERIA aprender mais rápido, DEVERIA ter muitos amigos, DEVERIA ter boas notas na escola), estão dizendo mais ou menos o seguinte: “Ó meu filho, não gostamos de como você é. Se nós conseguirmos fazer com que você seja diferente, então poderemos amá-lo”. Ou então: “Todos da sua idade são X, como você ousa ser diferente sendo Y? Seja igual a todo o mundo!”

Admiro profundamente aqueles pais que conseguem conviver com as diferenças dos seus filhos, respeitando-os e amando-os incondicionalmente por aquilo que eles são, sem o desejo de modificá-los e torná-los iguais a eles próprios, aos outros filhos, ao filho da vizinha, às pessoas da idade dele, etc..

Às vezes encontramos professores muito preocupados com esta questão da uniformidade. Parece-me que alguns deles têm codificado na sua mente um padrão de qualidade, com características milimetricamente definidas, a partir do qual avaliam os alunos. O professor quer que TODOS sejam quietos, que TODOS falem baixo, que TODOS terminem a lição ao mesmo tempo, etc. Conheci uma classe em que todos os alunos tinham até a mesma letra que a professora. Certamente o professor tem os seus motivos. Mas não seria melhor centrar o objectivo no aluno?

O aluno não DEVERIA ser quieto, mas DEVERIA SER ELE MESMO, descobrindo as suas capacidades, dons, talentos. O aluno não DEVERIA ser igual à maioria, ou igual ao “padrão de qualidade” adoptado, ou igual ao próprio professor (o que é comum: o professor desejar que o aluno seja o seu espelho), mas sim DEVERIA ter espaço para descobrir o mundo, para descobrir-se a si próprio, para definir qual será o seu papel e participação no mundo e ser “sujeito da própria história” (emprestando aqui uma expressão de Paulo Freire). Só assim poderemos formar cidadãos criativos, que ao invés de se amoldarem às situações, de se acomodarem passivamente, promovam transformações, mudanças, progresso e desenvolvimento.

Desta forma, engana-se o professor que acha que cumpriu o seu papel quando tem uma classe de alunos comportados, que jamais conversam durante a aula, que não saem da carteira, etc. Hoje podemos, graças à liberdade trazida pelos novos tempos e às novas descobertas, afirmar seguramente que uma classe que se comporta assim durante todo o tempo só pode ser constituída de autómatos. O que o professor conseguiu foi apenas uniformizar o comportamento de uma classe e torná-lo igual ao padrão que um dia lhe disseram que era adequado.

Mas adequado a quem? Ao aluno? Ao Professor? Ao país? E adequado do ponto de vista de quem? Sem dúvida, a um regime militar, ou à uma economia centrada no trabalho mecânico, repetitivo, a uniformidade é bastante conveniente, a maioria sendo treinada a receber ordens e uns poucos a pensar criativamente em alternativas. Já não é essa a realidade do país e os novos tempos requerem mudanças.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

Posted by Fernando Fraga at 17:11:06 | Permalink | No Comments »

META-PROGRAMAS

Você possui inúmeros programas, específicos para cada comportamento: programas que lhe permitem andar, ler, operar uma máquina, etc. E possui também os meta-programas, que organizam os programas e lhes dão direcção.

Hoje analisaremos dois meta-programas (existem vários).

Responda: se você tivesse que correr 20 Km, você preferiria correr porque iria receber um prémio milionário ou porque atrás de você estaria um cão enorme e muito bravo?

Ir em direcção ao positivo (o prémio milionário) ou fugir do negativo (o cão bravo) são dois importantes meta-programas, que dirigem muitos dos nossos comportamentos. Cada um é adequado a determinados contextos.

Por exemplo, você coloca o seu carro no seguro fugindo do negativo (roubos, acidentes). Você vai ao cinema procurando o positivo (distrair-se, ver seu actor preferido). E você compra um número de uma rifa para que parem de insistir e de importuná-lo (fugindo do negativo) ou na esperança de ganhar o prémio (indo para o positivo).

Também um aluno pode estudar a fim de não ser reprovado (fugindo do negativo) ou para adquirir conhecimentos (indo em direcção ao positivo).

Na verdade, na maioria das situações, é possível tanto dirigir-se ao positivo quanto se afastar do negativo. É você quem escolhe o que focalizar.

