Jean-Jacques Rousseau
Wednesday, March 26, 2008
Jean-Jacques Rousseau
Friday, March 21, 2008
Wednesday, March 19, 2008
LIDERANÇA
A liderança é “um dos mais observados e menos entendidos fenómenos do mundo”, escreveu um homem que estava em posição de o saber. Na escrita de gestão, tem havido três abordagens do tema:- a natureza e o comportamento dos líderes;
- a natureza e o comportamento dos que são liderados; e
- a estrutura da organização na qual a liderança tem lugar.
A maior parte do que tem sido escrito é sobre a primeira destas abordagens. Há um fascínio visceral pelos líderes e pelo seu carácter, bem como pela grande questão que os rodeia: os líderes podem fazer-se ou já nascem líderes?
Seja como for, quais são afinal as qualidades de um líder? O marechal de campo Montgomery achava que um líder “tem de ter um optimismo contagiante e determinação para perservar face às dificuldades. Deve também irradiar confiança, mesmo quando ele próprio não esteja muito certo do resultado. Henry Fayol, um antigo escritor francês de gestão, disse que a tarefa do líder é “considerar cuidadosamente um plano e garantir o seu sucesso”. É, acrescentava ele, “uma das satisfações mais intensas que um homem pode experimentar”.
David Ogilvy, fundador de uma agência de publicidade, a Ogilvy & Mather, ele próprio um grande líder, pensava:
Os grandes líderes ressumbram quase autoconfiança. Eles nunca são mesquinhos. Nunca atiram com as culpas para cima dos outros. Erguem-se sozinhos após a derrota… Não sofrem da incapacitante necessidade de serem universalmente amados… os grande líderes que conheci eram homens singularmente complicados.
Esta visão do líder como uma personalidade complicada é confirmada pelo carácter de alguns grandes líderes inegáveis como Napoleão e Winston Churchill, e pelo facto de 60% dos presidentes dos EUA e primeiros-ministros do Reino Unido terem perdido os pais antes dos 14 anos.
No entanto, a liderança de uma pessoa como Alfred P. Sloan, o lendário patrão da General Motors, deveu-se mais à estrutura e aos sistemas instalados na organização (com base, no caso de Sloan, na teoria da “descentralização e da gestão coordenada” do que à personalidade do líder. Henry Ford II foi também um homem cujo sucesso na revitalização da empresa familiar após a Segunda Guerra Mundial dependeu da reorganização da companhia. O homem, em si, era um playboy do jet-setting que ficava muito longe do nível de David Ogilvy como líder. O mesmo poderia dizer-se de muitos outros patrões de grandes empresas de todo o mundo.
O mais importante pensador da liderança nos últimos anos do século xx foi Warren Bennis, um professor da University of Southern California. Este disse que os líderes de sucesso seguiam um princípio quase universal de gestão “tão verdadeiro para os regentes de orquestra, os generais, os treinadores de futebol e os directores das escolas como para os executivos das empreas”. Concluiu que a grande maioria dos líderes de sucesso eram homens brancos que se mantinham casados com a mesma pessoa toda a vida. Quando chegavam à cabeça de uma organização, os líderes de sucesso “observavam o que se passava, determinavam o que seria importante para o futuro da organização, estabeleciam uma nova direcção e concentravam nela a atenção de toda a gente na organização”.
Em Leaders, The Strategies for Taking Charge, Bennis enumera quatro competências que os líderes precisam de desenvolver:
- criar um objectivo estratégico que dê às pessoas uma ponte para o futuro;
- dar sentido a esse objectivo estratégico através da comunicação;
- construir confiança, “a lubrificação que faz com que as organizações funcionem”;
- procurar o autoconhecimento e a auto-estima. Neste contexto, Bennis diz:
- “Penso que muitos líderes de que falei dão expressão ao seu lado feminino. Muitos líderes masculinos são quase bissexuais na sua capacidade de abertura e reflexão… O género não é factor determinante.
Fonte: Guia de Ideias e Técnicas de Gestão - Tim Hindle
Friday, March 7, 2008
“O nosso maior medo não é o de sermos incapazes. O nosso maior medo é descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos. É a nossa Luz e não as nossas trevas que nos assusta. Não há mérito algum em não manifestar todo o nosso potencial apenas para que os outros não se sintam inseguros ao nosso lado. Nascemos para manifestar o potencial do Ser que está em todos nós, e não apenas em alguns. Quando deixamos brilhar a nossa Luz, permitimos que os outros façam o mesmo inconscientemente. Quando nos libertarmos do medo, a nossa simples Presença libertará os outros automaticamente.”
- Hélder Câmara
Thursday, March 6, 2008
Ancoragem

Na PNL, “ancoragem” refere-se ao processo de associar reacções internas com algum gatilho externo ou interno porque assim, prontamente, podemos aceder a essa reacção de novo. A ancoragem é um processo que na superfície é similar à técnica do “condicionamento” usada por Pavlov para criar uma ligação entre escutar uma campainha e a salivação nos cães. Ao associar o som da campainha com o acto de dar comida para os seus cães, Pavlov descobriu que, eventualmente, podia só tocar a campainha que os cães começavam a salivar, mesmo que não lhes fosse dada nenhuma comida. Na fórmula estímulo-reacção dos behavioristas, entretanto, o estímulo é sempre uma sugestão ambiental e a reacção sempre uma acção comportamental específica. A associação é considerada reflexiva e não uma questão de escolha.
Na PNL esse tipo de condição associativo foi expandido para incluir ligações entre outros aspectos da experiência além das sugestões puramente ambientais e reacções comportamentais. Uma imagem recordada pode tornar-se âncora para uma sensação interna particular, por exemplo. Um toque na perna pode tornar-se âncora para uma fantasia visual ou mesmo uma crença. Um tom de voz pode tornar-se âncora para um estado de exaltação ou confiança. Uma pessoa pode conscientemente escolher estabelecer e re-disparar essas associações para ela mesma. A ancoragem pode ser uma ferramenta muito útil para ajudar a estabelecer e reactivar processos mentais associados com a criatividade, a aprendizagem, a concentração e outros recursos importantes.
É significante que a metáfora da “âncora” seja usada na terminologia da PNL. A âncora de um navio ou de um barco está amarrada pelos membros da tripulação a algum ponto estável a fim de segurar o navio numa certa área e evitar que ele navegue sozinho. A implicação disso é que a sugestão que serve como “âncora” psicológica não é apenas um estímulo mecânico que “causa” uma resposta como também é um ponto de referência que ajuda a estabilizar um estado particular. Para ampliar completamente a analogia, o navio pode ser considerado como o foco da nossa consciência no oceano das experiências. As âncoras servem como pontos de referência que nos ajudam a descobrir um local particular nesse mar de experiências, a manter lá a nossa atenção e evitar que ela ‘ flutue ‘.
O processo de estabelecer uma âncora envolve basicamente a associação simultânea de duas experiências. Nos modelos de condicionamento behavioristas, as associações tornam-se mais fortemente estabelecidas através da repetição. A repetição também pode ser usada para fortalecer as âncoras. Por exemplo, você pode pedir para alguém re-experimentar activamente uma ocasião em que estava muito criativo e bater de leve no ombro dele enquanto ele pensa na experiência. Se você repetir isso uma ou duas vezes, o toque no ombro vai começar a se tornar ligado ao estado criativo. Eventualmente um toque no ombro fará a pessoa automaticamente relembrar o estado criativo.
