Domingo, 27 de Abril de 2008

"Vivemos numa época perigosa.
O ser humano domina a natureza
antes de ter aprendido a dominar-se a si mesmo."
 
Albert Scweitzer
Escrito por Fernando Fraga em 19:16:00 | Link permanente | Comments (0) |

Domingo, 20 de Abril de 2008



Qual era o teu rosto original
antes de nasceres?
Koan Ze
n


VIVER A PARTIR DE UM LUGAR PROFUNDO É REGRESSAR OU DESCER A ESSAS ORIGENS DA NOSSA VIDA QUE O NOSSO MITO AUTOBIOGRÁFICO NÃO EXPLICA DE MODO ALGUM

    Temos uma tendência ignóbil para nos transformarmos num objecto estrutural de análise semelhante a um átomo ou a uma molécula. Atribuímos a origem dos nossos actuais problemas a situações de vida à infância e à família. Este é o mito das origens comum no Ocidente, mas que não foi, de modo algum, universalmente adoptado.                 Atribuímos ao trauma os poderes criativos de uma tragédia natural ou de uma divindade destrutiva. Alguns explicam a origem das perturbações actuais por meio de mitos mais antigos, como a expulsão do Éden, onde Adão e Eva viviam uma existência misteriosa, mas todos nós tendemos a tomar essa mitologia demasiado à letra ou como pura fantasia. Não permitimos que todo o seu poder poético se infiltre no nosso sentido do self e oriente as nossas acções e a nossa auto-análise.
    O antigo koan zen convida-nos a ir mais além, para lá do mito, quando procuramos as nossas origens, a fonte de um sentido do self e um indício de significado. Onde estávamos nós antes da história da nossa vida? Qual é o mistério original apenas sugerido na biografia, sonhos, desejos, medos e nas nossas criações? Que aconteceria se permitíssemos que esse rosto original se manifestasse em tudo o que fazemos? Não seria ele iconoclasta, destruindo qualquer estrutura e imagem ilusóriaqs que formulássemos? Não seria tão terrível na sua beleza e ferocidade que seríamos capazes de começar a sentir a sua presença?
    A perda da sensação de ser é o efeito secundário mais grave da vida quantificada, recionalizada, transformada por bens de consumo e industrializada que temos produzido recentemente. Quando as pessoas olham para nós, só vêem o que captam. O nosso rosto original tem sido coberto por tantas camadas de biografia e estatística que seria necessária uma arquelogia do self para redescobrir as nossas origens.
    Esta koan incentiva-me a rasgar a carta de condução, a esquecer o número da segurança social, a reescerever o meu curriculum vitae como se fosse ficção, e a nunca responder à pergunta "Que faz na vida?". Sinto-me ansioso por voltar a ver o meu rosto original e por me lembrar de quem sou. Procuro o espelho mágico, o lago de Narciso. Os sonhos parecem o sinal mais fiável mas, para o m undo biográfico, são os mais suspeitos.
    Miro o meu cão nos olhos e parece-me ver um rosto mais original que o meu. É simultaneamente mais expressivo e menos nítido. É assim que devo ser? O meu rosto original transpareceria mais se eu falasse menos? Será mesmo desejável que o meu rosto original saia do esconderijo? Estarão estas interrogações por detrás das actividades exasperantes dos monges orientais que se refugiam no silêncio e das freiras ocidentais que fogem do mundo, enclausurando-se?
    Por outro lado, talvez todos nós tenhamos epifanias joyceanas, revelações momentãneas, instantes de completa inconsciência de nós próprios, quando, como imaginava D. H. Lawrence, o deus profundamente escondido no self assoma fugidamente.Descobrimos então, como os místicos de muitas tradições, que o self e o divino estão separados pela mais fina das membranas - na verdade, por uma membrana de ilusão.
    Isto leva-nos a uma reflexão de carácter prático. Todos os problemas psicológicos e sociais são meras manifestações de confluências que nunca apreciaremos se não formos capazes de pensar mítica e teologicamente. Emerson disse que só um poeta sabe astronomia. Talvez só nos nossos momentos místicos saibamos o que se está a passar na nossa vida. Até formularmos as interrogações míticas, as interrogações teológicas a as interrogações sobre os mistérios, podemos estar a analizar as nossas ilusões e a tecer por cima do rosto que pretende ser o nosso.