Se você resolve ir a uma festa, poderá fazê-lo para se divertir (positivo) ou para não ficar em casa vendo programas monótonos na TV (negativo).

Há pessoas que estão sempre fugindo do negativo, em todas as situações. Estão sempre “lutando” contra algo.

Se resolvem fazer uma limpeza em casa, não é para que ela fique mais agradável (positivo), mas sim para “lutar” contra o pó, a desorganização, etc.(negativo).

Quando saem para o trabalho, não pensam nas coisas positivas que poderão realizar, mas sim na possibilidade de ficarem sem dinheiro caso não trabalhem, nas dívidas que têm para pagar (negativo) e encaram as tarefas como um inimigo que deve ser derrotado e eliminado.

Geralmente, têm muita dificuldade para sentir alegria, prazer nas coisas que fazem, pois estão sempre obrigando-se a fazer algo: a lutar contra o tempo, lutar contra o cansaço e o desânimo frente a tarefas vistas como desagradáveis, que procuram fugir do negativo. São autoritárias e exigentes consigo próprias.

Algumas crenças contribuem para isto. Por exemplo: “Trabalho não combina com prazer, mas com obrigação, esforço, força de vontade”. “Estou sofrendo agora, mas depois o meu esforço será recompensado”.

Pessoas com este tipo de crença sentem-se mal se estiverem  a divertir-se no seu trabalho. Para elas, a sensação do dever cumprido vem depois de “suar a camisa”, “dar o sangue”, “batalhar”, etc. Diversão combina com lazer.

Em geral elas sentem-se bem melhor e mais felizes quando passam a questionar as crenças acima e quando reaprendem a sentir prazer em tudo o que fazem. Às vezes elas precisam se reconectar às suas sensações, pois estão como que anestesiadas. Suprimiram boa parte delas, uma vez que não se permitem sentir prazer e também porque precisam de desconsiderar as sensações desagradáveis (cansaço, fome, sono) a fim de realizarem tarefas a que se obrigam, em que estão fugindo do negativo.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

Posted by Fernando Fraga at 15:44:03 | Permalink | No Comments »

“EU DEVERIA…”

A Programação Neurolinguística, como o próprio nome diz (Linguística), estuda como a linguagem influencia o nosso modo de perceber o mundo. Por outras palavras, ela mostra-nos que de acordo com as palavras que usamos, perceberemos o mundo de uma determinada forma, classificaremos as informações que nos chegam pelos cinco sentidos (Neuro) de uma determinada maneira.

Duas pessoas percebem um mesmo acontecimento de formas diferentes, pois cada uma delas usa um tipo de filtro (ou de lente) para observar o facto. Este filtro é constituído pelas palavras, pelo vocabulário.

Imaginando que o vocabulário é um imenso arquivo de pastas e que cada pasta é uma palavra, uma pessoa poderá arquivar a experiência “está a chover agora” na pasta das alegrias, e uma outra pessoa poderá arquivá-la na pasta dos aborrecimentos. A chuva é a mesma, mas cada uma a percebe de uma forma. Para uma delas a chuva poderia ser classificada como uma tempestade e para a outra, como uma chuva fraca.

Através de uma análise das palavras e dos tipos de construção de frases mais usados por uma pessoa, é possível saber muito sobre ela, tal como num teste de personalidade.

E se uma pessoa modificar as palavras e frases que usa com mais frequência, a partir de um questionamento das mesmas, modificará a maneira como vê o mundo, as pessoas, a maneira como se sente e se comporta.

Analisaremos hoje a palavra DEVERIA.

Quando alguém nos pede esmola na rua e nós não damos, às vezes ficamos pensando coisas como: “Eu DEVERIA ajudar o próximo”. Ou então quando alguém fica magoado com algo que dissemos, ficamos nos culpando com frases do tipo “Eu DEVERIA ter ficado calado”.

Na maioria das vezes a palavra DEVERIA está relacionada a culpas que nos foram incutidas desde quando éramos bem pequenos.

Quando você diz que DEVERIA (fazer, pensar, sentir) alguma coisa, é como se estivesse afirmando a si mesmo que você não DEVERIA ser você mesmo, que ser você mesmo é muito perigoso e que não deve jamais confiar nos seus sentimentos, crenças e intenções. Que você DEVERIA ser uma outra pessoa, tal como quando se derruba uma casa para construir outra melhor no seu lugar.