‘Ancoragem’ e aprendizagem
Uma boa maneira de começar a entender os usos da ancoragem é considerar como isso pode ser aplicado no contexto do ensino e da aprendizagem. O processo da ancoragem, por exemplo, é um meio efectivo de solidificar e transferir experiências de aprendizagem. Na sua forma mais simples, a “ancoragem” envolve o estabelecimento de uma associação entre uma sugestão externa ou estímulo e uma experiência interna ou estado, como o exemplo de Pavlov tocando a campainha para os seus cães. Uma grande parte da aprendizagem relaciona-se com o condicionamento, e condicionamento relaciona-se com o tipo de estímulo ligado à reacção. Uma âncora é um estímulo que se torna associado com uma experiência de aprendizagem. Se você puder ancorar alguma coisa no ambiente da sala de aula, você depois poderá trazer a âncora para o ambiente do trabalho, no mínimo, como uma lembrança associativa do que foi aprendido.
Como exemplo disso, fizeram uma pesquisa com estudantes na sala de aula. Fizeram os estudantes aprender um tipo de lição numa certa sala de aula. Depois dividiram a turma em metade e colocaram um dos grupos numa sala diferente. Então testaram os estudantes. Os que estavam na mesma sala onde tinham aprendido a matéria saíram-se melhor nos exames do que os estudantes que foram deslocados para a outra sala. Presume-se que isso ocorreu porque existiam pistas ambientais associadas com a matéria que eles aprenderam.
Todos nós provavelmente já estivemos numa situação onde queríamos relembrar algo, mas como estávamos num ambiente diferente, onde todos os estímulos são muito diferentes, é mais fácil não se lembrar. Ao desenvolver a capacidade de usar certos tipos de âncoras, professores e alunos podem tornar mais fácil a generalização da aprendizagem. Existirá certamente uma grande possibilidade de que o que se aprendeu seja transferido se também pudermos transferir certos estímulos.
Existe outro aspecto da ancoragem relacionado com o facto de que os cães de Pavlov tinham que estar num certo estado para que a campainha significasse alguma coisa. Os cães tinham que estar com fome, e aí Pavlov podia ancorar o estímulo para a reacção. Do mesmo modo, existe uma questão relacionada com o estado em que estão os alunos, a fim de estabelecer uma âncora com efectividade. Por exemplo, uma transparência é um mapa, mas também é um estímulo. Isto é, ele fornece informação mas também pode ser um gatilho para uma experiência de referência. Um professor efectivo precisa de saber quando transmitir ou não uma mensagem. Se as pessoas têm um insight repentino – um “Ahá!” – e você ligar o projector de transparências, isso será recebido de modo diferente e associado a uma maneira diferente do que se as pessoas estiverem fazendo esforço para entender um conceito.
O timing pode ser muito importante. É importante o professor escolher o momento para a apresentação das matérias em relação ao estado dos seus alunos. Se o professor tem um pacote cognitivo para apresentar, como uma palavra chave ou um mapa visual, ele precisa de esperar pelo momento em que o ‘ferro está quente.’ Quando o professor perceber que existe disposição, um pico ou sinceridade no grupo, é neste momento que ele deve introduzir o conceito ou mostrar as palavras-chaves. Porque o ponto de ancoragem não é só aquele em que o professor está dando informações, é também quando ele está fornecendo estímulo que fica conectado às experiências de referência dos alunos. Essa é a razão porque os estímulos que são simbólicos são âncoras muitas vezes mais efectivas.
Os tipos de perguntas que um professor precisa de saber responder são: “Quando eu introduzo essa ideia?” e “Com que intensidade eu quero que as pessoas experimentem isso, ou que reajam a isso?” Por exemplo, se o professor está facilitando uma discussão, pode surgir uma questão, profundamente relacionada a crenças e valores e que é sentida com muita intensidade, especialmente por algumas pessoas. Neste momento, se o apresentador lançar uma informação, ela torna-se conectada com este grau de interesse ou envolvimento.
O ponto é que a ancoragem não é simplesmente uma questão mecânica de apresentar mapas cognitivos e dar exemplos. Existe também a questão do estado de compromisso ou interesse dos alunos. Algumas vezes o professor vai querer deixar a discussão prosseguir, não só porque as pessoas estão fazendo conexões lógicas, mas também porque o nível de energia do grupo está se intensificando e você quer capturar este momento. Outras vezes, se a energia do grupo estiver baixa, o professor pode não querer ancorar este estado a certos tópicos ou experiências de referência.
As pessoas podem querer usar as âncoras para reacessar estados com recursos em si mesmas bem como nas outras pessoas. É possível um professor, por exemplo, usar uma auto-âncora para atingir o estado que ele deseja estar como líder do grupo. Uma auto-âncora pode ser uma imagem interna de algo que, quando se pensa sobre ela, traz automaticamente este estado. Também se pode fazer uma auto-âncora através de exemplos, como falar sobre os filhos de alguém ou alguma experiência que tenha associações muito intensas.
Em resumo, as âncoras empregam o processo de informação para:
- foco no estado de estar consciente.
- reacessar o conhecimento cognitivo e os estados internos.
- conectar experiências ao mesmo tempo para:
- enriquecer o significado.
- consolidar o conhecimento.
- transferir a aprendizagem e experiências para outros contextos.
As sugestões que são âncoras podem ajudar a transferir aprendizagens para outros contextos. A ‘sugestão’ usada como âncora tanto pode ser verbal, como não verbal ou simbólica (uma pessoa pode até tornar-se uma âncora). Objectos comuns e sugestões que vem da casa ou do ambiente de trabalho de uma pessoa podem resultar em âncoras efectivas.
Estabelecendo uma âncora
Uma das habilidades do ensino ou da aprendizagem efetiva é o de ser capaz de ‘imprint’ algo ao apanhar aqueles momentos em que a informação será associada com estados internos positivos ou poderosos. Pavlov descobriu que tinha duas maneiras de criar associações. Uma era através da repetição, a associação continuada entre um estímulo e uma reacção. A outra era conectar um estado interno intenso a um estímulo particular. Pessoas, por exemplo, relembram detalhes de experiências altamente emocionais sem nenhuma repetição. A associação é feita instantaneamente.
Esses são dois aspectos importantes relacionados ao estabelecimento de âncoras. Um é o contínuo reforço da âncora. Pavlov descobriu que se ele começasse a tocar a campainha e não desse a comida, a reacção à campainha, eventualmente, iria diminuir ou extinguir-se. Para uma âncora durar por um longo tempo, ela tem que ser reforçada de alguma maneira. Essa é uma questão importante com relação à auto-aprendizagem continuada. O outro aspecto tem a ver com a riqueza e a intensidade da experiência que alguém está tentando ancorar.