Escrito por Fernando Fraga em 15:48:25 | Link permanente | Comments (1) |

Sábado, 19 de Abril de 2008

Nenhum homem é uma ilha;
qualquer homem é uma parte do todo.
A morte de qualquer homem diminui-me,
porque faço parte da humanidade;
assim, nunca procures saber por quem dobram os sinos;
eles dobram por ti.

— JOHN DONNE (1572-1631)


Escrito por Fernando Fraga em 17:53:36 | Link permanente | Comments (0) |

A construção do pensamento

É pelo pensamento que se reconhece a identidade, formula-se a estratégia da acção que determina a actuação do ser e sua interferência no seu meio. É com ele que expressamos sentimentos e comunicamos. Só amamos e governamos o que conhecemos. A qualidade dos nossos pensamentos define o nosso estado de harmonia com o nosso sistema de vida. Conscientes do funcionamento desta poderosa engrenagem podemos exercer melhor o poder sobre nós mesmos, despertando a consciência que percebe e constrói a nossa história com sabedoria e inteligência.

O pensamento é constituído de estímulos que geram programas na nossa memória. Assemelha-se a tintas que formam pinturas numa tela em branco. Das impressões no início da nossa vida formamos valores e princípios que definem o seu funcionamento, até que cheguem novas impressões que os transformam.

A construção do pensamento é feita pela leitura daquilo que foi armazenado na memória. Assimilamos aquilo que nos interessam de acordo com os nossos valores. Os valores formam as crenças determinando o que permitimos que entre e permaneça na memória servindo de material, para produzir pensamentos e acções diante dos relacionamentos.

Onde colocamos a nossa atenção lá estaremos; pois é o nosso ser que se expande e se conecta com a vibração atraindo a sua energia para interagir. Como numa fábrica estamos em constante troca com energias, promovendo o dinamismo do processo que somos e definem a qualidade daquilo que emitimos. Depende da qualidade de energia que aceitamos como combustível, a qualidade daquilo que produzimos e doamos ao ambiente. Se o nosso ambiente sempre mantém-se contaminado de sentimentos, pensamentos, valores e crenças, desarmónicas e excludentes, a mente encontra dificuldade de se conectar com a fonte criadora de onde vem a inspiração da intuição. Perdendo a pureza da criança que se permite viver novas experiências internas e a coragem do animal que manifesta a sua coragem ao enfrentar os obstáculos, o medo passa a ser usado para impedir a acção inteligente, e não para estimular a criatividade. A sabedoria da alma que deveria dirigir a construção do pensamento não encontra espaço para agir percebendo a presente realidade, fixando-se em tempos irreais. A fuga da realidade que apresenta os bloqueios e as desculpas para não assumir a responsabilidade pela sua própria vida vão aumentando. Com o aumento dos estímulos desarmónicos cria-se um ciclo vicioso de fragmentação e contaminação do ser, e em consequência, surgem organizações criminosas que dominam o sistema social e impedem a livre expressão e a liberdade.

A educação vinda principalmente das mães que, por falta de liberdade e desenvolvimento emocional, acabam transmitindo imagens de angústia e medo, e por excesso de cuidado, acabam superprotegendo a criança e não lhe dando os esclarecimentos necessários à sua formação para enfrentar os desafios da vida. Os obstáculos tornam-se ainda maiores e impedem a consciência de agir, limitando a construção de pensamentos sadios e criativos.

