Wednesday, September 17, 2008

O HOMEM EM BUSCA DA SATISFAÇÃO PESSOAL

                   Se o homem “não é uma ilha”, também não é uma máquina. Podemos fazer esta afirmativa, certos de que o complexo humano transcende de pronto os nossos conceitos e definições superficiais e apressados, pois o homem é mais que o seu conjunto biológico perfeito que o faz humano – o homem é, por assim dizer, um ser Divino.

                   Vamos enfocar a  procura da satisfação pessoal e o reconhecimento social - o Homem numa visão holística e mais compatível com a sua destinação gloriosa de ser o único ser inteligente e dotado de senso e emoções a povoar o planeta.

                   Não podemos falar em “satisfação pessoal” sem falar em “sociedade”, considerando que a interligação, a inter-relação entre o “eu” e o “outro” é condição fundamental para o bem estar em qualquer enfoque. Assim  pois, o homem é um ser relacional e somente dessa forma se pode auto-realizar em qualquer empreendimento.

                   A presente abordagem da satisfação humana que despretensiosamente será apresentada, levará em conta os seguintes aspectos:

-         o sócio-económico

-         o psico-fisiológico

-         o espiritual (1)

 

                 No aspecto sócio-económico vamos abordar o homem como sujeito inserido no contexto de uma sociedade, que vem ao longo dos milénios arrastando tradições e  culturas, ora agente, ora paciente soterrado nos escombros de incompreensíveis mecanismos capitalistas – herdeiro, afinal de toda a história, desde as sociedades tribais, até a pós-moderna e globalizada.

                   Numa rápida e pequena retrospectiva, para não adentrar muito em escolas filosóficas através dos tempos, poderá situar o homem da forma que o trabalho se propõe. Até o ano 1750 o homem viveu a Revolução Agrícola, em 1970 a Revolução Industrial, em 1990 a Revolução da Informação e na actualidade de um lado a expectativa da new age com uma nova visão, uma visão holística, e por outro lado as consequências de sequelas que ainda impregnaram as memórias e a cultura… tudo dolarizado, digitalizado, para o assombro do próprio homem.

         Em que época podemos dizer, do aspecto sócio-económico que o homem alcançou a satisfação pessoal como ser humano produtivo? Poderíamos dizer que cada época fez o apogeu de minorias privilegiadas e massificou a maioria impotente, insatisfeita.

         A actualidade apresenta alternativas impossíveis de pensadas nas eras anteriores: o homem no contexto profissional em qualquer degrau da escala hierárquica em que se situe, hoje é alvo de cuidados e atenções especiais. Isso porque a alienação a que foi sendo constrangido, gerou males que assolam o trabalhador, o empregado, o empresário o empreendedor e a sua vida de relação em sociedade, e para citar algumas bem conhecidas a do stress e a depressão.

         Tendo o homem chegado ao ápice da insatisfação, irrealizado, aposentando-se com o desgosto de não ter chegado a lugar algum senão à idade ou ao tempo de serviço, isso  levou-o a sentir que ele busca algo mais que simplesmente trabalhar, ser produtivo, estar bem colocado na sociedade, ser aplaudido, ganhar dinheiro ou aposentar-se: o homem descobriu que precisa de “um sentido para a vida”… E sem esse significado, que cada qual tem o seu, pessoal, particular e intransferível, o homem jamais atingirá a plenitude da satisfação pessoal…  E essa procura de sentido, de uma certa forma, leva o homem a escapar da alienação do mundo pós-moderno, onde há uma indiferença estampada, um tendência generalizada ao entorpecimento dos sentidos e da sensibilidade.

         Assim as empresas dão voltas com a revisão das suas organizações internas e o seu comportamento ético nas suas relações gerais e ante os seus funcionários e servidores.

          Surgiram então nas empresas os investimentos na direcção da motivação, dos incentivos, da participação, enfim, o empowerment representando um movimento de valorização da pessoa, do ser humano. A valorização dos sentimentos passou a ocupar lugar igual ou superior ao da produtividade. A exigência de modelos participativos e compensatórios cresceu ocupando o espaço do homem-máquina e a Gestão de Qualidade passou a valorar as qualidades dos seus recursos humanos, tanto quanto teve que valorizar a qualidade dos seus produtos. Não só valorar e valorizar, mas investir decisivamente no factor qualidade em todos os sentidos.

         Enfim, a satisfação pessoal, no aspecto sócio-económico passou a ser uma realidade para alguns e uma expectativa para outros. Evidentemente que esse não é o padrão. Mas o grande passo, a mudança de paradigmas foi realizada: não mais homem-número ou máquina, mas o homem-sentimento, o homem-ser-humano participativo, singular nas suas aptidões, competências, emoções, identificado com o trabalho e inserido no contexto de uma sociedade que o reconhece, respeita e até admira.