Como exemplo, vamos dizer que um casal está a preparar-se para o nascimento do filho. O marido normalmente faz o papel de coach para a mãe gestante. Um dos desafios para ser coach durante o nascimento é que a experiência é tão intensa que é difícil transferir tudo que você sabe porque a situação real é muito diferente daquela em que você praticou. Você praticou a respiração e outras técnicas num estado confortável em casa, mas a realidade é uma situação completamente diferente o que torna difícil lembrar-se de todas as técnicas que você praticou.
Uma estratégia útil é fazer uma âncora. Quando a mãe grávida está num estado que ela quer manter durante todo o processo de nascimento, ela pode fazer uma âncora interna, como um símbolo. Pode-se perguntar para ela: “O que vai simbolizar esse estado?” Vamos dizer que ela imagina uma concha – uma concha de caracol que tem uma grande abertura na parte de baixo. O casal pode até comprar uma dessas conchas. Então durante todas as sessões de prática, a grávida podia focar os seus olhos na concha. A concha pode ser levada ao hospital, e ser um gatilho contínuo para ajudar a difundir o estado desejado para o verdadeiro processo do nascimento.
Outro exemplo: vamos dizer que o líder de uma equipa está tentando levar o grupo a um estado positivo para realizar um ‘brainstorming’, e que ele tem feito um bom trabalho ao criar o estado motivado. A questão é: como é que o líder pode ancorar este estado para que ele volte a conseguir este mesmo grau de motivação mais rapidamente no futuro? Uma maneira é através de comportamentos particulares, como um contacto ocular especial ou expressões faciais, que poderiam ser usadas de novo mais tarde para disparar este estado. Outra maneira é usar alguma coisa externa como recurso para atrair o foco do grupo – como apontar para um ‘flip chart’ ou recorrer a uma transparência.
Ancoragem – ciclo de elaboração
Muitas vezes uma âncora é melhor estabelecida se associarmos primeiro a sugestão com a experiência, depois passando por um ciclo no qual a experiência é continuamente aperfeiçoada e a âncora repetida. O ciclo de ‘elaboração’ da âncora é uma maneira mais eficiente de reforçar aprendizagens e associações.
Depois que a associação inicial foi feita, o comunicador ou o professor pode querer ‘elaborar’ o número de conexões ao estimular e ancorar as associações como: “Como isso aplica-se no seu trabalho?” “Como se relaciona isso com a sua família?” “Como é que isso se relaciona com um amigo ou uma situação actual?” Isso não é simplesmente um reforço repetitivo, é um melhoramento e uma elaboração do espaço da experiência o qual alguém está tentando ancorar a alguma coisa.
Quanto mais uma âncora puder ser elaborada ou eliciada com relação a um conceito particular ou a uma experiência de referência, mais forte esta âncora tende a ficar. Por exemplo, muitas vezes a música afecta a pessoa por causa do que lhe estava acontecendo quando ouviu aquela canção em particular pela primeira vez. Algo importante ou algo significativo na sua vida estava acontecendo e a música coincidiu de tocar na rádio. Essa é a essência da ‘nostalgia.’
Alguém pode fazer uma âncora ao repetir exemplos, histórias ou brincadeiras específicas. Pense sobre um grupo de amigos. Quando você repete a história sobre alguma experiência que teve junto com eles, você recria as mesmas sensações que teve quando todos estiveram juntos antes.
A palavra “ancoragem” em si é já uma âncora. Durante esta nossa explicação, por exemplo, nós estivemos conectando uma série de diferentes experiências de referência ao termo ‘âncora’. ‘Ancoragem’ é o termo que nós mantemos na mente para elaborar a riqueza do seu significado.
Âncoras naturais
As âncoras naturais referem-se ao facto de que nem todos os estímulos são igualmente efectivos como âncoras. Nós formamos associações com relação a algumas sugestões mais facilmente do que com outras. Claramente, a capacidade de fazer associações com relação a sugestões ambientais a fim de escolher reacções apropriadas é vital para a sobrevivência dos animais. Como resultado, várias espécies de animais desenvolveram uma maior sensibilidade a certos tipos de estímulos do que outras. Ratos, por exemplo, a quem deram dois recipientes com água para beber, um com água inofensiva e o outro com água estragada, aprenderam muito rapidamente a distinguir a segura da outra pois a estragada era de uma cor diferente. Eles levariam muito mais tempo para aprender a distinguir entre as duas águas se elas simplesmente tivessem sido colocadas em recipientes de formatos diferentes. A cor é uma âncora associativa mais “natural” para os ratos do que a forma. Do mesmo modo, Pavlov descobriu que os seus cães podiam ser condicionados a salivar muito mais rápida e facilmente usando o som como estímulo de condicionamento do que se usasse sugestões visuais, como côr e forma, como estímulos.
As âncoras naturais são provavelmente relacionadas a capacidades neurológicas básicas. Palavras, por exemplo, são capazes de formar âncoras poderosas para os humanos, mas não para as outras espécies. Outros mamíferos (contanto que possam ouvir) reagem mais ao tom da voz mais do que às palavras específicas usadas. Presume-se que isso ocorra porque eles carecem do aparato neural capaz de reconhecer as distinções verbais no mesmo grau de detalhes que fazem os humanos. Mesmo em humanos, os órgãos dos sentidos e partes do corpo têm capacidades distintas. O antebraço de uma pessoa, por exemplo, tem menos terminações táteis nervosas do que a palma da mão. Assim, uma pessoa é capaz de fazer distinções mais finas com os dedos e mãos do que com os seus braços.
Estar atento as “âncoras naturais” é importante para seleccionar os tipos de estímulos a serem usados para ancoragem. Diferentes tipos de meios de comunicação podem ser usados para ajudar a fazer mais facilmente certos tipos de associações. Como pessoas, os indivíduos podem ter certas tendências naturais voltadas para certos tipos de âncoras por causa das suas capacidades representacionais naturais ou aprendidas. Uma pessoa orientada visualmente será mais sensível a sugestões visuais; a pessoa orientada cinestesicamente pode fazer associações mais facilmente com sugestões táteis; indivíduos que são orientados auditivamente serão suscetíveis a sons subtis, e assim por diante. Cheiros, muitas vezes, formam poderosas âncoras para as pessoas. Em parte isso é porque o sentido do cheiro está ligado directamente a áreas associadas do cérebro.
Âncoras ocultas
Algumas vezes as mais poderosas âncoras para as pessoas são aquelas nas quais o estímulo está fora da consciência. Essas são as chamadas âncoras “ocultas.” O poder das âncoras ocultas vem do facto que elas ignoram o filtro e a interferência da consciência. Isso pode ser útil se a pessoa (ou grupo) se está esforçando para fazer uma mudança porque a sua mente consciente fica interferindo. Isso também faz das âncoras ocultas uma poderosa forma de influência.
Âncoras ocultas são muitas vezes estabelecidas em função do sistema representacional menos consciente do indivíduo. Uma pessoa altamente visual, por exemplo, pode não perceber as trocas subtis no tom de voz. A voz então, pode tornar-se uma rica fonte de pistas inconscientes para esta pessoa.
Âncoras como metamensagens
A ancoragem é considerada, às vezes, um processo puramente mecânico, mas é importante ter em mente que nós não somos robôs. Certamente um toque no ombro ou no braço pode ser um estímulo do qual se forma uma âncora, mas ela não pode, ao mesmo tempo, ser interpretada como uma “metamensagem” sobre o contexto e o relacionamento. Muitas sugestões não são simplesmente gatilhos para reacções, mas sim mensagens simbólicas.