Dá-se importância a pessoas ou factos que estão em desarmonia com a felicidade e a paz universal. Fortalecemos os nossos arquivos de impressões traumáticas, que ao serem reprimidos, passam a fazer parte da nossa vida; e de alguma maneira vão tomando espaço na construção dos pensamentos que surgem de maneira involuntária, causando transtornos e fugas. Estas imagens entram e instalam-se na memória, formando uma espécie de pasta de proteção à sensibilidade, que vai pedir sempre algo para que seja nutrida. Nesta sensação de solicitação, fome e carência, nascem a ansiedade e consequentemente a compulsão, os vícios as manias, que provocam a fragmentação do ser e da sociedade, causando todo tipo de sofrimento como as doenças e a miséria.

Com o aumento de estímulos os portais da memória são accionados com mais frequência. A cada cinco anos dobra-se o conhecimento adquirido. Antes da era da informação este facto acontecia a cada 200 anos.

Através da produção de imagens de desconforto são criadas formas psíquicas que podem perpetuar-se por toda a existência, dependendo da importância que tenham.

A educação moderna é a principal produtora destas loucuras emocionais, sem unidade e compreensão. Não se construiu uma educação baseada em princípios da natureza e não se percebeu os interesses da vida para a criação de um processo prazeroso e feliz. Quem promoveu as regras da educação promovida nas escolas, nas casas ou na sociedade foram os valores excludentes impostos pelo sistema. Esta educação produz pessoas de visão limitadas nos seus interesses pessoais e egoísticos. São valores semelhantes aos de quem as promoveu. Mas eles não agem assim por consciência, são também produtos deste processo de isolamento que impede a manifestação do próprio governo.

A partir de novos valores e crenças, baseados no contacto com a realidade do momento real, ancorados na força do equilíbrio das polaridades existentes na natureza. Passam a funcionar recebendo estímulos que nutrem o ser com energias positivas do Sol e negativas da Terra, fazendo da nossa vida um verdadeiro ritual, aonde o poder e a inteligência da energia que move e conecta tudo que existe, fica sendo a nossa fonte de estímulo trazendo a harmonia necessária, para que a sua sabedoria torne a ser absorvida pela memória no lugar das impurezas. E como uma casca domina o nosso ser. É chegada a hora da germinação.

Inspirados pela força e a beleza da natureza que somos, passamos a perceber que um novo processo cheio de energia e luz se instala em nós. Nutridos pelas forças naturais harmónicas produzidas pela fonte da vida, expandem a capacidade que todos temos de criar e transformar o que temos, construindo novos vínculos, abrindo conscientemente o relacionamento com a teia da vida.

A mente funciona através de leitura das pastas de memória, armazenada pelos estímulos que aceitamos e motivada pelo interesse provocado pelos valores aprendidos. Se o medo domina e não encontramos a luz da coragem para enfrentá-lo descobrindo o que ele tem para nos ensinar, a emoção da angústia tenciona, causando desprazer, impedindo a manifestação da inteligência e a sabedoria da alma. Neste estado de isolamento a racionalidade reage à abertura dos centros superiores, e apenas as emoções irracionais se manifestam de forma desordenada causando todo tipo de contaminação psíquica.

Se a mente se alinha à consciência do universo, ela permanece sob o controle e o governo de quem conhece a realidade de todas as forças que integra e interage como ser, permanecendo sempre tranquila e feliz, passe o que passar. Este estado de plenitude e realização é mantido pela regência do espírito que mantém funcionando a capacidade de criar soluções, para transformar os obstáculos por compreender e gerir a situação baseada em princípios sólidos e naturais. Ao abrir-se à janela da memória com o que temos de mais profundo expande –se à arte de pensar, amar e viver em plenitude.

É nos trinta segundos de tensão interna que o ser humano promove os actos mais agressivos como: suicídio, assassinatos e outras barbaridades que mudam o curso da sua existência.

Ao manter a nutrição do ser em pleno funcionamento, bons sentimentos criam boas lembranças e conseguimos visualizar e sentir a força da nossa própria essência, princípio universal que nos tornam luminosos e sábios.

Para entrar em contato com a pureza e a força da natureza bastam simplesmente observar a essência da beleza existente na energia pura da natureza. Pequenos gestos como sentir a energia de uma bela música, o prazer do vento no rosto, a força do sol, e das árvores; comer sentindo o gosto subtil do alimento ou até mesmo tomar um banho deixando a água lavar as emoções.