Pessoas que utilizam com muita frequência a palavra DEVERIA costumam dar muito valor à opinião que os outros têm dela. São capazes de passar por cima de si mesmas para não desagradarem as demais. O que os outros pensam e acham a respeito delas costuma ser mais importante do que aquilo que elas mesmas pensam a respeito de si próprias.

Entretanto, só se pode dar o que se tem. Você não oferece às visitas que vieram para o jantar uma bebida que você não tem em casa. Da mesma forma, você só pode ser verdadeiramente você mesmo com as demais pessoas.

Se você diz: “Ah! Mas eu DEVERIA ter ficado quieto, não DEVERIA ter dito aquilo…”, reflicta que, provavelmente, se tivesse ficado quieto, não teria sido você. Talvez teria sido um actor e representado um papel.

Os tímidos costumam ter muitos deverias. Às vezes, são pessoas tão exigentes consigo mesmas a ponto de jamais admitirem errar. Então acabam ficando inseguros sobre a melhor forma de agir, que nunca é a deles mesmos. Estão sempre esforçando-se ao máximo para serem melhores do que são. Não ficam à vontade nunca porque estão sempre estudando o que deveriam fazer. E têm concepções idealizadas e irreais sobre as características que procuram reproduzir, ou seja, têm objectivos tão altos que provavelmente são impossíveis de se alcançar.

A educação, recebida tanto em casa como na escola, igreja, etc., contribuiu para a disseminação dos deverias quando difundiu a crença de que as crianças são seres primitivos, quase como animais selvagens que precisam de ser domesticados. Que emoções como raiva, ciúme, dentre outras, são “ruins”, e devem ser combatidas, dominadas e eliminadas. E no seu lugar, as pessoas deveriam esforçar-se para ter apenas “sentimentos bons”. E principalmente, quando procurou uniformizar os comportamentos das pessoas, moldá-los de acordo com uma norma ou padrão.

Foi assim que aprendemos a lutar contra nós mesmos. Tornamo-nos no nosso próprio inimigo ou repressor. Aprendemos a ter força de vontade, o que em muitos casos significa ser capaz de vencer a si mesmo. Aprendemos a ser tão severos connosco como o foram talvez os nossos professores, pais e familiares.

Mas como diz aquela frase, “Não importa o que fizeram de mim. Importa é o que eu vou fazer com o que fizeram de mim”. Temos escolha. Podemos mudar.

Em relação à palavra DEVERIA, podemos nos questionar a cada vez que a usamos. Como no exemplo, “Eu deveria ter ficado calado”, podemos perguntar-nos: “O que aconteceria se eu ficasse calado?” Talvez a resposta seja algo como “A outra pessoa não teria ficado magoada, porém eu não teria sido espontâneo, verdadeiro”.

Podemos perguntar-nos também: “Por que é que eu deveria ter ficado calado?” A resposta a um porquê geralmente é uma crença. E questionar as nossas crenças é um processo de actualização, afinal, muitas delas foram adquiridas quando não tínhamos idade suficiente para entendê-las e julgá-las.

“Eu deveria ter ficado calado porque é errado uma pessoa dizer o que sente”. Podemos perguntar-nos então: “É errado do ponto de vista de quem?” “De acordo com quem?”

Quando valorizamos aquilo que somos, quando nos apoiamos, quando gostamos de nós mesmos, criamos um ambiente positivo ao nosso redor, como se fosse um campo de energia positiva, que por sua vez atrai coisas positivas, bons relacionamentos, etc.

Da mesma forma, quando nos criticamos e nos reprimimos, criamos um ambiente negativo, e provavelmente atrairemos problemas e relacionamentos complicados.

Quando você se valoriza, você está valorizando os seus próprios sentimentos, o seu julgamento interno, a sua “voz interior”, a sua intuição. Você está centrado em si mesmo. Quando você se critica, o seu centro está fora de si, talvez esteja nas pessoas à sua volta.

Então você pergunta: “Mas se eu não me criticar, como vou melhorar como pessoa, como vou progredir?”

Falaremos sobre isto no próximo artigo.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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PEDAGOGIA DO AMOR

Encerramos o artigo anterior com a pergunta: “Se eu não me criticar, se eu parar de ficar questionado-me sobre o que deveria fazer, como vou melhorar, crescer como pessoa?” Para responder esta pergunta, analisaremos o que acontece com as crianças.

