Sunday, March 1, 2009

Da classe dominante ao trabalho remunerado por culpa de Adão e Eva

    Todos nós sabemos como tudo começou. Deus assim o quer, assim o diz, e fez-se luz. Foi assim que começou a primeira segunda-feira, no início do mundo. E assim Deus foi labutando até ao sábado (não inventou de imediato nem a semana inglesa, nem a semana americana). Nisso, olha-se ao espelho e cria um ser à sua semelhança: Adão. Para que Adão não se aborreça, retira-lhe uma costela e daí faz Eva. Depois explica-lhes o regulamento da casa e as regras para a utilização do jardim: podem comer toda a fruta, a não ser a de uma macieira com um letreiro que diz: “árvore do conhecimento do bem e do mal”, que isso seria mau e teria um fim de morte. Mas Eva pressente uma contradição: se a própria descoberta da diferença entre o bem e o mal é má, algo não está bem com a lógica. Para melhor esclarecimento, consulta a perita em paradoxos, a serpente, e esta faz uma interpretação sob o prisma da crítica ideológica: a proibição é antidemocrática, e a ameaça de morte serve apenas para proteger o saber da classe dominante. Que comessem à vontade, porque haviam de ficar eles próprios como Deus, podendo distinguir o bem do mal.

    Foi assim que se deu o acontecimento que viria a ser conhecido por pecado original, com todas as suas consequências; a descoberta do sexo e da vergonha, a invenção da parra e da moral, a expulsão do jardim, a condenação a um trabalho remunerado regular e o estreitamento da bacia devido à postura vertical com o acréscimo de um nascimento correspondentemente prematuro e, já agora, doloroso, um prolongado período de dependência total da criança, prazos educacionais prolongados e uma sobrecarga generalizada para a mulher devido ao seu papel de liderança por ocasião do pecado original.

Posted by Fernando Fraga at 17:19:21
Comments

One Response to “Da classe dominante ao trabalho remunerado por culpa de Adão e Eva”

  1. download says:

    You are so totally right (write!)

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