No estado de harmonia com o universo a mente silencia e sente, permite diminuir as frequências agitadas da ansiedade que produz energias sem saber para que servem, e a serenidade da paz instala-se no ser trazendo ideias inspiradoras para criar momentos de satisfação e organizações, que promovam a transformação das necessidades em aprendizagem que fortalecem o ser para outros desafios mais complexos, dando-lhes condições de maiores aberturas de consciências, abrindo também os relacionamentos que estavam bloqueados, e promovendo a reeducação das emoções reprimidas.

O processo de cura é simples, como tudo na natureza:

1- Reconhecimento da força original do ser ao entrar em contacto com a consciência da fonte criadora através da nutrição integral do ser: Observação.

2- Reconhecimento e integração com a necessidade que revela o bloqueio a ser transformado em aprendizagem sem preconceitos: Respeito.

3- Atitude realizada a partir da aprendizagem criando a transformação da realidade indesejada. Prática

As actividades artísticas contém as chaves que abrem o contacto com esta percepção, e consequentemente a cura de todos os males psíquicos e sociais; pois nutrem o ser e expandem sua luz criando novos padrões que vão substituir os antigos valores e crenças, transformando-os definitivamente. Ao criar entramos em contato com a única força capaz de promover a criação em sintonia com a necessidade do momento, tornando-nos pensadores e construtores de novas humanidades, preparadas para exercer com plenitude a arte de viver e habitar num mundo novo e diferente.

 

Escrito por Fernando Fraga em 17:39:15 | Link permanente | Comments (0) |

Eu chorava por não ter sapatos até que um dia encontrei um homem que não tinha pés.

Autor Desconhecido

Escrito por Fernando Fraga em 17:11:40 | Link permanente | Comments (0) |

"O sonho sem uma acção é simplesmente um sonho. A acção desprovida de um sonho não leva a lugar nenhum. Mas o sonho aliado à acção poderá mudar o mundo." (Fred Polak)

Escrito por Fernando Fraga em 17:02:56 | Link permanente | Comments (0) |

A Força do Pensamento - William Walker Atkinson

Capítulo XI - Força Atractiva do Pensamento – A Sua Acção na Vida e nos Negócios.

WILLIAM WALKER ATKINSON foi advogado, comerciante e escritor norte-americano nascido em 1862 e falecido em 1932. Foi editor responsável pelas revistas "Suggestion" (1900-1901), "New Tought" (1901-1905) e "Advanced Thought" (1906), em Chicago. Dedicou-se à difusão da Filosofia Yoga e do Ocultismo Oriental no ocidente, sendo considerado pelo povo da Índia como uma autoridade no assunto. Contribuiu para a formação das bases de uma nova concepção para a Psicologia e um novo Pensamento a respeito do mundo mental e a sua relação com a realidade espiritual do homem.



Se os pensamentos tivessem cores (há pessoas que o afirmam), veríamos os nossos pensamentos de receio e de inquietação rastejando pelo solo, como nuvens sombrias e espessas; e os nossos pensamentos alegres, felizes e esperançosos, os nossos pensamentos ”POSSO” e “QUERO” seriam visíveis, misturando-se a nuvens semelhantes e movendo-se rapidamente em massas transparentes muito acima das emanações densas e nauseabundas, provenientes de pensamentos de receio, inquietações e de “Não posso”. Qualquer que seja a distância que as ondas dos vossos pensamentos percorram, conservar-se-ão sempre, até certo ponto, em contacto convosco e exercerão a sua influência, tanto em vós como em vossos semelhantes. Não é fácil desfazer-se alguém destes “filhos da alma”. Se já projectastes maus pensamentos, sereis vós uma das suas vítimas e tudo quanto puderdes fazer para neutralizar a sua influência será projectar novas ondas de pensamentos fortes e bons ou criar uma radiação mental que fortaleça o vosso “Êxito”.