A cada vez que se diz a uma criança: “Você não deveria (fazer ou sentir algo), é como se lhe fosse dito: “Se você for você mesma, ninguém vai gostar de você, pois você é muito má. Mas se você se esforçar e for diferente, então poderá encontrar pessoas que gostem de você”.

Isto é uma violência contra a criança, talvez comparável a um assassinato. Está-se dizendo à ela para eliminar aquele “eu” (que é ela mesma) e construir um novo em cima. E ela seguirá pela vida profundamente infeliz, tentando fabricar um “eu” que agrade às pessoas, ou então assumindo uma identidade que corresponda àquele monstro que um dia disseram que ela era, tornando-se uma pessoa de difícil convivência, ou até mesmo um delinquente.

Há muitas pessoas que optaram pelo caminho da marginalidade porque não conseguiram construir aquele “eu” que agradaria às pessoas. Talvez ninguém as odeie mais do que elas mesmas. Foi em virtude de muitos DEVERIAS, aos quais elas não conseguiram corresponder, que elas chegaram aonde estão. Elas sentem-se tão em débito com esses deverias que é como se imaginassem uma dívida que jamais conseguirão saldar, pois a cada dia ela aumenta - a cada dia elas acrescentam algo que deveriam/não deveriam ter feito.

Uma outra maneira de educar as crianças é através do que chamarei de Pedagogia do Amor. E do amor incondicional. Aquele que não espera que o outro mude para começar a amá-lo. Aquele que não diz que a criança deveria ser diferente, mas que valoriza todos os seus sentimentos, comportamentos, iniciativas. Aquele amor que não tem a intenção de ter nenhum tipo de controle sobre a criança, que não quer manipular suas reacções e comportamentos e moldá-los de acordo com um padrão, ou de acordo com um objectivo que não foi traçado por ela.

Aquele amor que permite que ela simplesmente SEJA ELA MESMA. Que “deixa o rio correr”, sem apressá-lo. Que acompanha o fluir livre e leve da criança. Que jamais diz que ela não deveria sentir raiva de alguém, mas que procura compreender os seus sentimentos e ensiná-la que quando não se luta contra os mesmos, eles passam por nós bem mais depressa. Deixar o rio correr… Sempre…

Ensiná-la a reconhecer que todo comportamento tem uma intenção positiva. Se ela aprender a reconhecer isto em si mesma, terá muito mais facilidade em reconhecê-lo nos outros. Se ela aprender a ser compreensiva e paciente consigo mesma, também o será com as demais pessoas.

Se ela está sentindo inveja de alguém, ajudá-la a reconhecer que provavelmente ela tem dentro de si uma parte (um “lado”) que acredita que ela também merece ser como aquela pessoa, ou ter o que ela tem, e que não há nada de errado nisso. Se ela está com raiva de alguém que brigou com ela, talvez seja porque possui uma parte que acha que ela merecia ser tratada de uma maneira melhor. E assim por diante. Não é difícil saber a intenção positiva de nossas partes internas e aprender a valorizá-las.

Ajudá-la a confiar nos seus sentimentos, sensações, intuições, no seu julgamento interno, na sua voz interior, na “voz do seu coração”. Ao invés de ficar  dizendo-lhe  o que deveria fazer, perguntar-lhe : “O que você acha disso?” “O que você sente em relação a isso?” Ajudá-la a formar os seus próprios valores incentivando a reflexão, fazendo-lhe perguntas que a ajudem a  confiar na sua sabedoria interna. Esta é a maior herança que os pais podem deixar aos filhos, já que pais não são eternos.

Mas talvez você, leitor, esteja dizendo: “Óptimo, entendi o que você disse em relação às crianças. Mas o que eu faço comigo? Com os meus DEVERIAS?”

Sugiro que você imagine uma criança bem pequena, indefesa, que estivesse sofrendo em virtude dos mesmos DEVERIAS que você, que estivesse passando por dificuldades semelhantes às suas. O que você faria com esta criança? O que você lhe diria? Você dir-lhe-ia novos DEVERIAS? Você seria tão severo com ela como provavelmente é consigo? Você a ameaçaria? Você dir-lhe-ia algo como: “Se você não emagrecer, eu não a levo à praia”?

Acredito que você gostaria de conversar com ela, de tratá-la com carinho, compreensão, talvez de tomá-la nos braços, abraçá-la, confortá-la, dizendo-lhe coisas animadoras.