Como regra prática, por exemplo, se você está usando âncoras cinestésicas, é melhor estabelecer âncoras para estados negativos próximos da periferia do corpo (por exemplo joelhos, antebraços). Âncoras para estados positivos alcançam maior intensidade se forem estabelecidas mais no centro do corpo da pessoa.
Condições de boa formulação para ancoragem
As “condições de boa formulação” para ancoragem resumem os elementos essenciais necessários para estabelecer uma âncora efectiva. Esses elementos relacionam-se, essencialmente, com importantes características do estímulo e da reacção que alguém está tentando unir numa dupla, com o relacionamento entre o estímulo e a reacção e com o contexto envolvendo o estímulo e a reacção.
1. Intensidade e “clareza” da reacção
A intensidade tem a ver com quanto um estado particular ou reacção foi acedida. Até no tempo de Aristóteles foi observado que quanto mais viva e intensa era uma reacção particular, mais facilmente ela era lembrada, e mais rapidamente ela se tornava associada com outro estímulo. Era mais fácil para Pavlov “condicionar” cães esfomeados a salivarem, por exemplo, do que cães saciados. Se uma pessoa acessou somente uma pequena porção do estado ou experiência que você está ancorando, então a âncora pode ser somente associada com esta porção particular. Consequentemente, “intensidade” simplesmente não tem nada a ver com o grau da emoção provocada na pessoa. Uma pessoa pode estar num estado dissociado muito forte, no qual ela não tem nenhuma reacção emocional.
“Clareza” da reacção tem a ver se a reacção ou experiência que você está tentando ancorar foi “contaminada” ou não por outros pensamentos irrelevantes ou conflitantes, sensações ou reacções. A pessoa pode experimentar muito intensamente o estado a ser ancorado, mas também pode confundi-lo com outros estados e experiências. Uma outra maneira de exprimir essa condição é que você irá conseguir de volta exactamente aquilo que você ancorou. Como se diz na linguagem dos programadores de computador “Entra lixo, sai lixo.” Se tocar em alguém para ancorá-lo com um toque deixa-o desconfiado, então esta desconfiança torna-se parte do estado que está ancorado. Se você pedir para uma pessoa pensar em algo positivo, mas esta pessoa está recordando uma memória dissociada do evento, e julgando se escolheu ou não o evento certo, então você estará ancorando dissociação e julgamento.
2. Singularidade do estímulo usado como “âncora”
A condição de “singularidade do estímulo” relaciona-se ao facto de que estamos sempre fazendo associações entre as sugestões do mundo à nossa volta e os nossos estados internos e reacções. Alguns estímulos são tão comuns que eles fazem âncoras ineficazes, basicamente porque já se associaram a muitos outros contextos e reacções. Apertar a mão ou tocar no ombro de uma pessoa é um estímulo muito menos singular do que um toque no dedo mínimo. O estímulo singular faz âncoras melhores e de duração mais longa.
É importante notar que a “singularidade” não é o mesmo que “intensidade.” Um estímulo mais intenso não é necessariamente uma âncora mais efectiva. Um estímulo mais intenso pode ser singular, porém subtil e até mesmo inconsciente (como os cheiros e sensações subtis que disparam as reacções alérgicas), e por ser único, a âncora é mais potente.
3. Timing do par estímulo e reacção
A relação no tempo entre o estímulo e a reacção é uma das condições essenciais da associação efectiva. De acordo com as ‘leis’ básicas da associação, quando duas experiências ocorrem juntas um número suficiente de vezes, as duas experiências tornam-se associadas uma com a outra. Os estudos envolvendo condicionamento clássico mostraram que essa associação ocorre simplesmente ao longo do tempo; isto é, o estímulo (campainha) precisa de preceder à reação (salivar quando comer a comida).
Também parece existir um intervalo muito favorável durante o qual vários tipos de associações são feitas mais facilmente. Para reflexos rápidos como um piscar de olho, esse intervalo é de cerca de meio segundo; intervalos mais longos ou mais curtos são menos efectivos. Para reacções mais lentas, como a salivação, o intervalo é mais longo, mais ou menos dois segundos. O timing em associações de aprendizagem verbal é muito menos crítico do que no condicionamento clássico. Pares verbais são ensinados com igual facilidade se apresentados simultaneamente ou em separado por vários segundos.
Na PNL, o período de ancoragem ideal é determinado em relação ao pico da intensidade da reacção ou do estado que alguém está ancorando. Geralmente ensina-se que o estímulo deve ser iniciado quando a reacção a ser ancorada atingiu cerca de dois terços do seu valor máximo. Se possível, o estímulo de ancoragem devia ser mantido até logo após ter estabilizado o estado ou começado a diminuir. Dessa maneira, a associação é criada entre o estímulo e a crista da reacção. Para fazer isso, a reacção precisa de ser “calibrada,” porque assim as características comportamentais da reacção são conhecidas antes de se tentar a ancoragem.
4. Contexto envolvendo a experiência da ancoragem
O contexto é uma influência importante na ancoragem e é ignorado muitas vezes. O contexto ou o ambiente envolvendo uma interacção contém muitas sugestões que podem afectar o processo da ancoragem. Embora elas não sejam o foco principal da atenção, as sugestões ambientais podem tornar-se âncoras. No que é chamado de “associação do contexto,” o ambiente pode começar a eliciar a reacção que está sendo condicionada a um estímulo específico. (associação de contexto é a base para “âncoras espaciais.”)
É interessante notar, sob esse aspecto, que Pavlov, antes de tudo, descobriu acidentalmente a noção de reflexos condicionados como resultado do condicionamento contextual. Para a sua pesquisa sobre digestão, Pavlov precisava colectar a saliva dos animais no laboratório. Ele estimulava o fluxo da saliva colocando carne moída na boca dos cães; logo, ele percebeu que o cachorro começava a salivar ao avistar o pesquisador, na expectativa de receber a carne moída.
Em alguns casos, o estímulo contextual pode combinar com o estímulo principal da ancoragem, tornando o ambiente como parte global da experiência de ancoragem. Por causa disso, muitas âncoras são “dependentes do contexto.” Isto é, elas trabalham mais efectivamente no contexto em que foram inicialmente estabelecidas.
A influência do contexto relaciona-se com o processo de ‘Aprendizagem II *.’ Além de ser parte do estímulo de ancoragem, o contexto modela os filtros perceptivos e a atenção. A ancoragem é um processo clássico de ‘Aprendizagem I *,’ porém humanos e animais não são robôs. Se um contexto é interpretado ou não como sendo “seguro,” “importante,” “desconhecido,” “um contexto de aprendizagem,” “um lugar para explorar,” etc., isso irá determinar qual o tipo de estímulo que as pessoas prestam atenção, e como certos tipos de âncoras serão estabelecidas facilmente. A partir dessa perspectiva, é importante que o rapport, entre os indivíduos envolvidos no processo de ancoragem e o ambiente, contribua para o tipo de âncora que se pretende estabelecer.