A tendência que as ondas de pensamento têm é um exemplo frisante do velho ditado: “Os semelhantes reúnem-se”. É a essa tendência que se chama Força atractiva do pensamento. A manifestação dessa faculdade do pensamento é um dos fenómenos mais frisantes no domínio psíquico.

Pensamentos de receio e de inquietação atrairão outros da mesma espécie e confundir-se-ão com estes. Donde se conclui que não só sereis influenciado pelo pensamento da vossa alma, mas também pelos que foram produzidos pela alma do próximo, formando o todo um fardo pesadíssimo. E quanto mais persistirdes em tal caminho de pensamento, mais pesado se tornará o fardo.

Se, pelo contrário, alimentardes pensamentos alegres e felizes, eles atrairão pensamentos similares e sentir-vos-eis mais felizes, mais alegres e mais contentes pelas suas influências combinadas. Isto é rigorosamente verdadeiro, mas não há necessidade de aceitá-lo sem prova alguma. Se fizerdes a experiência, acompanhai o resultado de uma fé absoluta no êxito e obtereis resultados mais rápidos e mais satisfatórios. Os pensamentos de medo e de dúvida pouca força exercem, em comparação com os pensamentos expectantes e cheios de confiança. Suponhamos que os vossos pensamentos tomem um carácter de “medo de experimentar”, de desânimo, de falta de confiança, de “sei de antemão que nada obterei”. Que sucederá então? Atraireis força de sombrios pensamentos da mesma espécie e vereis que, com efeito, “não podereis”, e que toda a gente, de resto, será da mesma opinião. Mas tomai ânimo, alimentai pensamentos ousados, formai o “Eu posso e quero”, e atraireis as ondas de pensamentos similares, congêneres dos vossos, e estes vos estimularão, vos darão força e vos ajudarão a atingir o vosso fim.

Se projectardes no espaço pensamentos de ciúme e cobiça, estes vos virão em companhia de pensamentos semelhantes e por eles sereis afectados até o momento em que a impressão se desvaneça. É assim que ondas de ódio virão ter convosco, fortificadas e mais poderosas no decurso da sua viagem. O antigo adágio: “Paga-se na moeda em que se recebeu”, contém uma verdade muito mais profunda do que a maioria dos homens pensa.

Pensamentos coléricos suscitam na outra pessoa pensamentos coléricos (a não ser que esta se tenha mantido num estado de alma positivo), e ela reenvia as ondas de pensamentos recebidos. Além disso, outros pensamentos coléricos se juntam a estes e ajudam o trabalho pernicioso. Tendes ouvido dizer que “o homem acha o que procura”. É naturalíssimo; nada ele pode, visto que o seu pensamento atrai o pensamento similar e vê um mundo que tem a cor dos vidros dos óculos da sua alma.

Os bons pensamentos atraem bons pensamentos; os maus pensamentos atrairão os maus. Se odiais alguém e dirigis para ele pensamento de ódio, em paga vereis um mundo odiável. No mundo do pensamento, recebereis o que tiverdes dado – e com usura. Projectai pensamentos benévolos, e pensamentos benévolos vos serão devolvidos com juros e achar-vos-eis em face de um mundo benévolo e auxiliador. Enfim, ganhareis. Ainda que partais de um ponto de vista egoísta, é vantajoso formardes pensamentos benévolos.

Se procederdes assim, intimamente, durante um mês, por exemplo, dareis por uma diferença enorme em tudo, mas principalmente em vós próprio; o vosso mundo de pensamento de ontem apresentar-se-vos-á com a sua forma real, isto é, medíocre, baixa e miserável, e não vos inspirará senão desgosto e repulsão; não quereis voltar a ele nem por todas as riquezas do mundo. Antes do fim do mês, tereis consciência de que as ondas mentais vos voltam e sentireis toda a força socorredora delas e a vida parecer-vos-á completamente diferente. Experimentai sem demora e vereis que não vos haveis de arrepender.