         Grandes mudanças aconteceram e  o êxito das grandes empresas nacionais e internacionais, que numa atitude ética despertaram para esse aspecto, são aquelas que mais se tem destacado no cenário mundial. Isso leva a crer que o seu sucesso será sempre um alvo a ser imitado. É quando então cada dia um número maior de empresas e empreendimentos, despertam para as necessidades e para o potencial humano ínsito de cada trabalhador, em qualquer escalão.

         Mas como o homem não se reduz às necessidades sócio-económicas, vamos levantar o próximo aspecto: o psico-fisiológico. Nesse aspecto o homem vê-se à volta com as suas raízes interiores e com a sua história pessoal mais íntima.

          Muitas vezes pode ser bem sucedido economicamente e socialmente e apresentar níveis de estados psicológicos de sofrimento, desajustes sociais ou de condições físicas debilitadas ou vulneráveis.

         O homem para usufruir da satisfação pessoal sob esse aspecto, deve ser o próprio agente das mudanças que têm que ser realizadas nos seus campos interiores. Muitas vezes infelicitado pelos apegos a pessoas, objectos, ideias e circunstâncias, vê-se às voltas com o medo  da perda, com a insegurança que pode  tornar-se um factor gerador de sofrimento para si e para aqueles com quem convive. Esse estado de “neurose” quase que generalizado no ser humano, leva-o mais depressa na direcção daquilo que ele próprio teme:  a perda da saúde, o envelhecimento e a morte.

         Todos os homens convivem com essa realidade que é uma fatalidade biológica. Mas nem todos se escravizam a ela de forma negativa gerando estados fóbicos ou de enfermidades psico-físicas de difícil detecção e erradicação.

         O medo gera o egoísmo, este gera o ciúme, este gera a possessão e daí surgem comportamentos depressivos quando não agressivos, violentos, comportamentos desajustados em relação à ética social e, por consequência, ao enfraquecimento do factor imunológico que por sua vez abre brechas para as enfermidades físicas de longo sofrimento, quando não incuráveis.

         Somente com a conquista do auto-conhecimento o homem se vacina contra esse círculo vicioso que pode fazê-lo insatisfeito e infeliz, embora aparentemente, ele tenha tudo para ser pleno.

         O estado psico-fisiológico, implica pois num estado mental saudável com o cultivo de pensamentos de paz, de contentamento, gratidão, de esperança e propósitos solidários, altruísticos, num enfoque de ética acima da moral vigente.

         Pode ser redundante, mas é importante ratificar que nesse aspecto, somente quem pode promover as mudanças é cada um – cada homem que se consciencializa de que além das suas necessidades materiais de “prazer” (2) e “poder” (3) de alguma forma, alguma coisa, ele é um ilustre desconhecido de si mesmo e das suas necessidades mais profundas.

         As escolas psicológicas multiplicaram-se em inúmeras abordagens em busca do apoio ao ser humano e de seu bem estar. As terapias e psicoterapias na actualidade são um elenco ricamente diversificado para atender a todas necessidades, níveis e até preferências.

         Melhor para o homem que busque remapear sos eus pensamentos e a sua direcção. E caso ele não disponha de condições pessoais para realizar isso  sozinho, que procure num profissional, um especialista, o apoio que se faz necessário para promover o seu auto-conhecimento. Isso quando consciente das suas necessidades de ordem mais profunda e pessoal, porque mais difícil é ter que passar a vida confinada à dependência de drogas “sociais” ou de drogas farmacêuticas que geram a ilusão de alívio, mas que amenizam os efeitos sem erradicar as causas.

         Assim, como podemos observar, o complexo humano não pode desprezar – em face da sua satisfação pessoal – mais esse aspecto, mais essa faceta de seu complexo Divino, criado para ser livre e feliz.   

         O último aspecto que relacionamos para avaliar das possibilidades do homem atingir a satisfação pessoal  é o espiritual.

         Neste enfoque o termo “espiritual” nos remete precipitadamente a uma interpretação reducionista, pois aprende-se desde a mais tenra idade, que este termo está ligado à religião, à morte e até ao bem e ao mal, como a dualidade contra e a favor da qual o homem se vê em larga batalha no decorrer da sua vida.

         Na actualidade, quando as religiões se convergem e há inclusive uma aproximação entre as culturas religiosas do ocidente e do oriente, vamos reencontrar o termo “espiritual” numa forma saneada, sem separativismos, sem preconceitos e sem medo de ser encarada como facto incontestável , parte essencial do Ser humano.

         O espiritual perde a tarja de religiosidade e ganha a visão mística, transcendental, fazendo ruir a velha associação com as práticas religiosas “partidárias” que da idade média até a actualidade, fez com que o  homem perdesse o “endereço de Deus”.

            Esse mesmo homem que hoje se depara com um conceito real, concreto e isento do que seja o aspecto espiritual, o fez no passado, buscando nos templos de pedra quando não das conveniências, o seu encontro com o seu perene oseu permanente, colhendo vazios e decepções que o distanciaram do seu aspecto de filho de uma eternidade que não vive distante dele, nem alheia a ele, que não se encontra após a morte, mas é filha da vida, e da satisfação com esta.