* Aprendizagem I e II - de acordo com Gregory Bateson, existem dois tipos ou níveis fundamentais da aprendizagem que precisam de ser considerados em todos os processos de mudança: aprendizado I (tipo condicionamento estímulo-resposta) e aprendizado II (aprendizagem para reconhecer o contexto maior no qual o estímulo está ocorrendo pois assim o seu significado pode ser correctamente interpretado). (N.T.)
Artigo publicado no site www.nlpu.com de Riverto Dilts e adaptado por Fernando Fraga
Modelagem

O dicionário Webster define modelo como “uma descrição simplificada de uma entidade ou processo complexo” – como o “modelo de computador” dos sistemas circulatório e respiratório. O termo tem a sua raiz no latim modus, que significa “uma maneira de fazer ou de ser; um método, forma, moda, hábito, maneira ou estilo.” Mais especificamente, a palavra “modelo” é derivada do latim modulus, que significa essencialmente uma versão “menor” do original. O “modelo” de um objecto, por exemplo, é tipicamente a versão em miniatura ou a representação deste objecto. Um “modelo de trabalho” (como o de uma máquina) é algo que pode fazer, numa escala menor, o trabalho que a própria máquina faz, ou se supõe que faça.
A noção de um “modelo” também passou a significar “uma descrição ou analogia usada para ajudar a visualizar algo (como um átomo) que não pode ser observado directamente.” Também pode ser usado para indicar “um sistema de postulados, dados e conclusões apresentadas como uma descrição formal de uma entidade ou de uma situação comercial.”
Deste modo, um combóio em miniatura, um mapa da localização das estações do combóio mais importantes ou a tabela de horário dos combóios, são todos exemplos de diferentes tipos de modelos possíveis de um sistema ferroviário. O propósito deles é emular algum aspecto do sistema ferroviário real e fornecer informações úteis para lidar melhor com as interacções em relação a este sistema. O combóio em miniatura, por exemplo, pode ser usado para avaliar o desempenho de um combóio sob certas condições físicas; o mapa das estações pode ajudar a planear o itinerário mais eficiente para se chegar a uma determinada cidade; o horário dos combóios pode ser usado para determinar o tempo exigido para uma determinada jornada. A partir dessa perspectiva, o valor fundamental de qualquer modelo é a sua utilidade.
Visão geral da modelagem na PNL
Modelagem do comportamento envolve a observação e o mapeamento dos processos bem-sucedidos que formam a base de algum tipo de desempenho excepcional. É um processo de tomar um evento complexo, ou uma série de eventos, e dividi-lo em pequenos segmentos suficientes para que o evento possa ser recapitulado de alguma maneira. O propósito da modelagem comportamental é criar um mapa pragmático ou ‘modelo’ deste comportamento que pode ser usado para reproduzir ou simular algum aspecto deste desempenho por qualquer um que esteja motivado a fazer isso. O objectivo do processo de modelagem do comportamento é identificar os elementos essenciais de pensamento e de acção exigidos para produzir a reacção ou resultado desejado. Em oposição ao fornecimento de dados puramente correlatos ou estatísticos, o ‘modelo’ de um comportamento particular precisa de fornecer uma descrição do que é necessário para realmente alcançar um resultado similar.
O campo da Programação NeuroLinguística (PNL) tem se desenvolvido além da modelagem dos processos do comportamento e dos pensamentos humanos. Os procedimentos da modelagem na PNL envolvem a descoberta de como o cérebro (“Neuro”) está operando, a análise dos padrões de linguagem (“Linguística”) e a comunicação não verbal. Os resultados dessa análise são depois colocados em estratégias de passo a passo ou programas (“Programação”) que podem ser usados para transferir essas habilidades para outras pessoas e áreas.
De facto, a PNL começou quando Richard Blander e John Grinder modelaram os padrões de linguagem e de comportamento dos trabalhos de Fritz Perls (fundador da terapia Gestalt), Virgínia Satir (fundadora da terapia de família e da terapia sistémica) e Milton H. Erickson, M.D. (fundador da Sociedade Americana de Hipnose Clínica). As primeiras ‘técnicas’ da PNL originaram-se dos padrões verbais e não verbais que Grinder e Bandler observaram no comportamento desses excepcionais terapeutas. A implicação do título do primeiro livro deles, A Estrutura da Magia (1975), era que o que parecia magia e inexplicável tinha, muitas vezes, uma estrutura mais profunda que, quando iluminada, podia ser entendida, comunicada e colocada em prática por outras pessoas afora os raros ‘magos’ excepcionais que tinham executado inicialmente a magia. A PNL é o processo pelo qual as peças relevantes do comportamento dessas pessoas foram descobertas e depois organizadas num modelo de trabalho.
A PNL desenvolveu técnicas e distinções para identificar e descrever os padrões verbais e não verbais do comportamento das pessoas – isto é, os aspectos essenciais do que a pessoa fala e o que ela faz. Os objectivos básicos da PNL são modelar capacidades especiais e excepcionais e ajudar para que essas capacidades se tornem transferíveis para outras pessoas. O propósito desse tipo de modelagem é colocar o que foi observado e descrito em acção numa maneira que seja produtiva e enriquecedora.
As ferramentas da modelagem da PNL permitem-nos identificar padrões específicos e reproduzíveis na linguagem e no comportamento das pessoas que servem de exemplo. Enquanto a maior parte das análises da PNL é feita, na verdade, observando e ouvindo essas pessoas que servem de exemplo em acção, muita informação valiosa também pode ser reunida aos poucos dos registos escritos.
O objectivo da modelagem da PNL não é terminar com uma descrição ‘certa’ ou ‘errada’ do processo de pensamento de uma pessoa em particular, mas sim fazer um mapa instrumental que nos permite aplicar as estratégias que modelamos de alguma maneira útil. Um ‘mapa instrumental’ é um que nos permite agir mais eficazmente – a ‘precisão’ ou ‘veracidade’ do mapa é menos importante do que a sua ‘utilidade’. Deste modo, a aplicação instrumental das estratégias comportamentais ou cognitivas modeladas de um indivíduo particular ou um grupo de indivíduos envolve colocá-las em estruturas que nos permitem usá-las para algum propósito prático. Esse propósito pode ser similar ou diferente daquele para o qual o modelo foi usado inicialmente.
Por exemplo, algumas aplicações de modelagem comuns incluem:
- Compreender melhor alguma coisa desenvolvendo mais ‘meta-cognição’ sobre os processos que formam a sua base – a fim de sermos capazes de ensinarmos isso, por exemplo, ou de usá-lo como um tipo de “marca de referência.”
- Repetir ou refinar um desempenho (uma situação desportiva ou de gestão) especificando os passos seguidos pelo executor experiente ou ocorridos durante exemplos muito favoráveis da actividade. Essa é a essência do movimento do ‘processo de reengenharia empresarial’ nas empresas.
- Alcançar um resultado específico (como uma soletração eficaz ou o tratamento de fobias ou alergias). Em vez de modelar um único indivíduo, isso é realizado, muitas vezes, desenvolvendo ‘técnicas’ baseadas na modelagem de diversos exemplos ou casos bem-sucedidos.