Há duas categorias de pensamentos que são particularmente nocivas e a essas há que fazer uma guerra encarniçada, sem tréguas nem repouso, até que as arranqueis da raiz. Vereis que, uma vez que tiverdes exterminado essas duas, as outras desaparecerão, por assim dizer, por si mesmas. Quero dizer: o Medo e o Ódio. Estas duas ervas ruins são o pai e a mãe da maior parte das outras. A Inquietação é a filha mais velha do Medo e parece-se muito com ele. A Inveja, a Maledicência e o Furor pertecem à casta que reconhece o Ódio por pai. Exterminai os pais e não tereis que vos ocupar dos descendentes.

O que é necessário para prosseguir obstinadamente um ideal mental é, antes de tudo, um desejo ardente (não um simples desejo); em seguida, uma fé absoluta no vosso poder de atingir um fim (não apenas uma opinião hesitante), e enfim , a resolução inabalável de ganhar a causa (não apenas “Podereis muito belamente experimentar”, sem nervo e sem vigor).

As qualidades da alma supramencionadas vos farão o caráter, torna-lo-ão próprio para o desempenho das suas funções, visto que o pensamento toma forma em acções; sereis por ela dotados de forças poderosas para influenciar os vossos semelhantes e produzirão ondas de pensamento. Se tendes pensamentos de “Não posso”, projectais no espaço vibrações que suscitarão nos vossos semelhantes o sentimento de que com efeito não podeis; estas não vos serão de nenhuma utilidade, não terão necessidade alguma de vós. O mundo não se sente atraído para as pessoas “Eu não posso”. Esta forma de pensamentos cria circunstâncias que antes repelem do que atraem. O instinto de conservação de si mesmo levará homens a fugir dos indivíduos com quem tratam.

Criai o pensamento “Posso e quero”, e as ondas vibratórias propagar-se-ão alegremente carregadas de mensagens animadoras, o mundo achar-se-á fortemente atraído para vós e os vossos triunfos hão de seguir-se uns aos outros. Os homens fortes sentirão que entre vós e eles existe afinidade secreta e terão gosto em cooperar convosco. Os indivíduos fracos sentirão a vossa força; sentirão a necessidade de vosso auxílio e serão influenciados por vós e por vós atraídos, sem terem consciência disso. Eis um exemplo de faculdade atractiva do pensamento. Experimentai.

Atrairá a vós pessoas que tem precisão dos vossos serviços do que vós tendes para oferecer e assim tirarão partido do vosso proveito.

Atrairá para vós as pessoas que querem auxiliar-vos a tomar a peito os vossos interesses.

Nunca encontrastes alguém para o qual vos sentistes atraído, sem o conhecer?

E nunca ajudastes ninguém em semelhantes circunstâncias?

Certamente que isso vos há-de ter acontecido. E por que? Por que gostais de proteger uns e sentis repugnância em fazer a mesma coisa por outros que não são, de modo algum, inferiores aos primeiros? E eis também a sua única razão. Pois bem, a mesma faculdade do pensamento atrairá para as outras pessoas, cujas vibrações se harmonizem com as vossas, e achareis, como por instinto, os indivíduos que serão capazes de vos prestar serviços e de vos auxiliar.

Digo-vos que conseguireis tudo quanto desejardes, se quiserdes reconhecer esta lei.

É coisa esta muito extraordinária e muito difícil de explicar (a não ser que me embrenhe convosco na abrupta metafísica); mas o vosso triunfo parece depender absolutamente do grau de FÉ que tendes na força. Uma fé hesitante não oferecerá senão resultados imperfeitos, ao passo que uma fé convicta, firme e acompanhada da convicção de que “tereis o que quiserdes”, fará milagres. Conservai essa fé e acompanhai-a de um desejo ardente e triunfareis. “Pedi, e recebereis; batei, e abrir-se-vos-á”; mas acompanhai o pedido e a pancada de uma fé inabalável e de confiança no êxito.

Helen Wilman disse: “Aquele que ousa reconhecer o seu ‘eu’ pode esperar serenamente, porque o destino rápido realizará certamente os seus desejos.”

Mas as palavras “esperar serenamente” referem-se sem dúvida alguma, ao estado de alma e exprimem a esperança serena e firme de uma “coisa que certamente acontecerá”.