Geralmente, por mais severos que tenham sido os nossos pais, a tendência é que sejamos mais severos connosco do que eles o foram, e um pouco mais compreensivos e benevolentes em relação aos filhos.

Por este motivo, sugiro que você faça com você o que faria com a criança que citei acima. Releia o texto e empregue as sugestões consigo mesmo. Imagine que dentro de você há uma criança e que você terá de cuidar dela pelo resto de sua vida. Você escolhe: ou você vai ser um repressor que controla, critica, diz DEVERIA a toda hora, ou você vai procurar fazê-la feliz, diverti-la, amá-la.

Só conseguimos amar, entender, aceitar as outras pessoas quando somos capazes de fazer tudo isso connosco. Quem não consegue aceitar o comportamento de alguém, quem não consegue gostar de alguém, certamente descobrirá que não consegue aceita-se a si mesmo, talvez até não aceite em si aquele mesmo comportamento que não aceita no outro.

É um facto que você poderá constatar: quando paramos de lutar CONTRA nós, contra os nossos sentimentos, desejos, quando passamos a ser A FAVOR de nós mesmos, o mundo responde da mesma maneira. A sua vida é o reflexo daquilo que acontece dentro de si. Se você não gosta de si mesmo, se você não se aprova, não se trata com carinho e respeito, não espere que os outros o façam. É o que se chama AUTO-ESTIMA.

Para isso, você poderá começar a aprender a substituir o DEVERIA pelo EU PREFIRO, EU ESCOLHO, EU APRECIO, EU PERMITO-ME.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA: USANDO OS DOIS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS

Sugiro ao leitor a seguinte experiência: pegue uma folha de papel em branco e no centro da mesma desenhe um ponto preto (ou azul, amarelo - a cor não importa).

Olhando agora atentamente para a folha, responda: O que você está vendo?

Se você responder como a maioria das pessoas a quem já propusemos esta questão antes, dirá que está vendo um ponto preto. Daí lhe perguntaríamos: Mas com tanto espaço em branco em volta, você só consegue ver o ponto preto???

Agora pense: Será que não é exactamente desta forma que costumamos lidar com muitos dos nossos problemas? Será que às vezes ficamos remoendo um problema, pensando nele exaustivamente, 24 horas por dia, na tentativa de achar a solução? (E então, cansados de tanto pensar, vamos dormir, em seguida acordamos subitamente no meio da noite e eis que nos aparece uma ideia nova, algo que não havíamos pensado antes – “Eureca”!!!) E também: será que às vezes nos concentramos obstinadamente nas coisas que não dão certo, ao invés de olharmos também para aquelas que são satisfatórias ou que podem proporcionar-nos mais caminhos, recursos e soluções?

Via de regra, não é analisando o ponto (o problema em si) que encontraremos a solução porque esta geralmente se encontra no espaço em volta. A solução não costuma estar no problema em si mas na nossa criatividade, que nos possibilita acesso a outras possibilidades.

Imagine uma pessoa perdida no meio de uma floresta. Ele anda, anda, mas não sabe onde está, não sabe para onde está indo. Todavia, se ela conseguir subir num ponto bem alto e olhar a floresta à distância, poderá ter uma visão do todo e então saber para onde ir. Assim também acontece com os nossos problemas. Por vezes, falta-nos a visão do todo porque ficamos muito concentrados “no ponto” (problema).

Se for este o seu caso, saiba que não está sozinho. Por muitos anos as pessoas vêm sendo treinadas a pensar de forma analítica, indo do todo às partes, esmiuçando problemas, analisando-o em partes cada vez menores.

Até mesmo a educação oferecida nas escolas caminhou por esta esteira durante muito tempo. Exemplos: análise sintáctica, alfabetização pelo método analítico (que parte do todo e vai às partes: barriga:ba-be-bi-bo-bu; muitas vezes preocupando-se apenas com a mecânica do processo da leitura e escrita, desvinculando as palavras dos seus significados e contextos - aquelas frases tolas que as crianças eram obrigadas a ler). É como se o microscópio usado nos laboratórios de pesquisa passasse a ser uma maneira única e exclusiva de ver o mundo, generalizando-se a crença de que absolutamente tudo poderia ser compreendido e obtido por meio da análise (note-se que analisar significa decompor em partes menores, ir do todo para as partes). Tudo isso condicionou em nós uma certa maneira de olhar para o mundo, de entendê-lo e experimentá-lo.

