Wednesday, November 26, 2008
O FUTURO PERTENCERÁ ÀS EMPRESAS E PAÍSES QUE VIRÃO A CONSTRUIR “IMPÉRIOS DA INTELIGÊNCIA”
O Tsunami Silencioso
No passado dia 22 de Abril de 2008 aquando a reunião mensal do World Food Programme, Josette Sheeran, Directora Executiva do WFP, declarou que a Humanidade está a enfrentar uma nova e terrível era de fome que poderá (re)conduzir milhões de pessoas à pobreza absoluta e fome extrema. As implicações desta onda inflacionária dos preços dos alimentos estão a ser sentidas em todos os países: desordem e instabilidade social, motins e revoltas em larga escala e governos impotentes ameaçam as fundações da sociedade moderna.
De acordo com o último relatório da WFP e do IFPRI (International Food Policy Research Institute) existem actualmente cerca de 110 milhões de pessoas no mundo cuja precariedade do ambiente socio-económico em que vivem é de tal ordem, que estão a mergulhar cada vez mais fundo na tragédia da pobreza extrema e na incapacidade de acompanhar os galopantes preços dos alimentos.
Este cenário poderá agravar-se drasticamente nos próximos anos, face ao panorama actual mundial: o aumento explosivo dos preços dos combustíveis, as implicações cada vez mais graves das alterações climáticas e o crescimento exponencial da população mundial são alguns dos factores chave que impulsionaram ainda mais um Tsunami já em velocidade cruzeiro.
Os dados da tragédia
· Nos mercados de alimentos internacionais, houve uma subida média de 92% dos preços dos cereais e os preços da comida subiram 54% face ao último ano
· Nos primeiros 4 meses de 2008, a tonelada de trigo rondou os US$430, uma subida de 108% em comparação com o mesmo período de 2007 (US$207)
· A WFP está também a pagar mais por alimentos básicos necessários às populações a que presta auxílio: +33% pelo milho, +50% pelo arroz (um bem absolutamente vital para milhares de milhões de pessoas na Ásia) e +73% pelo óleo vegetal
· As fracas colheitas que se têm verificado nos últimos anos – em parte devido às alterações climáticas – causaram a diminuição em 5% dos stocks das reservas mundiais de cereais, atingindo a quota mais baixa dos últimos 25 anos
· Aproximadamente mil milhões de pessoas vivem diariamente com menos de 1 dólar por dia, a barreira definida pela comunidade internacional como o limiar da pobreza absoluta
As principais causas do Tsunami
Esta catástrofe global, que poderá arrastar durante a próxima década mais de 300 milhões de pessoas para a pobreza extrema, tem início com a interligação de vários factores globais, constituintes de um mundo cada vez mais globalizado e inter-dependente.
A Economia Emergente da China e Índia
A Economia emergente dos países asiáticos como a Índia e a China tem sido um dos factores preponderantes para esta crise alimentar. O boost económico destes países tem proporcionado aos seus habitantes um poder de compra cada vez maior, permitindo o consumo crescente de comida e outros bens comerciais. Esta tremenda e súbita procura por alimentos não foi convenientemente suportada pelo sistema de produção mundial de alimentos, uma vez que, à crescente quantidade de alimentos dispensada a estes países, tem correspondido uma percentagem de alimentos cada vez menor nos países com poder de compra inferior (África, Ásia Oriental, Bangladesh, etc.). Desta forma, cumulativamente à escassez de comida, os preços da comida tendem a subir drasticamente, diminuindo ainda mais o poder de compra dessas populações.
Crescimento Exponencial da População Mundial
Outro factor chave na crise alimentar global é o crescimento exponencial da população mundial. No decorrer do último século, a população total do planeta sofreu um aumento de cerca de 4 vezes. Com uma população actual de cerca de 6,65 mil milhões de pessoas, as estatísticas de 2007 do U.S. Census Bureau International indicam que, baseando-se num crescimento anual da população de 1,5%, a população mundial atinja a marca dos 10 mil milhões em 2050. Com esta taxa alarmante de crescimento populacional, a Humanidade enfrenta graves problemas relacionados com a sustentabilidade da Terra para as gerações futuras, uma vez que a procura crescente de recursos naturais (energia e alimentos) se tornará cada vez mais um motor gerador de conflitos entre populações necessitadas, condenando a maior parte dos países em desenvolvimento a uma sentença de morte.
Alterações Climáticas
As alterações climáticas constituem uma das, senão a principal causa, da súbita e explosiva crise de alimentos mundial. As alterações climáticas, entre outros efeitos, causam secas e cheias severas, afectando milhões de hectares de colheitas. Se estes fenómenos ocorrem principalmente nos principais países produtores de alimentos, a produção destes cai significativamente. Como a procura ultrapassa grandemente a oferta, os preços tendem a subir vertiginosamente, causando ainda mais fome nos países pobres.