Isto não quer dizer que o homem deva sentar-se de braços cruzados e “esperar serenamente” que o “destino rápido” lhe lance os triunfos de regaço. Ah! não. Nunca foi a intenção de Helen Wilman dizer semelhante coisa – que esse não é o seu carácter.

O homem dentro do qual impera um desejo ardente e cujas impulsões do pensamento são concentradas, não se senta para esperar como espectador indiferente às coisas que vão passar-se; só com detrimento da faculdade que lhe permite prosseguir e perseverar seriamente no seu ideal ele faria isso. O pensamento manifesta-se na acção; quanto mais forte for o pensamento, mais enérgica será a acção.

Pode acontecer que desejeis alguma coisa da maneira menos própria para adquiri-la e de que estejais convencido que está na vossa mão apossar-vos dela e, contudo, prosseguindo no vosso intento o melhor que podeis, estais em vias de consegui-la.

Direi com Garfield: “Não espereis que coisa alguma venha até vós; levantai-vos e ide à procura dela.” E durante todo o tempo, esperareis confiadamente a coisa, obedecendo à vossa ordem. Com grande pesar meu, o limitado espaço não me permite enumerar-vos os resultados maravilhosos desta maneira de pensar e mal posso deter-me um instante para vos pedir a atenção para o funcionamento da lei. Mas depois de tudo, deve-se ter aprendido uma coisa por experiência para poder aperfeiçoar a verdade. O “Êxito” não pode ser completamente satisfeito de outra maneira. Espero que quem ler este capítulo se dará à prática deste método do Novo Pensamento.

A princípio tereis que me dar crédito, sem ter provas palpáveis da verdade do que avento, mas em breve as vossas experiências pessoais vos demonstrarão claramente esta verdade e estarei em caminho de triunfar.

TUDO É VOSSO, COM A CONDIÇÃO DE QUE VÓS, MUITO A SÉRIO, QUEIRAIS QUE O SEJA.

Reflecte nisto. Tudo! Experimentais. Experimentai com seriedade e obtereis. É uma lei poderosa que vos espera.

Escrito por Fernando Fraga em 16:51:55 | Link permanente | Comments (0) |

Mergulho no Potencial Puro


Como Navegar no Campo de Tudo

  1. Quanto mais fundo for, maior será o poder disponível para alterar as coisas.
  2. A realidade flui das regiões mais subtis para as mais grosseiras.
  3. A melhor maneira de alterar qualquer coisa é ir primeiro para o seu nível mais subtil, que é a consciência.
  4. O silêncio imóvel é o inicio da criatividade. Mal um acontecimento começa a vibrar, já começou a entrar no mundo visível.
  5. A criação progride por meio de saltos qualitativos.
  6. O início de um acontecimento é, simultaneamente, o seu fim. Os dois co-aparecem no domínio da consciência silenciosa.
  7. Os acontecimentos desenrolam-se no tempo mas nascem fora do tempo.
  8. A forma mais fácil de criar é seguindo a direcção da evolução.
  9. Dado que as possibilidades são infinitas, a evolução nunca termina.
  10. O Universo ajusta-se ao sistema nervoso que o está a observar.
Escrito por Fernando Fraga em 15:34:59 | Link permanente | Comments (0) |