         Viver a espiritualidade pois é transcender a impermanência do Ser e de tudo, é o encontro do homem com a sua capacidade de estar no mundo, realizar-se e plenificar-se através dele, sem se tornar escravo das circunstâncias passageiras e sem ser indiferente a elas.

         A plenitude humana – e portanto, a satisfação pessoal, só poderá ser atingida com legitimidade se o homem se lembrar – ou se ele não se esquecer de que é dotado de sensibilidade para o bom, o bem o belo, o ético e o verdadeiro. Somente a partir desses sentimentos o homem verdadeiramente se humaniza e se diviniza em relação a si mesmo e ao outro – ou ao contexto social em que vive.

            É pelo aspecto espiritual que emerge a grandeza humana e desaparecem as tendências de se reduzir o humano e divino no irracional. É também o encontro com a verdade que o defende das estratégias de, a cada dia  contar para si mesmo mais uma mentira e auto-enganar-se, a título de autodefesa, de auto-protecção contra um inimigo, que na verdade vive dentro dele próprio… Assim ele está fugindo de assumir a sua oportunidade de amadurecimento, evolução, crescimento, transcendência, enfim o seu lado sempre-eterno, desde o aqui e agora para sempre, sem nenhuma punição, restrição ou preço impagável para isso – para ser feliz.

               Vivenciar o momento presente, transcendendo o sofrimento, as dificuldades, a própria pequenez porque encontra nela um significado mais profundo é o grande desafio… E depois dessa experiência que pode ser transmudada e experienciada em todos os eventos da vida humana, com certeza o que se conquista é a satisfação pessoal no seu aspecto mais legítimo, profundo e duradouro.

         Vale lembrar,  que até algum tempo atrás, o conceito de saúde era simplesmente “a ausência de doença”, mas hoje sabemos que muito mais do que isso, o homem pode estar sem nenhum episódio de doença e estar gravemente enfermo… De que forma?

         _Quando ele não está bem consigo mesmo. E isso muda a antiga definição de saúde que na actualidade é conceituada “como o estado de bem estar”. Ou seja é o estado de estar bem: apaziguado psicologicamente, harmonizado espiritualmente, vivendo em equilíbrio fisiológico e dentro de um ajustamento sócio-económico desejável. Essas as condições que reunidas dão a autenticidade à satisfação pessoal e geram a sua presença não como um estado inatingível, ou alcançado utopicamente por momentos, mas como o estado normal e comum ao homem pleno.

         Importante ratificar que a inter-relação ou o inter-relacionamento do homem numa convivência saudável em sociedade, depende decisivamente de factores mencionados no decorrer deste trabalho, que embora possam ter sido abordagens superficiais, com certeza deixaram um índice para maiores estudos.

                      Nenhum homem escapará à normalidade de enfermar, envelhecer e morrer, uma vez que essas imposições são fenómenos biológicos inevitáveis.  Mas em qualquer fase, em qualquer época da vida, o homem pode viver em estado de plenitude – ou de bem estar ou de satisfação pessoal no contexto da sociedade, basta que invista no seu ser integral. Investir apenas numa área de êxito humano, sempre deixará o vazio e a insatisfação nas demais. E não há como desfragmentar o homem e escolher apenas uma faceta com a qual viver…      

                      Qualquer felicidade decorrente da realização de apenas um aspecto do complexo humano, desconectado dos demais é questionável e duvidosa…

                   O grande momento da satisfação pessoal  acontece no decorrer do caos em que estamos a maioria mergulhados. Parar, observar, perceber, assumir tomando novas atitudes e alimentando-as ao preço de quem realmente escolheu viver melhor, com certeza é o convite que nos chega com o carimbo “urgente” em letras gritantes!!!

(1) Trilogia apresentada em Conferência pública pelo Orador e Médium Divaldo P. Franco.

(2) Teoria de Freud

(3) Teoria de Adler

In - Beth Costa

    


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Tuesday, September 16, 2008

CAPITAL INTELECTUAL: UM NOVO PARADIGMA PARA A GESTÃO DOS NEGÓCIOS

“Mesmo entre a crescente fileira de adeptos (…) a magnitude da revolução financeira representada pelo Capital Intelectual frequentemente não é compreendida. Na realidade, este novo modelo para medir o valor transformará não somente a economia, mas a própria sociedade na sua criação de riquezas e obtenção de valor.”

(Edvinsson & Malone, 1998:19)

Ex.:)

A MICROSOFT – empresa de Bill Gates e Paul Allen - é muito mais capital intelectual do que capital físico. O seu valor de mercado corresponde a cem vezes o valor do seu activo tangível.

A NOKIA, filial finlandesa, com apenas cinco empregados, factura 200 milhões de dólares ao ano.


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