- Extrair e/ou formalizar um processo a fim de aplicá-lo num conteúdo ou contexto diferente. Por exemplo, uma estratégia eficaz para gerir uma equipa desportiva também pode ser aplicada para gerir um negócio, e vice-versa. De certa maneira, o desenvolvimento do ‘método científico’ veio desse tipo de processo onde as estratégias de observação e análises foram desenvolvidas para uma área de estudo (como a física) também foram aplicadas noutras áreas (como a biologia).
- Tirar dedução de alguma coisa que está vagamente baseada no processo real do método. Um bom exemplo disso é a representação imaginosa de Sherlock Holmes realizada por Sir Arthur Conan Doyle que era baseada nos métodos de fazer diagnósticos do seu professor da escola de medicina Joseph Bell.
Estrutura profunda e estrutura de superfície
A PNL retira muitos dos seus princípios e distinções do campo da gramática transformacional (Chomsky 1957, 1965) como uma maneira de criar modelos do comportamento verbal das pessoas. Um dos princípios essenciais da gramática transformacional é que comportamentos, expressões e reacções tangíveis são ‘estruturas de superfície’ que são o resultado de trazer as ‘estruturas mais profundas’ para a realidade.
Essa é outra maneira de se dizer que os modelos que nós fazemos do mundo à nossa volta com os nossos cérebros e a nossa linguagem não são o mundo em si, mas representações dele. Uma implicação importante dos princípios da gramática transformacional é que existem múltiplos níveis de estruturas, sucessivamente mais profundas na estrutura e organização dentro de qualquer sistema de codificação. Uma importante implicação disso, com relação à modelagem, é que pode ser necessário explorar vários níveis da estrutura profunda atrás de um desempenho particular, a fim de se produzir um modelo efectivo. Além disso, diferentes estruturas de superfície podem ser reflexos das estruturas profundas comuns. Para uma modelagem efectiva, é importante, muitas vezes, examinar múltiplos exemplos de estruturas de superfície para conhecer ou identificar melhor a estrutura mais profunda que a produz.
Uma outra maneira de pensar sobre a relação entre a estrutura profunda e a estrutura de superfície é a distinção entre “processo” e “produto”. Produtos são expressões ao nível de superfície dos processos produtivos mais profundos e menos tangíveis que são a sua fonte. Assim, “estruturas profundas” são potenciais ocultos que se tornaram evidentes em estruturas de superfície concretas como resultado de um conjunto de transformações. Esse processo inclui tanto a destruição selectiva como a construção selectiva dos dados.
A esse respeito, um dos desafios fundamentais da modelagem vem do facto de que o movimento entre a estrutura profunda e a estrutura de superfície está sujeita ao processo de generalização, extinção e distorção. Isto é, alguma informação é necessariamente perdida ou distorcida na transformação da estrutura profunda para estrutura de superfície. Na linguagem, por exemplo, esses processos ocorrem durante a translacção de estrutura profunda (como as imagens mentais, sons, sensações e outras representações sensoriais que estão armazenadas no nosso sistema nervoso) para estrutura de superfície (as palavras, sinais e símbolos que escolhemos para descrever ou representar a nossa experiência sensorial primária). Nenhuma descrição verbal é capaz de representar completa ou acuradamente a ideia que ela está a tentar expressar.
Os aspectos da estrutura profunda que se tornaram evidentes, são aqueles para os quais suficientes ligações perdidas (extinções, generalizações, distorções) foram preenchidas para que o potencial oculto no nível da estrutura profunda seja capaz de completar a série de transformações necessárias para se tornarem evidentes como estrutura de superfície. Uma das metas do processo de modelagem é identificar o conjunto completo de transformações suficientes para que uma expressão apropriada e útil da estrutura profunda possa ser alcançada.
Capacidades de modelagem
O foco da maioria dos processos de modelagem da PNL é ao nível das capacidades. As capacidades conectam as crenças e os valores a comportamentos específicos. Sem o como, saber o que alguém deve fazer, e mesmo porque fazer isso, é basicamente ineficiente. Capacidades e habilidades fornecem os elos e a alavancagem para revelar a nossa identidade, valores e crenças como acções num ambiente particular.
A propósito, o facto de que os procedimentos de modelagem da PNL tendem a focar-se nas capacidades não significa que eles considerem somente este nível de informação. Muitas vezes, a gestalt de crenças, valores, sentido do self e os comportamentos específicos são essenciais para produzir a capacidade desejada. A PNL assegura que, ao focar-se nas capacidades desenvolvidas, serão produzidas as mais práticas e úteis combinações da “estrutura profunda” e da “estrutura de superfície”.
É mais importante ter em mente que as capacidades são uma estrutura mais profunda do que tarefas ou procedimentos específicos. Procedimentos são tipicamente uma sequência de acções ou passos que conduzem à realização de uma tarefa particular. Habilidades e capacidades, entretanto, são frequentemente “não lineares” na sua aplicação. Uma capacidade ou habilidade particular (como a capacidade de pensar com criatividade ou de se comunicar efectivamente) pode servir como apoio para diferentes tipos de tarefas, situações e contextos. As capacidades precisam ser capazes de serem “acedidas aleatoriamente” já que o indivíduo precisa ser capaz de recorrer imediatamente a diferentes habilidades em diferentes momentos numa tarefa, situação ou contexto particular. Ao invés de uma sequência linear de passos, as habilidades estão, desta maneira, organizadas em torno do T.O.T.S. – um laço de feedback entre a) metas b) a escolha de significados usados para executar essas metas e c) a evidência usada para avaliar o progresso com relação às metas.
De acordo com a PNL, a fim de modelar efectivamente uma habilidade ou um determinado desempenho, nós precisamos de identificar cada um dos elementos chaves do T.O.T.S. relacionados a esta habilidade ou desempenho:
- As metas do executor.
- A evidência ou os procedimentos de comprovação usados pelo executor para determinar o progresso com relação às metas.
- O conjunto de escolhas usado pelo executor para alcançar a meta e os comportamentos específicos usados para implementar essas escolhas.
- A maneira que o executor reage se a meta não é atingida inicialmente.
Níveis de complexidade das habilidades e capacidades
Deve-se lembrar que as capacidades em si são de natureza e níveis de complexidade diferentes. Algumas habilidades e capacidades são, de facto, compostas de outras habilidades e capacidades. A capacidade de “escrever um livro” é composta pela capacidade relacionada com o vocabulário, gramática e soletração da língua em que se está a escrever, bem como do conhecimento relacionado ao assunto do livro. Elas são frequentemente referidas como “T.O.T.S. aninhadas,” “sub-laços” ou “sub-habilidades” porque elas relacionam-se com os menores segmentos fora dos quais foram formadas as habilidades mais sofisticadas ou complexas. A capacidade de “liderança,” por exemplo, é composta de muitas sub-habilidades, como as que se referem à comunicação efectiva, ao estabelecimento de rapport, a solução de problemas, ao pensamento sistémico, etc.
Desta maneira, o processo de modelagem em si pode ser dirigido para diferentes níveis de complexidade com relação às habilidades e capacidades particulares.