Quando uma cheia atinge uma certa área (como o resultado da passagem de um furacão, etc.), as infra-estruturas de toda a região ficam totalmente destruídas: fornecimento de água, electricidade… Consequentemente, o sustento das populações, principalmente a agricultura, é dizimado, deixando milhões de pessoas a morrer à fome e sem o assegurar de necessidades básicas de vida. Posteriormente, é de notar também que as regiões afectadas pelas cheias ficam impróprias para cultivo num intervalo de cerca de 5 anos, agravando ainda mais a situação.
Por outro lado, as secas severas constituem um problema de igual gravidade para as populações atingidas, uma vez que conduzem à paragem total de fornecimento de água em vastas regiões inteiramente dependentes da agricultura para sobreviver, causando estragos massivos nas produções locais e, logo, na oferta local e global de alimentos. Adicionalmente, também os reservatórios de água existentes ficam impróprios para consumo, uma vez que os cursos de água reduzidos aumentam a concentração de poluentes nessas águas armazenadas.
Os Biocombustíveis
Na opinião de muitos especialistas, o uso crescente dos biocombustíveis, acelerou tremendamente este “Tsunami Silencioso”. Face aos elevados preços dos combustíveis fósseis, alguns países industrializados têm procurado alternativas de combustível que, por vezes, e no caso dos biocombustíveis, são decididamente uma escolha não acertada. Os designados “biocombustíveis de 1ª geração”, os mais utilizados actualmente, rapidamente demonstraram ser inteiramente insustentáveis, representando mesmo um grande retrocesso nas políticas energéticas sustentáveis.
Os biocombustíveis são combustíveis líquidos ou gasosos derivados de biomassa – material orgânico, residual ou não, disponíveis numa base dita “renovável e sustentável” como árvores, colheitas agrícolas (cereais, sementes de girassóis, etc) ou resíduos biodegradáveis (feno, resíduos florestais, etc.). Os “biocombustíveis de 1ª geração” são produzidos utilizando tecnologia convencional, através do açúcar, óleo vegetal ou gorduras animais. Dos vários biocombustíveis produzidos, destacam-se os seguintes: biodiesel, muito utilizado na Europa e EUA, produzido de óleo vegetal; bioalcool, produzido do etanol, um composto extraído maioritariamente da cana do açúcar, e que é muito utilizado no Brasil, onde a produção de cana do açúcar tem sido cada vez mais direccionada à produção deste biocombustível. Estes biocombustíveis de 1ª geração, apesar de alguns aspectos positivos imediatos, são decididamente insustentáveis, visto que existe um nível a partir do qual não é possível produzir suficiente biocombustível sem ameaçar as reservas de alimentos e a própria biodiversidade. De acordo com o próprio Bob Geldof, numa recente entrevista em Portugal, “para produzir uma parte de biocombustível, são necessárias 5 partes de outros recursos como alimentos, fertilizantes e solo arável”.
A FAO, Food and Agriculture Organization, indica que os agricultores norte-americanos, incentivados por subsídios federais e pelo preço crescente dos combustíveis, têm focado a sua produção agrícola numa perspectiva puramente energética (produção de biocombustíveis), interrompendo a reposição dos mercados globais com cereais e outras culturas essenciais às populações de todo o mundo.
Os impactos
A situação atingiu um estado de gravidade tal, que o Primeiro Ministro Inglês Gordon Brown já canalizou cerca de U.S.$900 milhões para ajudar os países mais necessitados. Aumentou, também, o descontentamento em muitos países em desenvolvimento: protestos emergiram na África, Ásia e América Central. Em particular, a Indonésia, o Haiti, os Camarões e o Egipto foram vítima de motins. Mais ainda, muitas populações asiáticas e africanas estão a reduzir na quantidade de refeições diárias e no seu conteúdo, sendo incapazes de acompanhar a subida dos preços dos alimentos, particularmente o arroz, a base da sua alimentação, dado que este já aumentou 60% desde o ano passado…
O problema actual ultrapassa mesmo a barreira da fome extrema das populações totalmente empobrecidas, visto que classes médias, tradicionalmente com algum poder de compra, estão a desistir de cuidados de saúde primários e a reduzir no consumo de carne para poderem continuar a dispor de 3 refeições diárias.
Algumas (de muitas!) soluções possíveis para o problema
Josette Sheeran está convencida que, caso seja possível sobreviver a esta época conturbada, será possível, eventualmente, cultivar alimentos suficientes para suavizar a situação e permitir que os países em desenvolvimento poupem fundos para investir em programas de longo prazo de recuperação.