Sabemos que o raciocínio analítico é uma actividade do hemisfério esquerdo do cérebro (para os destros; para os canhotos é o hemisfério direito quem exerce este papel). O hemisfério esquerdo é aquele que percebe o ponto preto na folha (vê a parte, não o todo). Já o hemisfério direito é criativo, vê o espaço em volta, o todo, as relações que existem entre as coisas.

Por exemplo, qual a relação existente entre os elementos abaixo?

1) folha – fala – fonte – festa

2) gato – cobra - elefante – camelo

3) Brasil – Canadá – E.U.A. – Japão

(Respostas: 1) palavras começadas com f; 2) animais; 3) países.)

Quem percebe as relações, aquilo que há em comum entre as situações ou coisas, é o hemisfério direito.

Nós precisamos dos dois tipos de raciocínio, tanto o analítico (hemisfério esquerdo) como o sintético (aquele do hemisfério direito). Nenhum dos dois é melhor ou pior. Problemas acontecem quando se adopta um deles de forma exclusiva ou preferencial, quando se é treinado a usar muito um deles e pouco ou nada o outro. É como a pessoa que compra um martelo e começa a tratar todas as coisas como se fossem pregos… Um martelo é um instrumento útil, mas não serve para tudo…

Também na área do comportamento humano, na tentativa de entendê-lo e explicá-lo, surgiram diversas abordagens. Muitas delas priorizaram o raciocínio analítico (dentre elas, a psicanálise de Freud, que no próprio nome- psicanálise - já contém a análise). Não questionamos o mérito da psicanálise e como ela influenciou profundamente a forma como passamos a enxergar o mundo, as pessoas e a nós mesmos. Ela foi incorporada à nossa cultura e tornou-se comum ouvirmos as pessoas falarem em Complexo de Édipo, Superego, Freud explica, etc.

Mas o que acontece se você treinar muito um determinado tipo de habilidade e pouco ou nada outra? Por exemplo, o que aconteceria se na escola você treinasse muito a escrita mas pouco ou nada a leitura? É bastante provável que você desenvolvesse muito a primeira e pouco a segunda. O que aconteceria se você tivesse tido uma das suas mãos amarradas durante os primeiros dez anos de sua vida, usando apenas aquela que ficou livre durante todo este tempo? É possível que aquela que esteve amarrada tivesse os seus músculos atrofiados, assim como movimentos e sensibilidade pouco desenvolvidos. Agora reflicta: será que não ocorreu um pouco disto na educação praticada no país até bem pouco tempo atrás? Um treino maciço do pensamento lógico, das habilidades de cálculo, testes de múltipla escolha ou de completar sentenças, do pensamento vertical (hemisfério esquerdo), havendo poucas actividades que estimulassem a criatividade, a musicalidade, a intuição, as soluções originais (hemisfério direito), o pensamento lateral (que será tema de um próximo artigo)?

A boa notícia é que podemos treinar as habilidades do hemisfério usado com menor frequência, aquele que porventura esteja sendo sub-utilizado.

Esta é uma das propostas da Programação Neurolinguística (PNL), uma nova tecnologia acerca do comportamento humano que compara o cérebro a um computador que nos é dado sem o manual do utilizador. Os nossos comportamentos, hábitos e habilidades são como “programas” que usamos no nosso cérebro. A PNL aparece então neste contexto como o “manual do usuário” deste nosso “computador mental”, ensinando-nos que é possível nos reprogramarmos e ainda adquirirmos novos e melhores programas. Desta forma, poderemos utilizar plenamente nosso potencial (nosso cérebro, nosso pensamento vertical e lateral, nossa linguagem) e assim atingirmos nossos objectivos nas mais variadas áreas de nossas vidas: afectiva, profissional, social, etc. Poderemos acessar em nós habilidades de ambos os hemisférios cerebrais, poderemos descobrir recursos que sempre estiveram em nós mas que antes não sabíamos utilizar (como programas instalados em nosso computador há muitos anos mas que nunca antes houvessem sido acessados por nós).

No próximo artigo apresentaremos um teste para saber qual o hemisfério que você usa com maior frequência e também se há um certo equilíbrio na utilização de ambos os hemisférios cerebrais.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

Posted by Fernando Fraga at 15:17:57 | Permalink | No Comments »

TESTE: HEMISFÉRIOS CEREBRAIS

No artigo anterior falamos sobre os dois hemisférios cerebrais. Em outras palavras, dissemos que da mesma forma que você tem duas pernas, e que se deixar de usar uma delas ela ficará atrofiada e você andará mancando, também o seu cérebro tem duas partes, dois hemisférios.