Amazonas


Segundo o historiador Diodoro da Sicilia, um povo de mulheres instalado no oeste do Norte de África, lançou uma série de ataques militares até ao Egipto e Ásia Menor. A mitologia grega evoca igualmente um povo de mulheres (a-mazos que significa privada de um seio, já que elas amputavam o peito direito para melhor manejarem o arco) que viviam nssa, Lampado e Hipólita estenderam a sua influência até à Trácia e à Frígia. Quando Antíope, uma das irmãs, foi raptada por Teseu, as Amazonas atacaram a Grécia e cercaram Atenas. O rei Teseu teve muita dificuldade em repeli-las e foi forçado a pedir a ajuda de Hércules. É de notar que este combate contra as Amazonas faz parte das doze façanhas de Hércules.as margens do rio Thermodon, a actual região do Cáucaso, e mantinham com os homens relações meramente ocasionais, limitadas à procriação.
Segundo ele, elas não tinham nem pudor nem sentido da justiça. No seu País, a filiação fazia-se pelas mulheres. Quando concebiam filhos machos, reduziam-nos à escravatura. Armadas de arcos com flechas de bronze, protegiam-se atrás de pequenos escudos em forma de meia-lua.
A sua raínha Lisipe avançou contra todos os povos até ao rio Thaïs. Alimentava tamanho desprezo pelo casamento e tão grande paixão pela guerra que, por provocação, Afrodite dispôs-se a que o filho de Lisipa se enamorasse da mãe. Não se querendo entregar ao incesto, o rapaz lançou-se ao Thaïs, afogando-se nele. Para fugir aos opróbrios da sua sombra, Lisipe levou as suas filhas para as margens do Mar Negro onde cada uma fundou a sua cidade Éfeso, Esmirna, Cirene e Mirna. As suas descendentes, as raínhas Marpe

Durante a guerra de Tróia, sob as ordens da raínha Pentesileia, as Amazonas acorreram em ajuda aos Troianos contra os invasores gregos. Pentesileia será finalmente morta durante um duelo singular com Aquiles, mas o seu último olhar tornará para sempre o guerreiro apaixonado pela vítima.
Encontra-se marca de exércitos estritamente femininos nos corpos de elite Cimérios e dos Cítios. Os Romanos tiveram também de combater mais tarde contra cidades compostas unicamente por mulheres como Namnétes da ilha de Sein, ou os Samnitas, que viviam nas proximidades do Vesúvio.
Nos nossos dias, subsistem ainda no norte do Irão povoações habitadas maioritariamente por mulheres, as quais se reivindicam descendentes das Amazonas.


Edmond Welles,
Enciclopédia do Saber Relativo e Absoluto, Tomo V.

Escrito por Fernando Fraga em 14:53:25 | Link permanente | Comments (0) |

Lei de IIlich


    Ivan Illich, padre católico originário de uma família de Judeus russos instalados na Áustria, estudou demoradamente os comportamentos das crianças e publicou numerosas obras como Uma sociedade sem escolas ou O desemprego criador. Homem de todas as culturas, este pensador, considerado como um subversivo, renuncia ao sacerdócio e funda no México, em 1960, o centro de documentação de Cuernavaca, especializado na análise da sociedade industrial. No seu discurso: "a estratégia política é desnecessária para se fazer uma revolução", desafiando o homem a criar um espaço de trabalho cuja principal preocupação seria o convívio. A partir deste último, e não do rendimento, ele pensa que o humano encontrará por si próprio a forma de participação na produção que melhor lhe convém. Mas além dos seus livros e dos seus discursos, Ivan Illich será sobretudo conhecido por uma lei baptizada com o seu nome, a lei de Illich. Esta retoma os trabalhos de vários economistas sobre os rendimentos da actividade humana. Pode formular-se assim: "Se aplicamos constantemente uma fórmula funcional, esta acaba por deixar de funcionar". Mas, no domínio da economia, tinham caído no hábito de acreditar que, aumentando a quantidaqde de trabalho agrícola aumentar-se-ia a quantidade de trigo.
    Na prática, isso só funciona até um certo limite. Quanto mais nos aproximamos desse limite, menos a soma de trabalho se torna rentável. E se ultrapassarmos, entramos decididamente em rendimentos decrescentes. Esta lei pode aplicar-se a nível das empresas, mas também a nível do indivíduo. Até aos anos 60, os adeptos de Stakhanov pensavam que para aumentar a rentabilidade era preciso aumentar a pressão sobre o operário. E que quanto mais este sofresse a pressão melhor seria o seu desempenho. De facto isso funciona até ao ponto que a lei de Illich consegue definir. Além disso, qualquer dose de tensão suplementar será contraproducente, até destrutiva.

Escrito por Fernando Fraga em 14:16:37 | Link permanente | Comments (0) |
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