· Proteger as áreas aráveis das secas através da construção de reservatórios de água ou barragens que assegurem o fornecimento de água durante o ano a estes países mais afectados, estabilizando as culturas e a alimentação das populações
· Incrementar o uso dos OMG, Organismos Geneticamente Modificados, uma vez que estes podem ser controlados para melhor resistir às condições climáticas dos locais de produção, e ver aumentado o seu conteúdo energético. Contudo, esta solução não é livre dos perigos adjacentes à manipulação de material genético que irá ser consumido por Humanos, levantando questões pertinentes quanto à segurança destes processos.
· Criar cartéis de preços, controlados pelos Governos (uma medida já tomada por alguns governos asiáticos), de modo a estabilizar o aumento especulativo dos preços dos alimentos que, em alturas como a presente, contribui para um aumento ainda mais acentuado das dificuldades.
É necessário menos egocentrismo dos países desenvolvidos e mais ajuda efectiva aos países em desenvolvimento, que passa, também, pelo ensino de técnicas inovadoras de cultivo e de gestão eficiente de stocks. É necessário um plano de acção global para travar este “Tsunami Silencioso”!
Thursday, November 20, 2008
Wednesday, November 12, 2008
O Autor da Vida!!!!
“A vida é uma tela com pequenos rabiscos, onde criamos o céu ou o inferno, de acordo com as tintas que usamos…” - Paulo R. Gaefke
Vai, deixa-te de tristezas e deixa o sonho levantar-te, acredita que é possível ainda hoje dar uma volta à vida, acredita que tudo foi apenas um engano,mantém a rota do teu barco da vida,não desistas novamente, as pedras são apenas restos que a chuva trouxe…
Amar, viver, sonhar, acreditar, lutar e até o chorar, são fases que compõem o grande quadro chamado vida, onde a tela é a tua história, as tintas são as pessoas que passam por ela mas, o pintor, o responsável pela obra és sempre tu.
Haja o que houver, aconteça o que acontecer, o pincel que mistura as cores, que dá forma ao que vai surgir na tela, que cria e apaga situações e imagens, ainda está na tua mão.
És tu quem pode criar agora, uma estrada florida, ou o caminho escuro das incertezas e dúvidas.
Já que tu és o autor, o pintor dessa tela chamada vida, começa por pintar um sorriso, que é o sinal que representa a esperança, a renovação, o símbolo dos que não desistem nunca de serem Felizes, e ser Feliz exige criatividade, esforço e dedicação.
Se tudo deu errado até aqui, passa tinta branca em toda a tela e recomeça, hoje é o dia perfeito para uma nova pintura…
Monday, November 10, 2008
Os sistemas criados para recrutá-los, recompensá-los e desenvolvê-los, formam uma parte principal do valor de qualquer empresa – tanto quanto ou mais que os outros activos, como dinheiro, terras, fábricas, equipamentos e propriedade intelectual.
Saturday, November 8, 2008
TALENTO
Gravura de Francisco Pastor.
«Deixa-me dizer-te francamente o juízo que eu formo do homem transcendente em génio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas vezes. O homem de talento é sempre um mau homem. Alguns conheço eu que o mundo proclama virtuosos e sábios. Deixá-los proclamar. O talento não é sabedoria. Sabedoria é o trabalho incessante do espírito sobra a ciência. O talento é a vibração convulsiva de espírito, a originalidade inventiva e rebelde à autoridade, a viagem extática pelas regiões incógnitas da ideia. Agostinho, Fénelon, Madame de Staël e Bentham são sabedorias. Lutero, Ninon de Lenclos, Voltaire e Byron são talentos.
Compara as vicissitudes dessas duas mulheres e os serviços prestados à humanidade por esses homens, e terás encontrado o antagonismo social em que lutam o talento com a sabedoria. Porque é mau o homem de talento ? Essa bela flor porque tem no seio um espinho envenenado ? Essa esplêndida taça de brilhantes e ouro porque é que contém o fel, que abrasa os lábios de quem a toca ? Aqui tens um tema para trabalhos superiores à cabeça de uma mulher, ainda mesmo reforçada por duas dúzias de cabeças académicas ! Lembra-me ouvir dizer a um doido que sofria por ter talento. Pedi-lhe as circunstâncias do seu martírio sublime, e respondeu-me o seguinte com a mais profunda convicção, e a mais tocante solenidade filosófica : os talentos são raros, e os estúpidos são muitos. Os estúpidos guerreiam barbaramente o talento : são os vândalos do mundo espiritual. O talento não tem partido nesta peleja desigual. Foge, dispara na retirada um tiroteio de sarcasmos pungentes, e, por fim, isola-se, segrega-se do contacto do mundo, e curte em silêncio aquele fel de vingança, que, mais cedo ou mais tarde, cospe na cara de algum inimigo, que encontra desviado do corpo do exército. Aí tem a razão por que o homem de talento é perigoso na sociedade. O ódio inspira-lhe a eloquência da traição.»
Camilo Castelo Branco, in ‘Coisas que Só eu Sei’