Cada hemisfério processa informações de forma diferente. O hemisfério esquerdo (o esquerdo para os destros, o direito para os canhotos) é responsável por nosso comportamento lógico, detalhado, cauteloso, organizado. Já no hemisfério direito estão nossa criatividade, intuição e habilidades artísticas .

O lado esquerdo enfatiza

O lado direito enfatiza

Linguagem

Rima

Lógica

Ritmo

Números

Música

Matemática

Pintura

Sequência

Imaginação

Palavras

Modelos

Provavelmente você conhece pessoas que usam o hemisfério esquerdo de forma predominante: são excessivamente organizadas, perfeccionistas, detalhados, racionais. Da mesma forma, você talvez conheça pessoas que usam mais o hemisfério direito: criativas, sonhadoras, intuitivas (algumas das quais às vezes faltam organização e atenção aos detalhes para que concretizem seus ideais), emotivas.

O ideal seria que usássemos os dois hemisférios de forma equilibrada, integrada.

O teste a seguir se propõe a fornecer uma ideia aproximada a respeito do uso de seus hemisférios cerebrais. Foi extraído do livro Como Passar no Vestibular, de Lair Ribeiro, Editora Objectiva, um livro muito interessante cuja leitura recomendamos aos estudantes em fase de vestibular e a todas as pessoas que queiram aprender novos e mais eficazes métodos de estudo.

Dê para cada palavra a seguir um valor de 1 a 5, de acordo com sua identificação ou afinidade com ela (quanto maior a identificação, maior o valor registrado).

1. PENSADOR


11. CONTROLADO


2. SONHADOR


12. MUSICAL


3. DETALHISTA


13. PERSISTENTE


4. VISIONÁRIO


14. ARTÍSTICO


5. FALANTE


15. MATEMÁTICO


6. IDEALISTA


16. EMOTIVO


7. ORGANIZADO


17. CALCULISTA


8. EXCÊNTRICO


18. CRIATIVO


9. PRECISO


19. PREVISÍVEL


10.IMAGINATIVO


20. ROMÂNTICO


Os itens ímpares são relativos ao hemisfério esquerdo, os itens pares, ao hemisfério direito.

Some todos os valores das palavras correspondentes aos itens ímpares da lista (Hemisfério Esquerdo) e escreva o resultado.

A seguir, some todos os valores das palavras correspondentes aos itens pares (Hemisfério Direito).

ÍMPARES

(Esquerdo)


PARES

(Direito)


Observação: Diferenças iguais ou superiores a 10% indicam a predominância, em uso, do Hemisfério Direito ou Esquerdo.

Por exemplo: o somatório de todos os valores das palavras correspondentes ao hemisfério esquerdo foi 28. O somatório de todos os valores das palavras correspondentes ao hemisfério direito foi 36. Isso significa uma predominância do hemisfério direito. O que fazer então para equilibrar e integrar os dois hemisférios? O segredo não é diminuir a actividade do hemisfério direito, mas incrementar a actividade do hemisfério esquerdo.

Para desenvolver o hemisfério esquerdo você poderia realizar actividades lógicas e sequenciais. Por exemplo, actividades que envolvam cálculos (exemplo: Kumon), raciocínio lógico, fazer um curso sobre organização de arquivos, actividades que exijam precisão e atenção a detalhes, aprender idiomas.

Para desenvolver o hemisfério direito você poderia visitar exposições de quadros e de artes (e refinar seu senso estético e artístico), ouvir músicas (e desenvolver sua sensibilidade musical), assistir a peças de teatro, escrever um romance (ou poemas, crónicas, ou outras actividades em que você use a sua criatividade), aprender uma linguagem de símbolos (por exemplo: escrita do Japão ou da China, que se constituem de ideogramas, figuras que expressam ideias completas, e não sons e fonemas a serem combinados em palavras e frases, como a nossa escrita)

Voltaremos a falar sobre os hemisférios cerebrais num próximo artigo no qual abordaremos o pensamento vertical e lateral.

No próximo artigo falaremos sobre o que pais e educadores podem fazer para promover a auto-estima das crianças.

Fonte: Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

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