- Habilidades de comportamento simples envolveriam acções específicas, concretas, facilmente observáveis que ocorrem dentro de curtos períodos de tempo (de segundos a minutos). Exemplos de habilidades de comportamentos simples incluiriam: fazer um determinado movimento de dança, entrar num estado especial, fazer pontaria com um arco, etc.
- Habilidades cognitivas simples seriam processos mentais específicos, facilmente identificáveis e analisáveis que ocorrem num curto período de tempo (de segundos a minutos). Exemplos de habilidades cognitivas simples seriam: recordar nomes, soletrar, adquirir um vocabulário simples, criar uma imagem mental, etc. Esses tipos de habilidades de pensamento produzem resultados comportamentais facilmente observáveis que podem ser avaliados e que produzem feedback imediato.
- Habilidades linguísticas simples envolveriam o reconhecimento e o uso de palavras chaves, frases e perguntas específicas, tais como: fazer perguntas específicas, reconhecer e reagir a palavras-chave, rever ou ‘retornar’ a frases chaves, etc. De novo, o desempenho dessas habilidades é facilmente observável e avaliado.
- Habilidades de comportamento complexo (ou interactivo) envolvem a construção e a coordenação de sequências ou combinações de acções de comportamento simples. Capacidades como fazer jogos de mão (magia), aprender uma arte marcial, executar uma jogada bem-sucedida num determinado desporto, fazer uma apresentação, fazer um papel numa peça ou num filme, etc., seriam exemplos das habilidades de comportamento complexo.
- Habilidades cognitivas complexas são aquelas que exigem uma síntese ou sequência de outras habilidades de pensamento simples. Criar uma história, diagnosticar um problema, solucionar um problema de álgebra, compor uma canção, planear um projecto de modelagem, etc., seriam exemplos de capacidades envolvendo habilidades cognitivas complexas.
- Habilidades linguísticas complexas envolveriam o uso interactivo da linguagem em situações (muitas vezes espontâneas) altamente dinâmicas. Capacidades como persuasão, negociação, ressignificação verbal, o uso do humor, contar histórias, fazer uma indução hipnótica, etc., seriam exemplos de capacidades envolvendo habilidades linguísticas complexas.
Claramente, cada nível de habilidade necessita de incluir e incorporar as capacidades, ou T.O.T.S., empregadas pelos níveis precedentes a ele. Desta maneira, tipicamente é mais desafiador e complicado modelar habilidades complexas do que as simples; e é mais fácil aprender a modelar começando com comportamentos e habilidades cognitivas simples antes de passar para tarefas mais complexas. Contudo, frequentemente, as habilidades complexas podem ser “segmentadas para baixo” para um grupo ou sequência de habilidades mais simples.
Metodologia da modelagem
Uma das partes centrais do processo de modelagem é a metodologia usada para colectar informações e identificar aspectos relevantes e padrões relativos ao T.O.T.S. da pessoa sendo modelada. Enquanto a forma padrão para colectar informações, como questionários e entrevistas, pode acessar algumas informações são, muitas vezes, insuficientes na identificação das operações inconscientes ou intuitivas usadas pelo especialista humano. Muitas vezes elas também assumem ou apagam informações importantes com relação ao contexto.
Além dos questionários e entrevistas, frequentemente é útil e necessário, incorporar métodos mais activos para colectar informação como encenações, simulações e observações da ‘vida real’ do especialista no contexto. Embora a metodologia de modelagem da PNL emprega entrevista e questionários, a forma primária da modelagem na PNL é feita comprometendo interactivamente o indivíduo a ser modelado com múltiplos exemplos da habilidade ou desempenho que está sendo estudado. Isso fornece uma informação de “qualidade mais elevada,” e cria a melhor chance de “capturar” os padrões mais práticos (da mesma maneira que ter um modelo vivo é geralmente muito mais desejável para um artista trabalhar do que uma descrição verbal).
Três perspectivas básicas em modelagem
Modelar muitas vezes exige que nós façamos uma descrição “dupla” ou “tripla” do processo ou do fenómeno que estamos tentando recriar. A PNL descreve três posições perceptivas fundamentais a partir das quais a informação pode ser colectada e interpretada: a primeira posição (associada na própria perspectiva de alguém), a segunda posição (percebendo a situação a partir do ponto de vista da outra pessoa) e a terceira posição (vendo a situação como um observador não envolvido). Todas as três perspectivas são essenciais para uma efectiva modelagem de comportamento.
Existe também uma quarta posição perceptiva, que envolve a percepção da situação a partir da perspectiva de todo o sistema, ou o “campo relacional” envolvido na situação.
Como a PNL pressupõe que “o mapa não é o território,” que “cada um faz o seu próprio mapa individual de uma situação,” e que não existe um único mapa “correcto” de qualquer experiência ou evento, tomar perspectivas múltiplas é uma habilidade essencial para modelar efectivamente um desempenho ou actividade particular. Perceber uma situação ou experiência a partir de múltiplas perspectivas permite a pessoa obter insights e conhecimentos mais amplos com relação ao evento.
Modelar da ‘primeira posição’ envolveria a nós mesmos testando algo e explorando a maneira que “nós” fazemos isso. Nós vemos, ouvimos e sentimos a partir da nossa própria perspectiva. Modelar da ‘segunda posição’ envolve colocar-se ‘nos sapatos’ da outra pessoa que está sendo modelada, tentando pensar e agir tão possível quanto essa pessoa. Isso pode fornecer importantes intuições sobre aspectos significativos porém inconscientes dos pensamentos e acções da pessoa sendo modelada. Modelar da ‘terceira posição’ envolveria afastar-se e observar, como uma testemunha não envolvida, a pessoa a ser modelada interagindo com as outras pessoas (inclusivé connosco). Na terceira posição, nós suspendemos os nossos julgamentos pessoais e percebemos apenas o que os nossos sentidos percebem, como cientistas ao examinar objectivamente um determinado fenómeno através de um telescópio ou microscópio. ‘Quarta posição’ envolveria um tipo de síntese intuitiva de todas essas perspectivas, a fim de conseguir um sentido para todo o ‘gestalt.’
Modelagem implícita e explícita
O desempenho hábil pode ser descrito como uma função de duas dimensões fundamentais: consciência (conhecimento) e competência (acção de fazer). É possível saber ou entender alguma atividade, mas ser incapaz de fazer isso (incompetência consciente). Também é possível ser capaz de fazer bem uma actividade particular, mas não saber como se faz isso (competência inconsciente). O domínio de uma habilidade envolve tanto a capacidade de “fazer o que você sabe” como “saber o que você está a fazer.”
Um dos maiores desafios em modelar especialistas vem do facto de que muitos comportamentos críticos e elementos psicológicos que lhes permitem distinguir-se são basicamente inconscientes e intuitivos para eles. Como resultado, eles são incapazes de fornecer uma descrição directa dos processos responsáveis pelas suas próprias capacidades excepcionais. De facto, muitos especialistas evitam, de propósito, pensar sobre o que estão fazendo e como estão fazendo, com medo que isso interfira com as suas intuições. Essa é outra razão porque é importante sermos capazes de modelar a partir de diferentes posições perceptivas.
