Num país com educação de baixa qualidade e com tanta desigualdade, uma questão se coloca. Onde estão os talentos?
Recentemente fui contratado por uma organização para realizar um processo de Recrutamento e Selecção. Mesmo sabendo que existem milhares de desempregados, ou melhor dizendo, pessoas disponíveis para trabalhar a qualquer momento, a dificuldade foi enorme para encontrar profissionais conscientes dos seus talentos e focados na área profissional em que querem actuar. Afinal de contas, quem não sabe quais são os seus talentos, também não saberá como empregá-los e muito menos como contribuir com os resultados positivos de qualquer organização.
Durante o processo selectivo, fiz uma pergunta chave para os candidatos “Quais são os seus talentos? Como é que você pode empregá-los na sua profissão?”. Para minha surpresa, nenhum candidato soube responder. Imagine contratar um novo profissional que nem ao menos sabe qual é o seu talento! Dificilmente ele conseguirá superar-se, ser verdadeiramente feliz e atingir resultados extraordinários.
Os talentos estão presentes dentro de cada um de nós ou nas oportunidades de aprendizagem que surgem no quotidiano. Nos próximos parágrafos, abordaremos esse assunto no contexto organizacional com o objectivo de o estimular a empregar os seus talentos com qualidade.
O que faz a diferença numa organização de sucesso é sem sombra de dúvidas o Capital Humano. Capital este, composto por profissionais conscientes dos seus talentos e potenciais, e que os empregam para gerir o capital financeiro, caso contrário, perderiam os seus valores e as suas aplicabilidades. Visto que são os colaboradores talentosos que desfrutam das modernas e inovadoras tecnologias, são eles que possuem o poder de inovar, planear, ousar, arriscar, empreender, aproveitar as oportunidades e contribuir para o desenvolvimento sustentável de qualquer organização. Por essa razão, o investimento em capacitação profissional intensifica-se a cada ano, ou seja, é preciso colocar o profissional certo, no local certo, pelo motivo certo, com a formação adequada e com o talento bem empregue para atingir o resultado desejado.
Hoje em dia o desafio está justamente em encontrar esses profissionais. Profissionais que tenham plena consciência dos seus talentos, que sonhem imensamente e transformem sonhos e talentos em objectivos pessoais e profissionais, utilizando-os como um imã para o crescimento e realização de algo fora do comum.
Afinal de contas, o que é talento?
Talento é um dom natural ou adquirido. Todos nós nascemos com algum dom. Desde o primeiro segundo de vida é lançado o desafio de descobrir qual é esse dom, ou melhor, perceber como esse dom já está presente no quotidiano, nas pequenas atitudes, nos comportamentos do dia-a-dia e saber optimizá-lo.
O dom natural é aquele que desde criança qualquer pessoa utiliza, seja a forma como se comunica ou como joga bola com qualidade. Por exemplo, o Cristiano Ronaldo provavelmente já nasceu com um dom natural, e desde pequeno foi inteligente a ponto de aproveitá-lo e desenvolvê-lo no contexto do futebol, no entanto, o seu talento não é apenas chutar a bola, mas relacionar-se com a bola, com os adversários, com a equipa, e apresentar atitudes pró-activas nos momentos certos. O seu dom natural está relacionado ao timming em que ele chuta ou decide passar a bola. A diferença está no sonho que um dia ele teve, acreditou e a forma como se empenhou para transformá-lo em realização. Nos momentos de dedicação e de realização os talentos são revelados. Revelar os talentos é entrar em acção e estar atento aos resultados alcançados. Para revelar os talentos com mais facilidade é preciso sonhar, ir em busca desse sonho e ser flexível e quando for necessário mudar o caminho.
Ouso em dizer que todo o ser humano nasce com potencial para ser talentoso em alguma coisa. Alguns descobrem desde pequeno e já o utilizam, enquanto outros passam uma vida inteira procurando fora, e não conseguem descobrir e perceber o talento que está dentro de si. Muitos passam uma vida inteira apenas frustrando-se, saltando de galho em galho, a cada seis meses estão num emprego diferente, depois passam mais alguns meses desempregados e muitos ainda colocam a culpa no governo e nas suas condições financeiras. Na verdade, a responsabilidade não é do governo, mas de cada um que não se posiciona diante da vida e não utiliza a chave para descobrir os seus talentos e o auto-conhecimento. Sabemos que muitos nem ao menos tem oportunidade de trabalhar para se alimentar, como nalgumas regiões, porém, estamos falando de si que está lendo este artigo e tem diversas oportunidades.
Já o dom adquirido é aquele que qualquer pessoa percebe que precisa de ser desenvolvido para transformar os seus sonhos em realizações e se empenha aprendendo a cantar, dançar, rir, focar, ler, estudar, conhecer, enfim, diversas outras actividades de acordo com as necessidades e objectivos de cada um.
Se observarmos o dia-a-dia de grande parcela das pessoas que só reclamam e são conhecidas indirectamente como fracassadas, perceberemos algo comum, elas não têm sonhos, ou já sonharam em ser alguém melhor e mais empenhadas do que são, mas deixaram de acreditar nos seus sonhos, focando o tempo todo fora de si, falando apenas de coisas materiais, mal das outras pessoas, esquecendo-se de discutir ideias, sonhos, estratégias e de se olharem no espelho e perguntarem “O que eu sei fazer bem? Como eu posso ser melhor? Como posso transformar os meus sonhos em realizações?”.
Quando uma pessoa sonha e entra em acção para transformar o seu sonho em realidade, automaticamente olha para dentro de si, procura quais os talentos que precisam ser empregados e percebe que precisa empenhar-se para estimular os seus músculos emocionais e quem sabe, adquirir alguns dons. Consequentemente ela entra num movimento ascendente de crescimento, que inspirará as pessoas ao redor e aqueles que querem ser alguém na vida.
Ser alguém na vida é ser você mesmo. Ser você mesmo é acreditar nos seus sonhos, transformá-los em objectivos pessoais e profissionais e quando for a uma entrevista de emprego ou montar o seu próprio negócio, responder rapidamente qual é o seu talento e empregá-lo no mesmo instante, causando o impacto esperado pela sinceridade, transparência e a naturalidade de alguém que se conhece a si mesmo.