Uma das metas de modelagem é extrair e identificar as competências inconscientes das pessoas e levá-las para a consciência a fim delas serem mais bem entendidas, optimizadas e transferidas. Por exemplo, a estratégia inconsciente de um indivíduo, ou T.O.T.S., para “saber que perguntas fazer,” “surgir com sugestões criativas,” ou “adaptar os aspectos não verbais do estilo de liderança de alguém,” podem ser modeladas e depois transferidas como uma habilidade ou competência consciente.
Competências cognitivas e comportamentais podem ser modeladas tanto ‘implícita” como ‘explicitamente.’ Modelagem implícita envolve mover-se primeiro para a ‘segunda posição’ com relação a pessoa que está sendo modelada a fim de construir intuições pessoais sobre a experiência subjectiva deste indivíduo. Modelagem explícita envolve mover-se para a ‘terceira posição’ para descrever a estrutura explícita da modelagem da experiência da pessoa pois assim ela pode ser transferida para os outros.
Modelagem implícita é primariamente um processo indutivo no qual nós compreendemos e percebemos os padrões no mundo a nossa volta. Modelagem explícita é essencialmente um processo dedutivo no qual descrevemos e colocamos estas percepções em prática. Os dois processos são necessários para a modelagem efectiva. Sem a fase “implícita” não existe nenhuma base intuitiva efectiva da qual construir um modelo “explícito”. John Grinder, como co-fundador da PNL, chamou à atenção de que: “É impossível fazer a descrição da gramática de uma língua da qual não temos nenhuma intuição.” Por outro lado, sem a fase “explícita,” a informação que foi modelada não pode desenvolver técnicas ou ferramentas e transferida para os outros. A modelagem implícita em si mesma irá ajudar uma pessoa a desenvolver a competência pessoal e inconsciente com o comportamento desejado (é a maneira como as crianças aprendem tipicamente). Criar uma técnica, procedimento ou conjunto de habilidades que pode ser ensinado ou transferido para os outros além de nós, exige algum grau de modelagem explícita. Uma coisa é, por exemplo, aprender a soletrar bem, ou desenvolver uma boa defesa em karaté; outra coisa é ensinar uma outra pessoa como fazer o que você aprendeu.
A PNL, de facto, nasceu da união da modelagem implícita com a explícita. Richard Bandler modelou intuitivamente “implicitamente” as habilidades linguísticas de Fritz Perls e Virginia Satir através de vídeos gravados e da experiência directa. Bandler era capaz de reproduzir muitas dos resultados terapêuticos de Perls e Satir fazendo perguntas e usando a linguagem de maneira similar a que eles faziam. Grinder, que era linguista, observou Bandler trabalhando um dia, e ficou impressionado pela capacidade de Bandler influenciar os outros com o uso da sua linguagem. Grinder podia perceber que Bandler estava fazendo algo sistemático, mas era incapaz de definir explicitamente o que era. Bandler também era incapaz de descrever explicitamente ou explicar exactamente o que ele estava fazendo e como estava fazendo. Ele só sabia que tinha, de alguma maneira, “modelado” algo de Perls e Satir. Os dois homens estavam intrigados e curiosos para ter um conhecimento mais explícito dessas capacidades que Bandler tinha implicitamente modelado destes excepcionais terapeutas – um conhecimento que iria permitir-lhes transferir isso como uma ‘competência consciente’ para outros. Nesse ponto Grinder fez uma proposta para Bandler: “Se você me ensinar a fazer o que está a fazer, então eu lhe direi o que você está a fazer.”
De certo modo, o convite de Grinder marca o início da PNL. As palavras de Grinder encapsularam a essência do processo de modelagem da PNL: “Se você me ensinar a fazer o que você está a fazer (se você me ajudar a desenvolver a intuição implícita, ou a ‘competência inconsciente’, que você possui para que eu também possa alcançar resultados similares), “então eu dir-lhe-ei o que você está a fazer” (então eu posso fazer uma descrição explícita dos padrões e processos que nós os dois estamos a usar). Observe que Grinder não diz: “se você me permitir observar objectivamente e analisar estatisticamente o que você está a fazer, então eu lhe direi o que você está a fazer.” Grinder disse: “Ensine-me a fazer o que você está a fazer.” A modelagem origina-se das intuições práticas e instrumentais que vieram da “liderança com experiência.”
Grinder e Bandler foram capazes de trabalhar juntos para criar o Metamodelo (1975) sintetizando (a) as suas intuições compartilhadas sobre as capacidades verbais de Perls e Satir, (b) observações directas (tanto ao vivo como em fitas gravadas) de Perls e Satir trabalhando, e (c) o conhecimento explícito de Grinder sobre linguística (em particular, gramática transformacional).
Bandler e Grinder trabalharam em conjunto, mais tarde, para aplicar um processo similar para modelar alguns dos padrões da linguagem hipnótica de Milton H. Erickson; nessa época Grinder também participava na modelagem inicial “implícita” do comportamento de Erickson. Eles, e os outros desenvolvedores da PNL, usaram desde então esse processo de modelagem para criar inúmeras estratégias, técnicas e procedimentos em praticamente cada área da competência humana.
Este artigo está disponível no site de Robert Dilts sob o nome Modelind e foi adaptado por Fernando fraga
O piquenique das tartarugas

Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique.
As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram sete anos para se prepararem para o seu passeio.
Finalmente a família de tartarugas saiu de casa para procurar um lugar apropriado. Durante o segundo ano da viagem encontraram um lugar ideal!
Por aproximadamente seis meses limparam a área, desembalaram a cesta de piquenique e terminaram os arranjos. Então descobriram que se tinham esquecido do sal. Um piquenique sem sal seria um desastre, todas concordaram.
Após uma longa discussão, a tartaruga mais nova foi escolhida para voltar em casa e trazer o sal, pois era a mais rápida das tartarugas. A pequena tartaruga lamentou, chorou, e esperneou. Concordou em ir mas com uma condição: que ninguém comeria até que ela voltasse. A família consentiu e a pequena tartaruga lá saiu.
Três anos se passaram e a pequena tartaruga não tinha voltado. Cinco anos… Seis anos… Então, no sétimo ano da sua ausência, a tartaruga mais velha não aguentava mais conter a sua fome. Anunciou que ia comer e começou a desembalar uma sanduíche. Nesta hora, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou:
- Viram! Eu sabia que vocês não iam esperar por mim. Agora é que eu não vou mesmo buscar o sal.
Descontando os exageros…
Na nossa vida as coisas acontecem mais ou menos da mesma forma.
Nós desperdiçamos o nosso tempo esperando que as pessoas vivam à altura das nossas expectativas. Ficamos tão preocupados com o que os outros fazem que deixamos de fazer as nossas próprias coisas.
Será que isto vos diz algo? - A mim diz-me e muito…


Nasrudin sobrevivia numa dieta miserável de pão e ervilhas. O seu vizinho, que também se dizia um homem sábio, morava num palacete e deliciava-se com refeições sumptuosas oferecidas pelo próprio imperador.
Um dia o vizinho interpelou Nasrudin;
- Se você ao menos aprendesse a bajular o imperador e a ser subserviente como eu não precisaria de viver de pão e ervilhas
- E se você ao menos aprendesse a viver de pão e ervilhas como eu não precisaria de bajular e ser subserviente ao imperador – respondeu Nasrudin.